27 de dezembro de 2008

Calma, tempo e certeza

Postado por Keu Azevedo em 27.12.08 5 comentários
Como mentir diante das evidências?
Meus brinquedos já não brincam mais comigo,
Minha lupa desbotada, não amplia nada... Disseca.
O elástico que eu pulava agora me enlaça,
As bonecas são tão levianas que me irritam.

De que preciso?
- De calma, de tempo, de certeza.

As borboletas me dão medo,
São meu futuro que ainda desconheço.
Os fogos me assustam:
São rugidos passageiros,
Brilho efêmero que em mim desfalece.

Não sei se amanhã levantarei,
Se colocarei os pés no chão frio
E me arrastarei até a pia...
Não sei.

As minhas reservas são de cobre,
E os meus bens são corrosivos:
Corroem a mim e a tudo quanto sou.
Mas não consigo me livrar deles,
São a maconha do meu ego.

De que preciso?
- De calma, de tempo, de certeza.

A terra me chama pra miudeza
Mas o dia me mostra o sol.
O homem me quer ferino,
Mas a noite me amolece...

Se eu ao menos tivesse um alicerce...
Quereria menos o que não me cabe,
E mais o que me pertence.

Tento me tranqüilizar,
Mas a tranqüilidade é escorregadia pros temperamentais.
Tento esperar,
Mas esperança é veneno paliativo pros ansiosos,
Então, me apego à única certeza que tenho:
- A verdade é realmente uma só.

24 de dezembro de 2008

espírito natalino?

Postado por Keu Azevedo em 24.12.08 2 comentários

Que espírito mais fantasioso é esse que possui as pessoas nessa época do ano?
É o espírito da culpa de um ano inteiro disfarçado de bondade, é uma melancoliazinha oportunista que só faz acentuar as desigualdades.
Não estou dizendo que sou contra doações de qualquer tipo, pelo contrário, sou muito a favor... Só que as pessoas não tem fome, frio e outras necessidades apenas em dezembro. Se tem que fazer, que ser “bonzinho”... Seja o ano inteiro oras! Até a própria ideologia patética do papai Noel prega isso: “se você for um bom menino(a) durante O ANO...”
Acho que esse espírito manifesta-se numa ideologia de descarrego: fui sacana com meus familiares o ano todo, vou convidá-los para uma ceia (afinal Natal é tempo de reconciliação); fui ditador o ano todo com os meus funcionários, simples: dou-lhes uma cestinha com panetone e um bônus de qualquer coisa, está resolvido! (Natal é época de perdoar, eles o farão); Soneguei impostos, neguei comida, fui avarento, mesquinho... Solução: Faço umas cestas básicas e distribuo pros famintos, coitadinhos os que não têm o que comer... Ooohhhh!
Que bizarro!
Não estou generalizando, ainda acredito em pessoas de coração reto. Esses sim dão esmolas (é, esmola mesmo, pra mim nem sempre é pejorativo) quando ninguém está vendo, ajudam sem querer retorno nem mesmo de Deus, servem com gratidão e ninguém entende.
Esses alimentam antes seus vizinhos que precisam, e não esperam apenas uma tragédia em outro estado pra se sentir compadecidinhos da silva. Esses conseguem enxergar nas crianças negras, catarrentas e sujas, magras, com deficiências físicas ou mentais aquele próximo de que Jesus falou.
Então será que basta cantar os jingol’s da rede globo: “Hoje é um novo dia, de um novo tempo...”, ficar choramingando com os episódios especiais de seriados, novelas, com os filmes feitos sobre isso (afinal, eles sempre têm uma mensagem tão linda!) e depois desligar a TV e ir se esbaldar de peru Sadia? Grande ensinamento, grande comoção!
Não é teu R$ 5,00 doado pro Criança esperança ou pro Teleton que te fazem melhor!
Chega dessa hipocrisia! Entende que você não precisa fingir?!
Compra mesmo tua roupa no shopping, sai pra encher a cara com os amigos [depois do amigo secreto da família né?! Aquele em que todo mundo repete as mesmas características na hora de entregar o presente comprado – às vezes pra alguém que você não está nem aí – do tipo: “o meu amigo secreto é uma pessoa muito alegre...” (^^) Fala sério.] dance, beije e curta... Que se danem de uma vez os outros, correto?!
Mas pra você que não vai conseguir ver todas aquelas luzes na rua e não lembrar daquela mãe que perdeu seu filho com um tiro na nuca, (independente se ele era culpado ou não, era filho, FILHO), dos que estão lá na África agonizando por conta de malária por exemplo, dos moradores do seu bairro que dormirão antes da meia-noite morrendo de fome.
Não quero te comover, nem eu sei o que posso mesmo fazer entende...?
Mas tá doendo tanto em mim, tanto mesmo... De saber que enquanto eu vou estar feliz com os meus amigos, que vou dormir na minha cama fofinha com meus ursinhos: Tom, Alegra, Eva, Muniz e Crespo (são os 5 nomes deles msm), tem gente de carne e osso sem mais um fio de esperança... Gente sofrendo, lamentando ou praguejando por essa merda toda espalhada no mundo...
Eu só não quero estar insensível. Só eu sei o quanto pesa e me fere, o quanto eu quero fazer alguma coisa... Mas não sei. Todo o meu conhecimento em Literatura ou o seu talento pra fazer qualquer coisa não tem proveito se for baseado em egoísmo.
Por isso detesto esse espírito natalino falso, tão medíocre, tão fútil... Eu não posso solucionar tudo, não posso consolar uma pessoa sequer que perdeu sua casa e seus parentes em SC ou em qualquer outro lugar. Mas eu posso dispor de um pouco de mim: de dinheiro, de comida, de tempo e dedicação sinceros se eu não possuir os anteriores, e posso fazer algo de bom em prol de unzinho, um.
Então eu deixo aqui o recado: pelo menos um. Eu não posso saciar a fome do mundo, curar todos os enfermos, abrigar, cuidar e trabalhar por todos. Mas posso começar com UM, dois... Indignar-se apenas não basta, chorar apenas também não.
Menos espiritismo, mais ação.
O que você vai fazer nesse Natal?



