Manual básico de (sobre)vivência:
1- ok, mulheres: vocês sempre acharão que estão acima do peso, na maioria dos casos não estão. Mas se estiverem de fato (sempre sabemos), não encham o saco dos outros perguntando... Se eles disserem a verdade, não irão agradar.
Além disso: os homens são um mal altamente necessário, não vale à pena esnobar tanto nem tampouco passar a mão na cabeça.
2- ok, homens: vocês não resistem a uma mulher peituda, oferecida e de riso fácil (no caso dos brasileiros as bundudas também), portanto alguns itens são necessários para conviver com esse gene peculiar da safadeza (recessivo para alguns, dominante para outros): sejam no mínimo discretos e educados... E nunca, nunca, nunca compare a sua namorada ou esposa com uma guria da TV. As conseqüências podem ser desastrosas... Para você principalmente.
3- Adolescentes: essa fase é um saco. Vocês não conseguem perceber mas, acreditem: vocês são muito chatos!
Falam alto demais, adoram chamar a atenção em locais públicos, pendem para extremos tentando se auto afirmar: vestem muito rosa ou muito preto (patys e rockeiras), se enfurnam em casa jogando muito vídeo game e lendo demais ou viram “os pegadores” da galera alcoólica do fundão! Kkkkkkkkkk
Sendo assim, tentem pegar leve se não querem se arrepender, ou... Façam tudo mesmo e esperem passar dos trinta pra ver se dá pra rir de tudo... Espero que dê, porque tem mesmo coisa que depois fica hilário!
4- adultos em geral: sejam menos petulantes. Esse é o conselho mais básico e mais importante desse manual.
5- E por último: todos devem ter menos espelhos, ser mais seletos com as amizades, fazer idiotices de vez em quando, ver menos TV, estudar menos, doar sangue, amar um animal qualquer, tirar muitas fotos, dar mais festas em casa (receber pessoas cura doenças! Kkkk), colecionar alguma coisa (nem que sejam memórias), economizar água, conversar com um idoso de vez em quando, aprender outra língua, comer porcaria pelo menos uma vez por mês, e ter um blog, agenda ou diário... Algo em que você escreva com certa freqüência (o que quiser), nem que somente você mesmo saiba e/ou leia...
“Viver é assim: um semear e segar adverso, contínuo, e tão bonito e dificultoso (amo essa palavra que pra muitos tá errada) que chega a doer...”
Ps.: texto normalzinho que fiz depois de um coment que deixei para Nathi, vale lembrar que é apenas de resenha, ou seja, contém verdades sim, mas o tom geral é de brincadeira mesmo!... hehehehe ;)
keu azevedo
Sou egocêntrica e de um humor às vezes ácido, às vezes imbecil. Tenho péssima memória e uma timidez inconveniente. Meio desajeitada, meio lerda, nerd simpatizante. Com uma forte tendência melancólico-saudosista e uma paixão descomedida por Literatura. Gosto de estar certa, gosto de ser mimada e tenho PHD em longas esperas. Cuidado: sou altamente instável, nasci potencialmente predisposta à falhas de execução.
30 de março de 2009
25 de março de 2009
Eterno devir
Dizer quem sou é dar espaço no palanque para o meu já aguçado egocentrismo.
É relaxar as têmporas e impor ao lápis, a tarefa dificultosa de confessar ser o que nem sempre as pessoas veem que sou.
Sou ser conceitual de natureza, indubitalvelmente complexa... Não por escolha minha, mas de meu pai que determinou o meu sexo.
Ás vezes sucinta como um haikai às vezes, temerosa como uma criança assustada que se refugia embaixo dos lençóis. Sou um aglomerado de reticências, uma profusão de conflitos estanques.
Mas sou cheinha de verdades...
Um tanto autista (mas quem não é?!), um tanto maleável, um tanto egoísta...Isso prova a minha humanidade.
Sei que não crio meu contexto, mas ainda quero rabiscar o meu futuro. Também sei que não sou militante, sou alguém de revolta passiva, que se ressignifica e se remonta a cada surra... E se não fossem as marcas que permanecem no meu dorso, ninguém saberia.
Não sou tão diferente: me parafraseio, me preocupo, devaneio e me desculpo... Até começo frases com pronome oblíquo enlouquecendo os gramatiqueiros!
