30 de abril de 2012

Escreva-me

Postado por Keu Azevedo em 30.4.12 2 comentários

'Por mais caloroso que possa parecer, 
linhas estas não pagam sequer um segundo 
da sua voz lambendo meu nome.'
(Gabito Nunes)


Eu que costumo escrever tanto sobre romancezinhos
hoje abriria mão das letras se pudesse.
Estou achando uma afronta vê-las enfileiradas e sonsas
encobrindo o quanto eu queria revirar o mundo até que você caísse no meu colo.
Eu não queria escrever hoje, eu não queria a por*** dessa minha caligrafia redonda,
ou essa letra grafite e sem graça que vai sendo cuspida à seco coração-teclado-PlanetaTerra, e não serve pra trazer tua cabeça pras minhas coxas, teu cheiro pra minha roupa, tua boca pra mim (à sua escolha).
Porque escrever é uma merda quando você é uma merda de mulherzinha
boa com as palavras... E ausente do que te inspira.
Daí eu começo a achar uma droga todos os livros, escritores, pichadores e qualquer pessoa alfabetizada que possa fazer qualquer menção a essa coisa de escrever.
O texto que eu quero interpretar é você. As fases bonitas que eu quero compor são no teu ouvido, as melhores sacadas eu quero ter é colada contigo. O romantismo que eu quero é o da tua mão passeando irrequieta em mim.
Estou farta de redações nota 10 sobre o quão doce é te ter. Acontece que não estou te tendo. E o tempo é que vem me comendo sem tempero ou preliminares.
Não vou fazer declarações, não vou digitar um palavra atrás da outra sobre os meus sentimentos mal equilibrados... Hoje eu sou só insensatez: não sei esperar, não quero saber de sílabas e adiamentos. Estou corrompendo o alfabeto com letras impronunciáveis, hieroglifando a escrita... Ao meu bel-prazer.
Eu quero uma página todinha em branco, amassada, úmida e barulhenta sob os nossos corpos amalgamados e mudos.

28 de abril de 2012

Ao Leãozinho

Postado por Keu Azevedo em 28.4.12 2 comentários
Texto para ser lido ao som de "O Leãozinho" na versão do Beirut


Dizem que a felicidade está nas pequenas coisas...
Mas não acho que seja pequeno o espaço que você (já) ocupa na minha vida e as coisas bonitas que você cultiva lá dentro.
Não acho que seja pequeno o bem que você me faz; 
nem pequeno o teu sorriso que faz do meu coração piloto de fórmula 1 e das minhas pernas gelatina.
Também não acho nada pequeno o mundo que existe dentro do teu abraço, 
onde quero sempre me esconder, porque das gostosuras todas, 
é uma delícia ser cercada pelos teus braços e deixar teu peito ser meu lar.
Não acho pequenos os beijos teus, 
nem as histórias todas que tua língua conta pra minha enquanto a gente se entrega num querer mudo.
Não acho pequeno teu telefonema doce pra me dar bom dia (cedo mesmo nos dias folga)
e tua voz me despertando aos poucos enquanto você fala um monte de lindezas 
que eu finjo não levar a sério.
Não são pequenas as nossas conversas longas, nossas risadas imbecis e nossas provocações mútuas.
Não são pequenos os nossos planos
(os seus bem melhores que os meus, os meus geralmente tecidos pra disfarçar o quanto também quero os seus), as nossas dissonâncias (quem não tem?) e a nossa necessidade um do outro.
Não pode ser pequeno, não dá. 
Meu peito ainda aquece cada vez que tua plaquinha sobe no msn, 
meu risinho bobo ainda lampeja cada vez que um sms teu aparece no meu celular,
e eu penso em você quando acordo, quando vou dormir e no intervalo entre ambos.
Não são pequenos os teus mimos comigo nem meu cuidado contigo...
É tudo muito grande, proporcional à minha felicidade.
Então eu tô me preparando pra reencontrar em você as palavras bonitas que minha língua não encontra sozinha, o olhar que meu olhar gosta tanto de ver que se perde, o abraço que preenche o meu abraço de dentro pra fora, o beijo que faz o japão vir parar no meu quintal e a minha alma percorrer o corpo todo eletrizando da cutícula mais fina às minhas pontas duplas...
Eu te amo sem complementos. Você é meu verbo intransitivo: posso até te florear, mas precisar mesmo, você não precisa de mais nada.
Pequenos são só esses meses diante de tudo que a gente ainda vai viver.

9 de abril de 2012

Tu é o meu cuidado

Postado por Keu Azevedo em 9.4.12 4 comentários

Texto para ser lido ao som de  'Adeus
de Móveis Coloniais de Acaju 
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qGkCHtEitp4#! 


Talvez eu só precisasse atravessar o Atlântico pra ter coragem de pular 
o degrau diminuto que me separava de você.
A gente não teve um encontro bonito ou se trombou num corredor, 
a gente se achou enquanto tentava arrumar a própria bagunça...
E de leve a gente foi se querendo, sem saber quem quis primeiro...
E a gente tem se tocado por dentro e por fora: é que a gente se tem à mão e ao peito. Mexe na alma, mexe na vida.
Tá sendo bonito. 
Tá tendo gosto de cobertura na ponta do dedo: sabor na ponta língua, riso na boca do tempo.
Mas não é simples. 
Eu acordo todos os dias imaginando como seria acordar todos os dias ao seu lado.
Porque uma parte de mim é saudade e a outra é desejo. 
E só a tua presença sanaria as duas.
Assim, nem tão de vez em quando, você é tudo que eu mais quero ter.
Eu falava de você como se você existisse. 
Eu pensava em você como se você existisse. 
Até que eu te achei existindo lá fora...
Eu me preocupo se você dormiu bem, se teve um sono tranquilo.
Se mesmo depois de um dia tenso pode deitar com uma ponta de paz.
Eu me preocupo se teve bons sonhos, se chegou ao estágio mais profundo do sono;
me preocupo se estava confortável, se não sentiu frio ou ficou incomodado com o calor... Eu me preocupo meio mãe, meio amada... 
Eu me preocupo se teu descanso foi suficiente pra que você possa acordar 
com o sorriso que eu adoro e a carinha amassada.
Eu me preocupo se boceja muito, se ficou insone.
Eu me preocupo com o teu repousar de pálpebras a noite e teu abrir lento de olhos pela manhã, desejando que ambos sejam regados de fé.
Eu me preocupo tanto porque não posso te dar o meu abraço antes, 
durante e depois do sono.
Porque ainda não podemos ser travesseiro um do outro, porque não posso repousar a tua cabeça no meu colo pra garantir que não sentirá falta de nada. 
Eu me preocupo porque também eu não posso deitar no teu peito 
e ouvir tua respiração e batimentos irem acalmando até que eu tenha certeza que meu maior sonho já dorme.
E toda essa preocupação só vai acabar quando eu puder me certificar pessoalmente
de que você começa e termina todos os dias (bem) ao meu lado.
E que eu possa te dar o primeiro e último beijo do dia pra sempre.


 "Refaço os meus planos 
pra rimar com os seus; 
(...)                 
Eu trago os meus sonhos 
pra somar aos seus..." 
- Móveis Coloniais de Acaju.

 

...Toda Querança... Template by Ipietoon Blogger Template | Gift Idea