Ps.: esse post é bem duro e doloroso pra mim. É justamente o que penso... Essa raiva, esse desejo... Eu literalmente escrevi chorando, porque como diz Ane (uma amiga): “cada um anda conforme a medida de luz que recebe” eu recebi luz até aqui, e essa luz tem me motivado, me impelido a andar...
Desculpem o radicalismo e mais uma vez o excesso de emoção nessas linhas, mas eu sou assim.

UM FELIZ NATAL! Lembrem-se: pelo menos um.

21 de dezembro de 2008

Comemorando: férias, férias, férias!

Postado por Keu Azevedo em 21.12.08 4 comentários

E depois de uma verdadeira Odisséia, finalmente chegaram as férias!
Caramba! Eu já tava pra pedir arrego!
Agora exponho aqui os meus planos miraculosos: primeiro, lógico, pretendo dormir horrores! Depois comer tudo que tenho direito em porções abundantes, (dessa vez supero meus 49/50 kg), ler coisas que eu tava com vontade e não podia (inclusive Guimarães Rosa), dormir mais um pouco, comer mais um pouco, ficar na net, sair qdo tiver realmente algo interessante, comer mais, dormir mais... Assistir muitoooooos filmes (aiiii! Mal posso esperar!), ocasionalmente resenhar com a galera (não pode faltar claro), e... Eu já falei que pretendo dormir e comer bastante?!
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Pode parecer tosco pessoal, mas minha alimentação é péssima durante o período letivo: vivo de lanches, frituras, refrigerante e nem sempre almoço ou tomo café direito... (pensando bem naquelas guloseimas... não é tão ruim assim! Hehehehe) já as horas de sono são mesmo escassas, às vezes durmo apenas 3 horas e saio pra correria do dia seguinte como se nada tivesse acontecido. Isso me deixa exausta... Fora o cansaço mental e o stress com trab e UEFS... Não estou necessariamente reclamando, agradeço a Deus por ter um trabalho e um curso pelo qual sou apaixonada, mas peraê né fio?! Preciso de momentos de vegetal de vez em quando.
Então, se quiser falar comigo: mande um e-mail, um sms, telefone, deixe um scrap, comente no blog, entre no MSN, aceito até carta pelo correio (eu amo cartas), ou faça ainda melhor: venha me visitar! Desde que seja depois das 10:00 am.
Estarei em casa ou por ai... Aproveitando com muito juízo esses dias de mangue, que só cessarão em fevereiro de 2009.
Um super-hiper-ultra-mega-blaster abraço para os Raros que visitam esse humilde blog e podem acompanhar minhas fases através desses escritos aqui. Os posts não acabaram e serão um pouquinho mais freqüentes agora – tempo vadio gera reflexão que gera texto que gera post.
Tô preparando um sobre esse tal de “espírito natalino”... Lá ele! Kkkkk
XerO e vamo “reguear”! Uhuuu!



Ps.: Segundo o meu decreto de férias está terminantemente proibido estudar qualquer coisa, fazer algo forçoso e enfadonho, e o mais importante: nada de exercício físico, eu precisaria de mais 2 meses de férias pra me recuperar...Viva o Garfield! rsrs

Ps.2:Sou esquisita mesmo: não gosto de praia! A imagem desse post é a cara das minhas férias ideais...Adicione ai algumas árvores pra descansar (ou ler) em baixo. rsrs

Ps.3: Nem tudo é esculhambação e resenha também... Tô bolando um jeito de fazer algo pros outros. Quem lê o que ponho aqui sabe que apesar desse tom constante de “não levar tão a sério”, sou muito incomodada com o que acontece ao meu redor... Não é uma questão de caridade, solidariedade...blábláblá. É questão de dever, de chamado, de ministração de AMOR.
Isso não é meramente opcional. Vamo vê aí.

19 de dezembro de 2008

Um começo

Postado por Keu Azevedo em 19.12.08 4 comentários


Eram classicamente onze horas.
Nina olhava a janela entreaberta com um misto de temor e orgulho ferido.
O que fazer agora?
Suas mãos suadas deslizavam enquanto ela as esfregava, piscava aceleradamente, mas seu coração tinha um compasso estranhamente lento, compasso fúnebre...
Em breve Sinho chegaria, sempre o mesmo Sinho.
Ela estava sozinha em casa, sozinha na rua, talvez sozinha pra sempre.
Mais umas três piscadelas nervosas... Tão diferentes das que costumava esbanjar noutras noites.
O ponteiro dos segundos se remexe com desdém, ri de Nina, de sua cara opaca e seu cabelo tingido.

Onze e cinco.
Nina sente um torcicolo, torcicolo inventado pela massa cefálica angustiada.
O que fazer?
Esse Sinho que não chega... Mas e se chegar? O que fazer?
Nenhuma resposta, apenas uma chave girada com barulho discreto.
Era a Marta, o que se pode convencionalmente chamar de amiga.
Olha Nina com aquele olhar de reprovação, olhar de mãe quando filho quebra o vaso da estante, olhar de torcedor quando o atacante perde aquele gol feito.
- Marta... (começa a moça ao ver a amiga)
- Então você finalmente apareceu.
- Marta...
- Você não me deve explicações Nina (interrompeu a outra)
- Mas eu quero, eu preciso te dizer...
- Não, não precisa. Na verdade você não tem a mínima noção do que realmente precisa agora.
Marta não era do tipo inteligente, mas sabia ser austera quando necessário.
Nina suspira e fecha as pálpebras já cansadas de subir e descer tantas vezes.
A amiga continua:
- O Sinho...
Desta vez é Nina que interrompe, como que arrancada de um devaneio precipita-se até Marta:
- Eu ainda não contei a ele.
- Ele tem que saber, é grave, penso que dessa vez ele não te perdoa.
- Não digo, então.
- Não cometa mais uma burrada, pense no casamento... Você viveria com esse peso?
- Todos os casais tem segredos.
- Mas nem todas as esposas matam.
- Eu não ma...
Não pode completar, alguém batia na porta... Talvez fosse Sinho...
Se ainda fosse possível piorar, Marta perceberia que Nina empalideceu.
- Nina, vou para cozinha, vocês precisam conversar...
- O que eu faço? Interrogou sentindo as garras frias do desespero lhe arranhar as costas.
- Faça agora o mínimo, diante da tolice que você já fez.