Sou diminuta por amor, convenientemente distraída, inconstante e essencialmente prolixa... Essas são quatro características que nem sei se quero mudar. Já me roubaram a inocência, deixe que fique com os meus defeitos!
Sou o tipo clássico de saudosista: derreto-me em afagos que se foram, embriago-me em sons inconfundíveis do passado e anseio pelas imagens, gostos e cheiros costurados em mim... n'outros tempos, numa eu de outrora.
Sou o tipo verdadeiro de pessoa moderna: doentia, escusa e insatisfeita... Passeando com uma velha capanga que traz em si renite alérgica, péssima memória, miopia e estrabismo.
Uma mulher que ama todo tipo de animais desde que sejam bonitos para mim, submissos a mim e domesticados por mim. Uma jovem que se estende e ainda se perde no que diz...
Por fim, falar de mim é falar do meu corpo que todos os dias é dilacerado - pois que vale à pena, simplesmente pelo prazer de cobrir-me com mais puro bálsamos todos às noites - da casa do meu espírito, albergue da minha alma:
Minha pele é uma extensão de paradoxoa, meu rosto é espelho onde os outros que se veem, minhas mãos beijam banjos para compor minha canção... Canção que dedilho e escrevo, só porque não sei desenhar.
...Não tenho conclusões, minha ciência somente permite dizer: Sou um eterno devir...
Ps.: Esse texto foi a minha penúltima produção para a disciplina Língua portuguesa VI, a proposta era simples: auto-descrição. Fiz isso ai.
Resolvi publicar pq foi a primeira vez que um professor me elogiou abertamente por algo literário que produzi e também a primeira vez que fui insentivada a continuar fazendo por alguém que não seja um amigo/conhecido meu, alguém que não teria obrigações de dizer nada, mas disse.
Obrigada Norma Soeli pela excelente profissional que vc foi nesse semestre e com certeza continuará sendo e por tudo que me ensinou.
*fiquei toda sem ação com os elogios e a "homenagem" que me fez [suei, tremi, fiquei vermelha...no fim nem disse nada de tão constrangida que estava diante da turma] mas realmente OBRIGADA!
20 de março de 2009
Despedida 2
Sei que pode parecer besteira, mas quero fazer um memorial ao meu querido Andy que partiu para o céu dos cachorros no último domingo.
Ele era apenas um filhote, mas em seus quase 4 meses de existência, foi um pedacinho da minha felicidade.
Extremamente arruaceiro, destruidor, marrento, treiteiro e por fim um tremendo bobão (incapaz de morder alguém e vivia a dar lambidas nos gatos que tanto o detestavam...Ele não guardava rancor, estava sempre pronto p/ brincar, mesmo qdo apanhava deles).
Não sei exatamente a moléstia que o tirou de mim (genética decerto, pois seus irmãos padeceram da mesma) porém, meu fofo vira - latas (com orgulho!) não será esquecido.
Lembro-me do último beijo que ele me deu: na sexta a tarde (2 dias antes de sua morte) justamente enquanto eu tirava algumas fotos dele a exemplo dessas aqui... [ele lambeu meu olho qdo aproximei-me com a máquina].
Enfim Andy, você fez juz ao seu nome: foi divertidíssimo, serelepe e me deixou de uma maneira IMPROVÁVEL.
Adeus...
Ps.: galera, sei que estou super ausente, mas é o final de semestre: a corda tá apertada! Volto dia 28/03...Mas sempre que der, passo aqui, dou uma zioada rápida.
bjussssssssss
11 de março de 2009
Respondendo...
Regras:1ª- Exibir a imagem do selo "Seu blog é ROXIE!" e escrever essas regras abaixo dele;2ª- Colocar quem te deu o selo nos seus blogs indicados (amigos);
3ª- Escrever 5 coisas que são ROXIE;
1- Sobre música;
2- Televisão e cinema;
3- Três países que sonha em conhecer;
4- Três cores favoritas;
5- Três hobbies.
4ª- Indicar 10 blogs que você ache ROXIE;
5ª- Avise a pessoa que você indicou, deixando um comentário para ela.
