22 de junho de 2009

Eu me desfolho

Postado por Keu Azevedo em 22.6.09 3 comentários

Tem dias que me sinto mastigada...
São dias de acordar e não tirar o pijama do cansaço... É nesses dias que gosto de escrever. Ao sabor do café que não bebo e sem saber no que resultará.

A verdade é que sou um opúsculo. Não há tanto o que se desvendar.
Poupe-me daquele viver malquerente de velha ranzinza que cria gatos.

Eu me desfolho um pouco mais a cada dia...
É o derretimento provocado pelo amor que recebemos que dissolve a ansiedade, a culpa... Qual a medida de amor você tem distribuído?

Eu não sei...

Minhas pétalas estão sendo arrancadas pela rotina
E há um quê conflituoso cada vez que penso...
Tenho me desfolhado.
Minhas camadas de filó não escondem mais minha vergonha.
Tenho vivido de recortes e é como se descortinassem desafios para estampar na minha cara a insegurança.
Hesitante...
Quero mudar, só não sei quais portas devo fechar ou abrir agora...
Por enquanto tenho permanecido na janela com esperança boba de que o mundo todo caiba naquela paisagem que vejo quadrada...
A paisagem me dá um sonho, e me vejo vestida de xadrez vermelho, cercada de bagagens.
Querendo peneirar todas as minhas pequenas questões,
Querendo a tranqüilidade fugidia,
Comendo no tapete e vivendo, enquanto tudo pega fogo ao meu redor.
Não estou só.
É como se eu fotografasse a tragédia enquanto as chamas crescem e o sofrimento se avoluma...
Mas se eu morrer as fotos também não serão consumidas?
E se o fogo devorar a carne dos que eu tanto quero registrar de que valerão as imagens?
Desperto cansada de procrastinar.
Já sem folhas, e temerosa porque sei que o inverno ainda não acabou.
Pego um papel e escrevo um bilhete com o lápis trêmulo entre os dedos:


“- Não sei se o que mais me assusta é a neve ou o fogo,
 mas eu saí... Ainda tem muita gente lá fora mais perdida do que eu. 
Pode ser que um dia eu volte.”

9 de junho de 2009

Delícias

Postado por Keu Azevedo em 9.6.09 7 comentários

Sobre cacos de vidro e brasa, eu danço.
Danço a dança da vida quando saio de casa todas as manhãs.
Vejo velhos nas ruas que de tão velhos não passam de crianças choronas...velhos que geralmente nem chegam aos trinta anos. Pessoas de plástico, de terno...Que querem sem lutar e só se aviam pelas instâncias mais altas...sigo com a minha mochila suja e laranja cheia de papéis rabiscados e objetos que me fazem sentir idiota.
Atravesso ruas como se quisesse sugá-las... De manhã as pessoas são mais desagradáveis: mau humoradas e com pressa, seguem pro emprego que não queriam, cumprir horas desgastantes na vida que não sonharam, vestidas como os outros lhe querem... e ainda me olham com cara feia... como se eu tivesse culpa!
Eu não, eu sigo os passinhos e os ladrilhos da calçada, me equilibro no meio fio, e quem sabe corro descalça... Pra espantar no vento minhas preocupações e fugir ao meu medo maior: tornar-me responsável e rabugenta como aquela gente que trabalha...
Acho que a maioria das pessoas toma café com jiló e dorme em cama de pregos...essa seria uma boa justificativa para tantos franzir de testa e solavancos... Se for assim, eu como sonhos e durmo em algodão felpudo. Não quero mais estar mal diante daquele solzinho que se espreguiça na minha frente, não quero desperdiçar os ares frescos desses meses em que não se tem muito pra contar...
Continuarei dobrando minhas pernas em qualquer banco, deitando pra olhar a copa das árvores e tomando sorvete quando não devo... O que torna as pessoas infelizes é a capacidade que elas tem de sozinhas descolorirem todo um dia.
Continuarei andando devagar, me deslumbrando com bobagens e tendo ataques repentinos de riso... Essas coisas simples que sustentam o esqueleto quando vem os dias de mau agouro.
Continuarei leve até que o céu desabe... Pois quando ele cair sobre mim, terei coisas fáceis, lindas e melódicas pra lembrar...Quem aprende o que deve conservar de si e dos outros, suporta cargas mais pesadas.
Quem aprende a parar e respirar... a ter um livro nas mãos, a ouvir sons despercebidos, sabe que quando tudo está cinza...é só pegar as canetas certas e pintar de novo!

6 de junho de 2009

Esperando o café

Postado por Keu Azevedo em 6.6.09 1 comentários

A minha manhã está se retorcendo, estica-se como um recém nascido que quer ocupar espaço no mundo.
Observo e gemo... É uma manhã fria de maio e meus dedos tremem no mesmo compasso que meus olhos piscam.
Dois pássaros discordam e cantam melodias contrárias: um mais repetitivo e sonoro, o outro berrante e desafiador. Sou como o primeiro porque o segundo me assusta.
São quase 8 horas. Os meus órgãos se comunicam e mandam recado:
“- desligue os sensores inúteis, hora de mecanizar! Eis que começa o teu dia e os deveres te espetam.“
Preciso ir...
Não há sol para que eu me despeça dele...só a brisa gelada e o cheiro travado das folhas.



Ps.: fiz isso há umas 2 semanas atrás... enquanto estava sentada esperando começarem as aulas [mas antes, o café] tudo isso na UEFS... A foto que coloquei é igualzinha a uma que tirei do meu celular e é a vista q tenho quando deito no banco pra descansar e olhar a copa das árvores entre uma aula e outra...
 

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