Onze e dez.
Mais batidas, mais força, mais som... Agora uma voz que lhe evocava.
- Nina! Nina! Ninaaa!
Era o Sinho, sempre o mesmo Sinho.
Nina agora febril, queria estar em outro lugar, de outro jeito, com outras confissões. Arrastou-se como pode, sua nuca doía e seus dedos estavam dormentes.
Abre a porta.
- Onde você estava? ... Nossa! Levou tanto tempo pra abrir que eu achei que já tinha dormido... Você me ligou tão esquisita, fiquei preocupado.
Discursava Sinho enquanto entrava.
Nina nem tentou esboçar sombra de sorriso. Para ela era frio o ar, fria a hora, frio aquele homem moreno e magro que estava diante dela.
Sinho era mais jovem do que aparentava, o tipo de homem falante e sério, sempre de barba bem feita, sempre disposto a ajudar, sempre bom camarada, sempre o mesmo Sinho.
- O que você tem? Parece que viu assombração... Você some por quase uma semana e volta ainda mais pálida... Não me diga que tá fazendo aqueles regimes malucos de novo...
Sinho quer tocá-la, mas Nina se esquiva. Como cobra na areia quente do deserto, ela desliza tonta, esgueirada.
- Confesso que esperava recepção um pouco melhor.
Resmunga ele enquanto senta, muda então o tom.
- Você não vai me dizer o que tem? Porque sumiu, não telefonou, nem avisou que ia viajar...?
Respira, ajeita-se no sofá e continua:
- Estou tentando ser mais tolerante com você. Sei que precisa de espaço, de seus amigos, suas coisas... Mas não posso fechar os olhos pra tudo que você faz...
Nina que procurava forças para sentar-se também, ergue os olhos como que ordenando-os a esclarecer tudo, a ser língua.
Passa a mão pela testa, sua franja agora está úmida.
Senta-se sem um ruído sequer. Sinho se aproxima.
- Nina, não quero agir como um insensato, mas preciso que me diga a verdade.
Era difícil para ele perguntar.
- Você não... Digo, você não... Você andou fumando?
Estava dito.
Nina que respirava mal, agora hesitava mais ainda... Apenas sacudiu a cabeça negativamente.
- Minha querida!
Dissera Sinho enquanto abraçava a moça.
-Tenho medo de te perder, tenho medo que aquele fantasma volte a nos rondar... Quero você pra mim Nina, por toda a vida, entende? Pelo resto da minha vida, entende?
Nina não exprimia reação alguma, doía-lhe a alma, comprimia-lhe todo aquele afeto.
- Eu te amo... Perdoe-me por duvidar, eu... (não pudera completar, fora traído por sua própria emoção).

Onze e vinte.
Aquilo já era demais.
Nina sentia gosto de fel enquanto cólicas faziam-na robótica. Mas era hora de acabar com tudo. Não suportaria muito mais.
- Sinho...
Começou num balbucio.
O apaixonado então se afastou um pouco, precisava contemplá-la enquanto ela falava.
- Eu...
As palavras eram como facas, navalhas afiadas que rasgavam-na desde as amídalas... Era mais que doloroso falar, era agonizante.
Foi Sinho que encorajou:
- O que são três ou quatro dias diante de uma vida juntos? Olha, o que você fez... Eu posso perd...
- Não... Não! (Grunhiu ela)
- Você não sabe... (Nina tentava, mas os cantos de seus lábios já bebiam lágrimas quentes)
- Então me diga (implorou aflito o rapaz)
- Eu matei ele Sinho... Eu matei... Eu matei e depois o vi...
Eram agora em tom de delírio suas palavras.
- Eu não sentia, mas eu o vi... Matei e matei o nosso sonho também... Eu tive medo, medo, medo... De tantas coisas... Eu não podia te contar, eu...
Soluçava, sua voz esvaia-se e seus lábios tremiam em sincronismo com todo o seu corpo.
O noivo que nada compreendia, na tentativa de acalmá-la a tomou para si...
Nina agora dizia coisas sem sentido. Estava enferma deveras.
Sinho atordoado quis reanimá-la, mas notou quão espesso era o borrão de sangue que envolvia suas coxas...
Sangrava e gemia.

Onze e vinte e cinco.
Um grito de pavor foi ouvido do outro cômodo. Marta em segundos estava ali, Sinho mal conseguia falar...

Onze e trinta e dois.
Era Marta que dirigia.
Quase meia-noite, pista limpa.
Estariam logo no hospital.
Sinho estático com a amada no colo; fora de si; enfurnado num pesadelo, não se movia.

Três e trinta e cinco da madrugada.
O médico aparece.
O que aconteceu? Marta sabia. Sinho temia.
Hemorragia, disse o médico.
Os olhos do noivo só não saltavam mais que seu coração.
Aborto clandestino, um perigo. Prosseguia o profissional.
Quatro meses, ela confessou.

Marta baixou a cabeça.
Sinho contra vontade anuviou o olhar.

Já pode entrar, a moça descansa, finalizou o médico.