Respostas:
Música: Teatro mágico (d+++); mpb (algumas tipo de Jorge Vercilo, Zeca Baleiro, Nando Reis, Adriana Calcanhoto...entre outros); Váaaarias que não dá pra citar pq além de sempre acrescentar tantas,(varia de acordo c/ o momento que vivo) já citei umas que amo aqui no blog (é só vasculhar os arquivos rsrs) cito três apenas p/ não ter a prepotência de querer falar de mais:
"Fotografia" - Leoni
"all star" - Nando Reis
"Seis da tarde" - Heloísa Rosa
[Foi muito dificil responder isso, queria falar de tantas...Sou movida à música]
Televisão: Os que eu realmente gostava não passam mais, também posso dizer que reduziam-se a seriados [não posso fazer sessão nostalgia aqui, seria enoooorme]. Cito então apenas o CQC (pq é atual e é o único que gosto mesmo).
No cinema, teria um trilhão de filmes (outra paixão), cito apenas:
Cantando na chuva;
10 coisas que eu odeio em você;
A procura da felicidade;
Uma mente brilhante;
O grande truque;
A vida é bela;
Efeito borboleta;
Forrest gump (todos do Tom Hanks)
Três países: nessa ordem = Japão, Espanha, Afeganistão. (é sério)
Três cores: depende do momento, do ano, do dia... Não sendo cor-de-rosa e/ou cores florescentes, uso tudo...
Atualmente prefiro = verde, preto, vermelho.
Três hobbies: ler, assistir animes, seriados e filmes (muitossss)
*Só não vou indicar ninguém... Mas obrigada a Nathi e a loira mexicana!
Bjussss!
6 de março de 2009
Eu quero amar! [desabafo]

"Fico preocupado só em como devo agir
Sou minha própria obssessão...
Chega de olhar pra mim, abre a minha visão!
Eu quero amar como Tu amas,
Me importar com os perdidos,
fazer obras maiores.
Eu quero estar em meio a multidão de curados e remidos
onde a Tua glória pode nos tocar."
*Ainda preciso dizer algo?!
Créditos: letra = Isaac (M. Jeová Nissi) voz = Fernandinho
Foto = Caique - Projeto tenho fome / África (Ministério Jeová Nissi)
**********************************************************************************
Esse é o meu clamor, o motivo das lágrimas que tenho derramado... Não somente com relação à Africa, mas ao povo que precisa de tanto...
No "Sopão", projeto social em que ajudo sempre que posso (isso inclui os dias que filo aula de Sociologia para ir...heheheh) tenho visto a Africa da minha cidade, o povo sedento do meu bairro... As mesmas crianças, a mesma dor, a mesma falta!
Tenho sonhado em oferecer-me, doar-me com tudo que posso, mas é tão difícil ainda...
Essa foto é da viagem mais recente (2009) do pessoal do preojeto TENHO FOME, deixo aqui 2 links que gostaria mesmo que vocês visitassem:
1 - um dos vídeos do projeto no youtube que tem essa música que pus ai em cima: http://www.youtube.com/watch?v=EvtHgxz0W50 [vendo e ouvindo é outra coisa... Nossa!]
2 - O site desse projeto, com as fotos e todos os detalhes: www.tenhofome.org.br
Já que passamos tanto tempo na net, vale à pena conferir isso aí pessoal...
* Desculpem o desabafo, mas a boca (e o teclado) falam do que o coração está cheio, o meu, está cheio disso!
...EU QUERO AMAR!
4 de março de 2009
Parte III - final
Adiantou-se mais um pouco e chamou por Ângela que não respondia.
Percorreu os cômodos, mas não a encontrara.
Talvez tivesse saído... Não costumava sair àquela hora, principalmente às tardes como as daquele dia, Ângela sabia que ele viria vê-la.
Decidiu esperar. Não teria ido longe... Aquela ausência veio mesmo a calhar, ainda estava nervoso.
Sentou-se na ponta do sofá como só o fazem os ansiosos ou apressados.
Olhava as coisas ao redor, pensava...
Onde morariam depois do casamento? Gostava da casa de Ângela, familiarizara-se a ela com o tempo... Mesmo assim, preferia que fosse na sua casa, ele era mais organizado, tinha mais espaço e principalmente, seu imóvel não possuía nenhuma lembrança de velório.
Ângela concordaria. Nova vida, novos ares... Pelo menos para ela.
Passara-se vinte minutos e Jonas já girava menos a caixinha em suas mãos.
