17 de janeiro de 2012

Do verbo desmoderar

Postado por Keu Azevedo em 17.1.12 1 comentários
Texto para ser lido ao som de "The only one" - Yael Naim  http://www.youtube.com/watch?v=eXilTWhpgPg 

Uma fome que nada saciava. Tudo sem sabor, tudo inodoro.
Era ELE que faltava: o corpo alimento, o gosto de vida, o cheiro de amado.
Parecia um eterno pique-esconde:
eu tapei os olhos e continuei lá contando mesmo depois que todo mundo foi embora...
Daí você chegou sem que eu percebesse as suas pisadas; descobriu meus olhos, sussurrou no meu ouvido...
Era isso: eu não devia procurar, eu devia ser achada.
Você tem dado a esses últimos meses cores que eu nem sabia que existiam, ou vai ver eu que enxergava em preto e branco.
Não sei bem se você limpou meus olhos ou pintou o mundo todo, mas a culpa é sua da beleza que vejo hoje.
Eu moderava tudo até perceber a gostosura da embriagues que você me causa.
Eu não preciso ser boa pra todos, notável ao mundo... Eu só preciso ser o suficiente pra você.

Eu permaneceria bem ali, tá vendo? De pé naquela esquina fria, trocando o peso duma perna pra outra por quantos anos fossem necessários...
Eu faria isso se você me prometesse que viria.
Não tô com medo de não ser pra sempre. É tão bonito e absurdo que já é eterno.
Como o primeiro beijo, não preciso te ter pro resto da vida pra te sentir de novo toda vez que eu lembrar...
Mas se eu puder escolher... Quero ter sim.
Por isso tô te dizendo 'eu te amo' de todas as formas possíveis até um dia ter coragem pra dizer de verdade.

E essa mania de dizer que eu te faço feliz? Pfff
Você nem desconfia que não passa da própria felicidade que você me traz voltando leve e apaixonada pra você.
Não me diz mais então, senão não sei como vou fazer pra te deixar voltar, porque você vindo vai me dar vida como quando chove no sertão...
Vai ver você é isso: a chuva que eu esperei estação por estação e achei que nunca viria.
Mas daí que vou te ver chover em mim e pode ser que eu não saiba mais ficar sendo seca quando você se for.
A tua saudade me chupa a força, me dilata o tempo... A tua vontade me lambe a alma.
O problema é que não consigo ter medida contigo... Você me desmodera.
Eu sempre disse que não estava procurando um cara, que um dia a gente ia se encontrar...
Meio derrubando os livros num corredor, meio num café antiquíssimo, meio na sala de espera de algum consultório, meio discutindo Caio F Abreu em alguma rede social...
Ou qualquer uma dessas situações cinematográficas ridículas.
Mas mentira, eu tava procurando e não sabia.
Só percebi isso quando minha procura terminou em você.
Vai ver é aquela velha história de (certo por) linha torta: a gente se encontrou numa curva.

O gostoso é que a gente não faz a mínima ideia do que vai ser depois, de como serão os inúmeros adormecer e despertar contando os dias, de como vai ser não ter todo o tempo aquilo que se deseja o tempo todo.
E então a gente se cheira, a gente se ri, a gente se apega...
(penso que amor é cafonice incurável pra se padecer em par)
E tem certeza que não há outra forma possível na face dessa terra:
é a gente junto. É.
Sou o tipo moça boba que ficou anos sonhando com uma carta de amor bem linda, bem brega...
Hey, Deus: carece mais não. Ele supriu tudo.

7 de janeiro de 2012

Meu bem

Postado por Keu Azevedo em 7.1.12 1 comentários


Texto para ser lido ao som de 'Mapa-Múndi' do Thiago Pethit.


A gente fica planejando as coisas e morrendo de medo.
Mas tem encontros que fazem a gente esquecer os vieses e lamaçais todos do caminho que se segue...
Foi assim com você: eu te encontrei e nunca quis tanto andar como agora.
Nunca tive mais planos absurdos que agora nem mais medo (um medinho quase gostoso) do porvir que eu tanto desejo.
Eu não tenho um plano B. (eu não tenho reservas. Eu não sei do tempo, das falas muito menos do rumo desse roteiro...)
Eu só tenho e quero o você que me fez esquecer todas as outras letras do alfabeto.
Eu queria colar um post-it no teu carro escrito 'você tem o melhor BOM DIA do mundo!'. Porque é verdade, e eu só posso lamentar por toda a humanidade que não te tem dizendo 'te acordei?' todo bonitinho pela manhã.
Então acho que a gente podia tomar um café, depois sair sem intenção de comprar nada, visitar ninguém, cumprir qualquer coisa... De mãos dadas. Achando que a vida bem pode ter gosto de gente.
...Ou só ficar num dia de preguiça, com a minha cabeça no teu peito escutando teu coração de fundo musical pra nossa conversa boba... E teus dedos criando desenhos abstratos nas minhas costas...
Porque ter você já me basta tanto...
Eu queria que você visse meu sorriso hoje: o quanto ele tá com cara de sol nascendo depois de uma noite espessa...
E quando você elogiar e sorrir de volta, eu confessar que o meu sorriso é todo culpa tua, tu só tá reconhecendo a tua obra.
Não sou eu, é você. E a paixão que me causa a tua falta de assunto.
O maior tesão do mundo é o impossível. Acho que isso explica tudo, não?
Eu quero te provocar sorrisos... E que você seja sempre o motivo dos meus melhores. Esse é o meu status: uma vontade ridícula de te encher de breguices e beijos, só pra você saber como é cafona e gostoso o que tenho preparado pra gente.
Porque tu causa efeito sanfona no meu coração. Tu deixa meu coração apertadinho de tanta querança, de tanta saudade, de tanto 'só-você-resolve'... E depois o infla com tanto carinho, com tanta lindeza e romantiquices que só tem graça em você.
Enche meu coração de tu mesmo...
Tô até pensando em parar de brigar contigo e tolher os teus exageros sobre a gente... Vai acontecer mesmo, né? Acho que é real. E eu seria infinitamente idiota se perdesse tempo.
Tu é o garoto bobo mais esperto do (meu) mundo. E mesmo que eu tentasse negar, desconfio que as tuas iniciais apareceriam magicamente escritas na minha cara: é você. Eu sei.
Quando o que te faz feliz não é uma coisa e sim uma pessoa, fica mais difícil enfeiar o resto do mundo.
Então: quer ser meu bem pra sempre?
 

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