Três e quarenta e sete.
Marta pega o casaco e vai em direção ao corredor...
Sinho não se mexe.
- Você não vem? Pergunta.
E pela primeira vez na vida Sinho responde como homem:
- Não.

17 de dezembro de 2008

Eis um fim

Postado por Keu Azevedo em 17.12.08 3 comentários






Parafraseando Drummond em sua poesia ENLEIO (uma das mais lindas que já li na vida): “que é que eu vou dizer a vocês?”
Chegou o fim pra mim, o fim de um ciclo que como os anéis de uma árvore, estará sempre intrínseco em mim, dizendo sobre minha história: Hoje, oficialmente, comuniquei a minha saída do Viv’art o ministério de teatro.
Os porquês? Não interessam agora, mas posso dizer que não foi fácil tomar essa decisão, é um grupo que amo... E confesso que meu coração respinga sangue, mas estou feliz, doeu, mas era necessário.
Não tenho muito a dizer aqui nesse post, prefiro reviver os momentos sozinha, arrepiar-me sozinha, mas queria dividir esse momento de alguma forma. Aos que lerem isso, apenas orem por mim, ainda quero encontrar meu caminho...
Deixo meus agradecimentos e minhas lágrimas, a esse grupo que foi minha casa, meu apoio, minha escola...
Por todos os trocadilhos que só quem é de lá saca: “SORRATEIRAMENTE!” “E TU, TE VERÁS COMIGO!” “ÉS TU JUDEU BRÁS?!” “E AÍ MESERÊ?!” e tantos outros...
Por sentar naquele carpete azul marinho e sortear a “oração da semana”;
Por rir demais nas horas que não deveríamos; pela vigília; pelos momentos de clamor; pelas garfes (eu me saía bem nesse quesito); pela renúncia (ai meu cd... Essa foi bem no início); pelas faxinas (só a gente aparecia mesmo...); pelos ensaios (ok, eu nem queria ministrar QUEM mesmo! rsrs); pelos líderes (Geisiel e Laércio... Prefiro num comentar); pelas balas, atuns, chicletes etc. de Elaine (sem mim, surge a questão: de quem será a primícia agora?); pelo silêncio de Mila; a euforia de Geisiel, a afobação e o biquinho de Elaine (cuidem bem dela tá bom?! Eu não vou estar ai pra traduzir qdo ninguém entender o que ela fala rápido demais); pela abundância de idéias de Junior; pelas caras, bocas e chiliques de Ane (huahuahau e a balada vindo...); pelos alongamentos “do meu ódio” (kkkkkk); pelas participações de Serginho, Orlando, Everton, Léo...
Pelas maquiagens (a minha sempre tinha algo de diferente, eu sempre reclamava hehehe); pelos evangelismos (efatar!); pelas ceias (ai já to com saudades de pegar o maior pedaço de pão...); de tirar fotos (...); por Taty sempre humilhando quando dança, por Neide implicando pra não ser “a sensual” de novo; por Márcio de quebra-galhos tão disposto tadinho... E até por Nelson indo orar junto c/ a gente com aquela mãozinha gelada que só! (ô varoinha.... Como é que dih?!).
Sentirei falta de tanta coisa... [deixei de pôr muita coisa aqui, ia ficar grande demais e ainda não caberia nesse post]
Mas a vida segue em frente...

Terminando sem final, digo:
VIVA’RT, amo vc’s!


Ps.: Caberiam aqui umas mil fts (e fts é o que não nos faltam, mas escolhi apenas 3 representativas: a terceira, o papel que sem dúvida mais interpretei - a fome, na peça IDENTIFICAÇÃO que tb já fiz com umas trocentas maquiagens diferentes (aquela cara feia é pq estou em cena viu gente?! kkk) - A segunda foto, a última ministração que fiz - a peça infantil ALEGRIA... (após a peça, na coxia)
E a que tem a pior qualidade ali (embora ainda estejam ausentes Laércio sensei e Mila - foi após um ensaio, todo mundo melequento, grudento de suor huahuahua) é muito "a cara" do grupo: Geisiel plantando bananeira, Elaine um doce enqto sustenta Ane na sola dos pés, Ane se equilibrando, Taty escalando, Neide fzdo ponte e eu fzdo nada, só deitadinha...rsrs

Ps.2:Não pus uma do ministério inteiro pq não achei uma em que estivessem realmente todos!
Ps.3: Nunca ponho ft minha no blog e qdo boto olha só o tipo: hahaha ôô DERROTA!

bjusssss*

13 de dezembro de 2008

Durma medo meu...

Postado por Keu Azevedo em 13.12.08 3 comentários

Temer? Todo medo é um sobretudo no cabide. É uma teoria minha...
Acredito que as maiores frustrações ainda vêm por medo, pelas múltiplas formas do medo. Seja o medo de que trata Mário Quintana “que paralisa e gela”, o medo de si mesmo, a insegurança que gera o medo, o medo do desconhecido, as fobias, as dores medrosas, o imaginário que amedronta, o medo de quem não sabe que teme.
Todo medo tem um
QUE de infantil.
É o medo das noites sozinho no quarto, o medo dos relâmpagos que nos fotografam através da janela, o medo dos monstros que provavelmente morrem de medo de nós.
É o medo do escuro, o medo do medo, o medo inexplicavelmente bobo, o medo centopédico que quer nos abraçar...

Todo medo é sobretudo no cabide.
Explico: a criança assustada que tenta dormir, olha em volta confusa, desconhece os móveis do próprio quarto quando teme os fantasmas criados pelos desenhos animados que assistiu. Agora, qualquer coisa pode ser um monstro horripilante, agora, o medo assenhora-se da situação e não há exemplo mais clássico de que nem tudo é o que aparenta ser.
O petiz olha, descobre o rosto por um único momento: (momento de horror suficiente) e lá está o seu Freddy Krueguer particular, seu psicopata invencível, sua criptonita... O mais engraçado é que o raciocínio lógico e o medo não são irmanados. O medo parte de algo concreto para a abstração, o raciocínio lógico trilha o caminho inverso.