Afinal, aonde Ângela haveria de ter ido?
Pousou as alianças sobre o centro da sala. Esticar as pernas enquanto esperava não lhe parecia mal.
Caminhou um pouco... A princípio de forma meio oblíqua. Ocorreu-lhe então, perguntar à vizinha do lado direito, Margô, se sabia da Ângela.
Margô e Ângela eram amigas mesmo antes do reencontro do Jonas com o Jorge e do romance furtivo dele mesmo com a Ângela. Era a única pessoa que soubera dos encontros antes do falecimento de Jorge, reprovara vorazmente, mas com o tempo acostumara-se com a idéia e, por amor a amiga, fizera-se cúmplice e depois, ajudadora dos dois.
Logo estava à porta de Margô batendo freneticamente – a esta altura já estava preocupado com o sumiço de Ângela – depois dos cumprimentos de rotina, Jonas perguntou de pronto sobre sua futura esposa, Margô certamente saberia aonde a outra se meteu.
Deparou-se então com um rosto um tanto sombrio. Margô que era geralmente expressiva e falante, sem dizer palavra, fez apenas um sinal para que Jonas esperasse e voltou-se para o interior da casa como que buscasse algo.
Jonas que não entendera bem o gesto aguardou impaciente o pouco tempo que se passou até que Margô retornasse com algo nas mãos.
Como que refletindo sobre as palavras que falaria, a mulher de olhos castanhos e vivos principiou:
- Eu achava melhor que ela tivesse te contado, a aconselhei, mas você sabe, ela nunca me ouve...Não me ouviu nem quando eu era contra o caso de vocês dois. Agora, está aqui, não queria ser eu a fazer isso, não me tenha por culpada assim como não fui pro falecido – que Deus o tenha – é devoção, devoção de amizade... Acho que você entende.
Não, Jonas não entendia.
Na verdade ele só ouvira a primeira frase “eu achava melhor que ela tivesse te contado” e então não entendera mais nada.
Margô, que percebia a estranheza da situação, depositou o papel dobrado nas mãos de Jonas e pediu pra que ele se sentasse.
Apenas com a testa franzida e a cabeça rodando, Jonas sentou-se e desdobrou rapidamente o papel.
Tratava-se de uma carta, a caligrafia ele bem conhecia, Ângela escrevera de seu próprio punho decerto.
Começou a ler.
O conteúdo era breve, seu impacto imensurável.
Posso resumir ao leitor curioso que Ângela não havia ido ao supermercado. Mas havia ido sim a algum lugar.
A verdade é que a viúva descrevia em poucas linhas o motivo de sua ausência naquela e nas demais tardes: mudara-se para outra cidade.
Não por necessidade ou contenda de qualquer tipo, mas por amor.
Ela amava.
E amava agora o jovem de 18 anos que conhecera alguns meses antes, logo após o falecimento do marido. Como ele era menor de idade, conteram-se a princípio de amar-se abertamente, mas agora, completada a idade em que os pais mais nada podem fazer, decidiram tomar uma posição: ir embora e casar-se, sim... Casamento! Vida nova em outra cidade.
Justificava que Jonas era homem bom e não era mentira que o havia amado. Mas depois de passado o tempo tórrido da paixão proibida, percebera que não era o homem com quem queria estar compromissada para todo o sempre.
Era amante fiel e dedicado, reconhecia os riscos que ele correra e o mal que ela própria estava fazendo ao comunicar-lhe tudo daquela forma. Não havia outro jeito, porém.
Sabia que Jonas não aceitaria estar sendo traído, mas aceitaria menos ainda ter sido abandonado. Pedia perdão e finalizava dizendo que conhecia o caráter excepcional daquele com quem convivera: ele usaria seu bom senso para seguir em frente, seguir a vida... Pois talvez fosse coisa do destino...
Era porque não tinha mesmo que ser... Restaria aceitar.
Percorreu os cômodos, mas não a encontrara.
Talvez tivesse saído... Não costumava sair àquela hora, principalmente às tardes como as daquele dia, Ângela sabia que ele viria vê-la.
Decidiu esperar. Não teria ido longe... Aquela ausência veio mesmo a calhar, ainda estava nervoso.
Sentou-se na ponta do sofá como só o fazem os ansiosos ou apressados.
Olhava as coisas ao redor, pensava...
