29 de junho de 2010

Diálogos profusos 2

Postado por Keu Azevedo em 29.6.10

Ele: – Quando eu era pequeno eu tinha um carrinho vermelho.
Ela: - Eu adorava carrinhos, mas meu pai dizia que era coisa de menino.
Ele: - Eu adorava meu carrinho vermelho.
Ela: - Eu nunca pude ter um carrinho...
Ele: - Eu passava horas brincando só com ele...
Ela: - Eu via os meninos da rua e morria de inveja deles e de seus carrinhos.
Ele: - Eu tinha outros carrinhos, mas o vermelho era o meu preferido.
Ela: - Meu sonho era ter um, mesmo que fosse pequeno.
Ele: - Um dia a gente se mudou, perdi meu carrinho.
Ela: - Uma vez eu roubei um carrinho de meu primo, fiquei escondida no quintal da minha tia, brincando com ele... O carrinho, não meu primo.
Ele: - Eu nunca tive outro carrinho igual. Depois dele eu não tive mais carrinho nenhum.
Ela: - [...]
Ele: - [...]
Ele: - Um carrinho me ensinou o que é a perda.
Ela: - Um carrinho me ensinou o que é ausência.
Ele: - Deixar de ter, dói.
Ela: - Nunca ter tido dói mais ainda.
Ele: - Acho que precisamos de carrinhos.
Ela: - Acho que precisamos de amor.

2 comentários:

Nanda disse...

Oi!!!
Li, reli e adorei!É nos vazios que as coisas deixam que encontramos o que sentimos por elas... nem sempre se pode recuperar, mas sempre, pode recomeçar..
E o amor? chave pra tudo..

beijossssss

Nathi disse...

Ah!

All we need it's love!!!

Amei o diálogo, mais ainda a[s] conclusão[ões]!!!

Beijo*

 

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