Nós, crianças agudas, esperneamos, pedimos socorro, ou apenas permanecemos ali, estáticos... Saboreando o gosto gélido do medo.
O que era objeto assume formas perversas, o pífio transforma-se em terror.
Instala-se o colapso.
Mas então... O que acontece?
Nada demais: as luzes se ascendem.
A criança nota que não passava de um sobretudo, um casaco comum que repousava no cabide.
Inacreditável!
Pobre petiz, pobre de nós.
Todos os dias somos invadidos por medos, por situações incompreensivelmente amedrontadoras... Cedemos ao confabular, ao por um lápis nas mãos da nossa mente cansada e infectada, e deixar que ela desenhe a figura que enfrentaremos... Nossa mente tem uma queda pelo trash, com certeza será apelativa em sua caricatura, tende sempre para o mal.
Mas há um momento em que as luzes se ascendem.

Sempre há.
E só então podemos perceber o quanto fomos ingênuos, pois todo aquele medo não passava de um medo ridículo de um sobretudo pendurado no cabide.
Por isso digo: o que torna seu medo invencível são as luzes apagadas.
TODO MEDO É SOBRETUDO NO CABIDE.



Ps.: O título deste post é o nome de uma música linda de O Teatro Mágico. Essa música e uma conversa no MSN me deram a idéia de falar sobre isso [vale super à pena ouvir a música, voz e violão é perfeita... O T.M sempre arrasa!]

12 de dezembro de 2008

Lembranças

Postado por Keu Azevedo em 12.12.08 4 comentários


Lembranças são tão palpáveis que tenho medo de lembrar de lembrá-las, pois certamente as tomarei como travesseiro.
Lembro-me muito do meu pai.

De seus hábitos distintos, de seus chapéus como que saídos de um Brasil provinciano...
Lembro-me dele debruçado sobre o engenho, olhando pra nada, cantarolando umas músicas doces e totalmente desconhecidas pra mim. Sinto saudade daquele cheiro de café, do vício dele em café... Das poesias que ele recitava pra mim... É, ele recitava mesmo e sabia muitas...Eu não entendia quase nada, mas como achava bonito o som das rimas!

Sempre cheio de umas adivinhações bobas que eu nunca conseguia resolver, sempre cheio de histórias de sua infância na década de 20.
Recordo quando em algumas tardes deitávamos no chão frio da sala, cada um com seu travesseiro... Às vezes ele cochilava, às vezes nós dois... Mas se ele não dormisse, eu nunca dormia.

Lembro graciosamente da sua “percata” de couro e a mania de chamar vermelho de encarnado. Do seu machismo agudo, interesse além da conta pelo mulheril, e principalmente a mal disfarçada preferência que tinha por mim... Que saudade dos infinitos mimos, dos gostos mais abusados que ele sempre saciava (dos chocolates de embalagem azul, não lembro o nome, mas que ele sempre me dava).Daquele peito já cheio de cabelos brancos, das pontas dos dedos amareladas pelos cigarros através dos anos.

Lembro-me dos presentes trazidos das viagens que ele fazia: estojo de maquiagem, uma saia rodada, uma bolsa vermelha que eu amava (e cá pra nós, era horrível) coisas pro cabelo... E se fosse viajem menos demorada, sempre trazia algo de comer (sabia bem de meu apetite!). Teve também a viagem que fizemos juntos, só nós dois... Era à casa de um antigo amigo (para Barra de Pojuca), eu lembro que foi a última vez que bebi água de coco, não gosto mais. O amigo me tratou como boneca, o meu pai me tratou como princesa (reinei no mundo dos doces, das baianinhas – só quem já tomou entende – e dos picolés...) talvez eu o fosse pelo menos pra ele; e eu nem sabia o motivo da viagem.

Eram pouquíssimas mas sérias as broncas, eram grandes os ensinamentos.
Acho que meu pai me ensinou a rir: com suas intermináveis peripécias narradas com riqueza de detalhes, eu descobria sobre o Recife em que nunca estive, o Recife das décadas de 30, 40, 50... Eu também não sabia o que era o medo de tiros que o fazia esconder-se embaixo da cama, não sabia qual a importância de ter uma sandália feita de pneu e ficar orgulhoso, não sabia o que era morar num sítio e até matar cobras...
Mas ele me falava sobre isso.

Eu ouvia tudo com o interesse de um historiador, com a paciência de um filólogo e os olhos de uma criança, o que de fato eu era.
Hoje quando as pessoas me perguntam, encho o peito e digo que SOU A CAÇULA DE SEU ZÉ.
A menina que ele não gostava que saísse, aquela criaturinha magrela demais que ele paparicava. Conhecido por todo mundo: pela paciência, pela “mão aberta” (até demais) e por ser um homem que casou com uma mulher mais de trinta anos mais nova... A minha mãe. Um pernambucano literalmente “das antiga”, que nunca usava bermuda, que era totalmente homofóbico, que tinha o mesmo ofício que o José, pai de Jesus.

Apaixonado por Xitãozinho e Xororó, Sérgio Reis, Nelson Gonçalves, Valdick Soriano e infinitas músicas de raiz (sem falar nos repentes, ele amava repentes). Um homem que chorava ouvindo Jair Rodrigues cantar, que chorou no enterro de Leandro (da dupla Leandro & Leonardo) e que não admitia que meu irmão deixasse o cabelo crescer.

Um homem que sofreu durante anos com asma, que tinha rinite alérgica (puxei a ele) e úlcera, mas nunca ouvi reclamar, nunca (detestava hospitais e médicos mais ainda)... Sofria calado entre buchichos com minha mãe e gemidos à noite.
Homem que só comia com tudo separadinho, garfo e faca e reclamava sempre de algum detalhe. Homem que de vez em quando saía só pra caminhar, sozinho... E que eu amava tanto pela atenção que me dava. Ele fez basicamente o que nenhum ser humano jamais fez até hoje: me ouviu, me deu crédito, dedicou tempo à mim.