Onde morariam depois do casamento? Gostava da casa de Ângela, familiarizara-se a ela com o tempo... Mesmo assim, preferia que fosse na sua casa, ele era mais organizado, tinha mais espaço e principalmente, seu imóvel não possuía nenhuma lembrança de velório.
Ângela concordaria. Nova vida, novos ares... Pelo menos para ela.
Passara-se vinte minutos e Jonas já girava menos a caixinha em suas mãos.
Afinal, aonde Ângela haveria de ter ido?
Pousou as alianças sobre o centro da sala. Esticar as pernas enquanto esperava não lhe parecia mal.
Caminhou um pouco... A princípio de forma meio oblíqua. Ocorreu-lhe então, perguntar à vizinha do lado direito, Margô, se sabia da Ângela.
Margô e Ângela eram amigas mesmo antes do reencontro do Jonas com o Jorge e do romance furtivo dele mesmo com a Ângela. Era a única pessoa que soubera dos encontros antes do falecimento de Jorge, reprovara vorazmente, mas com o tempo acostumara-se com a idéia e, por amor a amiga, fizera-se cúmplice e depois, ajudadora dos dois.
Logo estava à porta de Margô batendo freneticamente – a esta altura já estava preocupado com o sumiço de Ângela – depois dos cumprimentos de rotina, Jonas perguntou de pronto sobre sua futura esposa, Margô certamente saberia aonde a outra se meteu.
Deparou-se então com um rosto um tanto sombrio. Margô que era geralmente expressiva e falante, sem dizer palavra, fez apenas um sinal para que Jonas esperasse e voltou-se para o interior da casa como que buscasse algo.
Jonas que não entendera bem o gesto aguardou impaciente o pouco tempo que se passou até que Margô retornasse com algo nas mãos.
Como que refletindo sobre as palavras que falaria, a mulher de olhos castanhos e vivos principiou:
- Eu achava melhor que ela tivesse te contado, a aconselhei, mas você sabe, ela nunca me ouve...Não me ouviu nem quando eu era contra o caso de vocês dois. Agora, está aqui, não queria ser eu a fazer isso, não me tenha por culpada assim como não fui pro falecido – que Deus o tenha – é devoção, devoção de amizade... Acho que você entende.
Não, Jonas não entendia.
Na verdade ele só ouvira a primeira frase “eu achava melhor que ela tivesse te contado” e então não entendera mais nada.
Margô, que percebia a estranheza da situação, depositou o papel dobrado nas mãos de Jonas e pediu pra que ele se sentasse.
Apenas com a testa franzida e a cabeça rodando, Jonas sentou-se e desdobrou rapidamente o papel.
Tratava-se de uma carta, a caligrafia ele bem conhecia, Ângela escrevera de seu próprio punho decerto.
Começou a ler.
O conteúdo era breve, seu impacto imensurável.
Posso resumir ao leitor curioso que Ângela não havia ido ao supermercado. Mas havia ido sim a algum lugar.
A verdade é que a viúva descrevia em poucas linhas o motivo de sua ausência naquela e nas demais tardes: mudara-se para outra cidade.
Não por necessidade ou contenda de qualquer tipo, mas por amor.
Ela amava.
E amava agora o jovem de 18 anos que conhecera alguns meses antes, logo após o falecimento do marido. Como ele era menor de idade, conteram-se a princípio de amar-se abertamente, mas agora, completada a idade em que os pais mais nada podem fazer, decidiram tomar uma posição: ir embora e casar-se, sim... Casamento! Vida nova em outra cidade.
Justificava que Jonas era homem bom e não era mentira que o havia amado. Mas depois de passado o tempo tórrido da paixão proibida, percebera que não era o homem com quem queria estar compromissada para todo o sempre.
Era amante fiel e dedicado, reconhecia os riscos que ele correra e o mal que ela própria estava fazendo ao comunicar-lhe tudo daquela forma. Não havia outro jeito, porém.
Sabia que Jonas não aceitaria estar sendo traído, mas aceitaria menos ainda ter sido abandonado. Pedia perdão e finalizava dizendo que conhecia o caráter excepcional daquele com quem convivera: ele usaria seu bom senso para seguir em frente, seguir a vida... Pois talvez fosse coisa do destino...
Era porque não tinha mesmo que ser... Restaria aceitar.
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