É isso que o diferencia de todos, até da minha mãe (minha pérola).
Hoje já não choro mais... Embora fuja a essa regra agora (...)
Pois não é a lembrança do último dia que o vi... Rouco, mais magro, cansado e como se soubesse o que iria acontecer...

Não é a lembrança na hora em que tomada de medo, lhe “dei a bença” a última vez... Aquela mão já meio sem vida, o peito que respirava ofegante. Eu tinha apenas 9 anos, mas quando papai morreu (é, eu o chamava e chamo assim até hoje) eu sabia que alguma coisa nunca mais voltaria.





Ps.: perdoem a pieguice do texto, mas é o retrato que conservo de meu pai... Ele não sobreviveu até a minha adolescência, por isso nunca deixou de ser o meu super-herói.
Ps.2: Papai usava um chapéu igualzinho a esse e tinha um marrom também...Acredite quem quiser, relembre quem viu.

10 de dezembro de 2008

Algum verso

Postado por Keu Azevedo em 10.12.08 3 comentários

Vai letra minha,
Sorte minha
Pensamento meu.

Diz meu particular
Minha falta,
E bem-querança...

Pede verso meu
De um intento,
De gota frouxa
Em bolinha de sabão.

Corre coração bandido
Pincela na veia
Um sopro de susto,
Um copo bordado,
Um pouquinho de frio.

Pensa em prosa adoçada
Em tarde na praia
Em rostos, em ninho.

E me diz disso tudo...

O que permanece?

Fica no colarinho da memória
Aquela mancha suada
Que custa a sair...

Fica o papel amarelado,
De tanto guardado,
De promessa e amor.

Fica a cicatriz descascada,
A face rosada
E o arrepio que não volta mais...

Fica a minha tentativa
Também numa folha esquecida
Em meu desejo selado.



Ps.: tenho sérios problemas em fazer rimas...(por isso não tem ai) elas me tolhem.

6 de dezembro de 2008

Setembrina Marguerita

Postado por Keu Azevedo em 6.12.08 5 comentários


Acho que era uma vez...
Ou duas, ou três... Enfim: fragmentos em que nossa protagonista vadiava pra nos dar história.
Seu nome era Setembrina Marguerita: não um nome de batismo, (moça assim num se batiza) o Setembrina era de nascença e o Marguerita, apelido carinhoso que a custo de rebolado e bebedeira seus amigos coloridinhos lhe deram.
Mulher de fazer mancebo babar sem custo, moça de fazer homem-feito cumprir a gosto hora extra pelo menos duas vezes na semana.
Quando era criança Marguerita já deixava pivete frouxo: se banhava na bacia os moleques mais maldosos corriam pra ver não se sabe o que; se pedia um chiclete eram balinhas pro mês inteiro que levava pra casa. Na escola quando ia, ia mal. Preferia mesmo era fazer doce... E nem sabia que depois de crescida, fazer doce não lhe daria pão.
Morena de açúcar, trapaceada pelas palavras alheias mais que pelas próprias, vivia solta como fagulha ousada, que se desprende da brasa só pra brincar por ai...
Toda sexta-feira Srtª Marguerita de cabelo lavado e saia da moda, bebe e belisca com amigos, conhece doutores e ninfetos maquiavélicos que lhe banham de cerveja e cidra, pra deixá-la mais aberta à passeios... Curioso é que sempre funciona.
E lá vai Setembrina: pintada, sem ânsia ou vergonha, investir na creche do sobrinho, nos remédios pro cunhado, no aluguel da sua biboca e no sonho da doceira que será um dia.
Já não dorme. É preciso fazer cocadas e tantos docinhos... A cada gota de suor que limpa com as costas das mãos, promete pra si mesma não perder o rumo. Trabalha 16 horas por dia. Suspira as horas que sobram.
No final de semana entrega encomendas, recebe dinheiro, visita a família de três pessoas.
Quando chega à porta o menino lhe abraça. Marguerita acostumada a beijos, agora é quem beija. Cumprimenta o cunhado amarelo, e ouve seus lamentos. A irmã não está: o trabalho é necessário, no domingo ainda é mais difícil parar. Cozinha um pouco, e, se junto com o menino-sobrinho, são duas crianças que riem. Na hora do almoço ainda faz uma prece: pede alimento, saúde e trabalho, enquanto seu peito estala e as dores ecoam em uníssono.
À tarde desce a ladeira e o vento travesso, brinca de se enrolar na barra da saia... A rua de gargantas gritantes e bares acesos comemora alguma coisa, vivida não se sabe onde, importante pra não se sabe quem... Mas estão todos felizes.
Marguerita de pés cansados só suspira por alguém que fizesse uma massagem malfeita, que esquentasse água no fogão pra um banho gostoso, que dissesse uma vezinha sequer, que não custam os carinhos, e que pela manhã ainda estará lá.
Os fuscas se arrastam, as crianças brigam e xingam como adultos, e a já perdida Setembrina, vai de passo a passo mais perto de casa, mas longe do mundo.
Um assovio lhe assusta, um chamado insistente lhe faz voltar algum tanto.
Um convite de última hora... Mas era domingo e não sexta-feira.
Marguerita recusa, fala dos doces... Negócio é negócio, responde o amigo.
A moça hesita, é um domingo...
Mas quem sabe assim, com esse trabalho extra e esforço duplo, não desse pra comprar o tênis do menino... Sua irmã também já labuta tanto... E a escola agora exige sapato.
Entra no carro, Corola novinho, vai passear...
O que ninguém entende é porque a biboca não abre na segunda-feira.
O dia amanheceu e as esperanças de uma vida trovejaram escureceram pra sempre debaixo do sol.
Marguerita viajou?
Não.
Marguerita não volta. A consulta foi cara demais pro doutor do Corola...
As três balas na cabeça de Marguerita com certeza não pagam aluguel de doçaria, e até onde sei, também não compram tênis nenhum.

3 de dezembro de 2008

Pudor

Postado por Keu Azevedo em 3.12.08 3 comentários
SÃO OS MEUS PUDORES QUE ME MANTÊM FIRME, ME FAZEM QUEM SOU... As minhas implicâncias que me mantém convicta.
Geralmente as pessoas mais próximas a mim vivem dizendo que preciso arriscar mais, importar-me menos com a opinião alheia... Meio contraditório isso com o que geralmente digo aqui (minha eterna defesa pela personalidade própria, pela manutenção de ideais na vida de cada um), mas outro dia enquanto eu estava a caminho de uma aula neurótica (Filologia tem me deixado neurótica tb) percebi que elas têm razão: sou um tanto complexada! (cabe aqui um ar de humor, aprendi a rir de mim mesma faz muito tempo). Tô sempre sem querer falar em público, sem puxar conversa com pessoas que vejo todos os dias (nos corredores, no busu, na igreja...), sem fazer perguntas, sem usar um montão de coisas, me privando, me esquivando (escrevendo frases que se iniciam com o pronome obliquo pra matar os gramatiqueiros de raiva kkk) e sempre voltada p/ mim mesma.
Triste isso!
Timidez? Não sei... Acredito que seja VAIDADE.
Uma vaidade louca que me faz pensar em mim mesma o tempo todo; que me faz acreditar quase numa teoria de conspiração onde todos estariam prestando atenção nos meus mínimos trejeitos, com uma prancheta nas mãos: PRONTOS A TOMAR NOTA, PRONTOS A FAZER TROÇA!
Essa minha mania de querer estar com poucas pessoas, de falar incessantemente sobre MINHAS coisas, de querer me descobrir e redescobrir cada vez mais e mais...
Pra que serve?
R= pra me deixar ainda mais complexada! (rsrs)
Que repetitiva eu sou. Os homens confabulam sobre isso há milênios, e eu aqui redigindo num blog chulo sobre essa temática arcaico-universal!
Êta! Lá se foi... Deixei saltar mais um pouco do meu eu.
Acho que é justamente por isso que escrevo: pra dizer o que ninguém tem paciência de ouvir, pra falar aquilo que se eu disser de outra forma vão associar a tendências depressivas (huahaua), pra ser livre, sem receio de parecer abestalhada ou nerd-girl, sem temer vaias e muxoxos...
Exercito assim a quebra de alguns pudores: digito o quero, me mostro brega e antiquada, IMATURA E FALÍVEL... Tudo que não quero ser no mundo de verdade, o mundo lá de fora.
Venço a vergonha e desabafo: rujo e me desmonto, aqui é como o cantinho do meu quarto, aquele espaço de nexo fugidio...
Vivo assim: insegura, canastrona... Mas tão, tão feliz quando percebo tudo de maravilhoso que Deus me deu que é até covardia beijar tanto meu umbigo.


Ps.: Depois da Odisséia que vivi esses dias: meu pc pifou (aaff que sonoridade orrível aqui); da euforia e de tudo que aprendi na VIII SEMANA DE LETRAS; de conhecer o pessoal M-a-r-a... do ALFA E ÔMEGA (qualquer dia esclareço sobre essas coisas); de produzir nada, de ler horrores pra tentar entender uns assuntos aí...De terminar o Curso de LIBRAS; de reforma em casa; de preocupação com amigos...
Eu tô aqui, bem e viva graças a Deus! Mas com um grande pesar no coração pelo povo de SC...Só muita graça e misericórdia ali... Vale a intercessão.

[beijomeliguem]

28 de novembro de 2008

Fórmulas

Postado por Keu Azevedo em 28.11.08 4 comentários

Ai de mim losango se paparico a hipotenusa...
Nesse mudo de gente quadrada que se acha a mais perfeita circunferência,
Nessas estradas curvas que não tem destino reto,

muitos permanecem perdidos...
Já retorci meu quadrilátero e o deixei acinturado!
Balelas analíticas não me encantam,

porque mais concreto que o discurso
é o vento que me beija.
Sigo apaixonada pelo triângulo...
Enquanto os meus colegas calculistas morrerão de enfado

à procura de um ponto qualquer no espaço.

Nem tudo vale à pena (post atrasado)

Postado por Keu Azevedo em 28.11.08 2 comentários
“Hoje” tô imaginando atitudes que realmente valem à pena...
Questiono seriamente essa onda de “tudo por qualquer coisa”...
Calma, vou explicar: Tem muita gente por aí (e por aqui é claro, por isso essas nuances se acentuaram esses dias pra mim) fazendo não somente ‘tudo pela fama’, mas ‘tudo pra ficar bem na fita’ (c/ amigos, c/ a chefia, com os pais) e principalmente pro que tenho vivido: ficar bem diante dos que tem ou terão uma opinião sobre você.
Essa psicose por política de boa vizinhança, essa labuta (sem sentido) na tentativa de simplesmente não DESAGRADAR ninguém. Affff! Que saco!
Tô cansada de tanto autocontrole, de tanta diplomacia...
Se não quer fazer... Não faz pow! Se não quer falar, não fala ué! Não vá, não use, não coma, não minta e principalmente NÃO FINJA!

Não estou vivendo à parte de tudo isso, confesso que minha alma ainda fica tentada a fazer média... Mas fala sério! Isso é meio cruel.
As coisas “tão” mesmo desenfreadas... Tipo: TUDO VALE À PENA SE A MENTE É PEQUENA!
Não gosto de bancar “aquela que reivindica” a espertalhona... Essas coisas nem combinam com meu senso de ridículo, mas a questão é agravante...
Vale à pena pegar dinheiro emprestado só pra parecer ter, falar um monte de merda só pra falar algo, ou até escrever um post no blog pra demonstrar-se indignada! Rsrs
Como diria a minha mãe (ela tem altos verbetes): “quem muito se abaixa o (...) aparece!” kkkkkkkk
Fica aqui então o meu protótipo de protesto: fora essa cultura de TENHO que fazer, que ir, que usar, falar, ser... Fora essa de Tudo vale à pena... Porque não vale!



Ps.: Eu acredito no testemunho de Cristo: O “cara” andou com quem era a escória (ou seja: sem preconceito, sem acepção) alimentou, curou e libertou... Viveu em meio ao lodo e não se contaminou, ainda por cima pregou em TODO o tempo - de vez em quando usando palavras - a mais simples VERDADE, e quando não estava a fim de discussões vãs, simplesmente não discutia (Mt. 21: 23-27)
Quando vc que resmunga ou cede demais tiver algo nesse nível, vem e me confronta! Tô sempre por aqui.

Ps.2: Esse post foi de 3 dias atrás, mas só pude postar agora.

22 de novembro de 2008

Ruptura

Postado por Keu Azevedo em 22.11.08 1 comentários

Dividem-se as minhas buscas...
E na tábua rosada onde depositei minhas ânsias mais infantis,
Está também o torpor incômodo,
A estratégia que inventei
Pra me sentir menos só.

Repartem-se os meus quereres,
Submultiplicam-se estradas, estradas, estradas...

Quando amanhece, são as rugas que me acordam,
Quando anoitece, são as lágrimas que me embalam o sono.
Estradas, estradas, estradas...

A menina dentro de mim mora numa casa velha
- no fim da rua -
Tem cadeira de balanço e móveis de cabriúva,
Cozinha pra uma pessoa e lê Agatha Christie .
Se intitula a oitava nota musical.

Estradas, estradas, estradas...
Observando tantas tripartições
Vi que o trator horroroso é o mesmo que aplaina;
Que a mãe que belisca é a mesma que resgata;
Que os pobres que incentivam, são os nobres que te deixam.

Estradas, estradas, estradas...

Sei que mais um ciclo se completará em breve,
Sei que os adultos são cansativos e as crianças serelepes demais,
Sei ainda que tenho deixado de saber tanta coisa...
Mas continuo indo... Com preguiça ligeira,
Chinelo de couro e tolerância ao sol quente...
Passeando a custo por essas
Estradas, estradas, estradas...




Ps.: Esse post foi também inspirado num livro que li em 2002 "A MENINA DO FIM DA RUA": um livro de 1973, do escritor estadunidense Laird Koenig. Uma amiga da época - meio gótica e super talentosa - que me emprestou (saudades de tu Pitty, bons tempos aqueles de nossos devaneios c/ Legião Urbana, a gente achava que ia ser pra sempre). Livro muito bom, e a foto da menina na capa me dá medo até hoje...hehehe
Ps.2: Pra quem se interessou: Há também a versão cinematográfica do livro de 1976, com Jodie Foster e Martin Sheen. (sempre prefiro os livros, mas se estiver difícil de achar...) Eu nunca assisti [só pra constar] se alguém vir, me diz se é bom.
ps.3: é VIR mesmo, não escrevi 'errado'.
ps.4: A referência à Agatha Christie é porque eu a lia muito até os 16, 17 anos...

16 de novembro de 2008

Secura

Postado por Keu Azevedo em 16.11.08 3 comentários
Água que nasce do lodo
Poeira tocante de vozes e afã.
Soros de risos contidos
Saciam os aflitos de fome pagã.

Grita, agoniza e morre
De sorte pobre que a vida te fez;
Repousa suarento e não dorme
Folheia os acordes: sua sina e sua tez.

Sofre criança barrenta, magrela, cinzenta
No asfalto gelado.
Sangra de costelas expostas
Se alimenta de prosa
E do cetro calado.

Pede, mastiga uma esmola
Sussurra e cobra
O que te convém.

Esquálido, menino-bandido
Magoado e ferido
Com total sensatez.

Chorem mães abortivas o legado da prole!
Sequem suas lágrimas salgadas
Rastejem, implorem um pouco de ação.

Depois, no Natal da irmandade,
Com sua caridade
Se sacia e abate
Toda indignação.

Martirizam-se nesta vida sem sorte
Perdendo seu norte em meio ao sertão.
Se vê que criança não late
Mas come restolho
Migalhas de cão.


Te resta a pena e o falso
Dos meninos descalços
E as meninas paridas.
De dó, de dor e feridas
Peço nessa vida
Que fique ao novo
Um tantinho de dignidade.




Ps.: Post feito durante aula de Sociologia...

14 de novembro de 2008

Aula de didática

Postado por Keu Azevedo em 14.11.08 5 comentários
Enquanto as horas se deitam sobre a minha preguiça
O ar quente que esforça-se entre as frestas
me dá doses de calmaria pobre.
Quantos discursos eu ouço...
Quantas palavras retorcem-se acima das cadeiras antigas,
das folhas antigas,
dos métodos antigos,
dos homens antigos de hoje.
Estou mais didática agora..
Acho que já posso ensinar!



Ps.: Como o título nada criativo diz, fiz esse "bregueço" ai durante uma aula de didática mesmo... A situação descrita era mais que real: fazia um calor orrível, a aula pra variar tava chata (confesso que as disciplinas de educação me são um tanto enfadonhas, prefiro as de Literatura ou de pordução de texto)... Eu tava ali ouvindo um monte de gente falar de coisas que não vão cumprir na realidade de sala de aula, usando um monte de termos decorados de antes e apresentando soluções de mais antes ainda... Eu acredito na EDUCAÇÃO, mas essas pessoas às vezes me cansam demais!

eitaaaa!

Postado por Keu Azevedo em 14.11.08 1 comentários

Olha povo: algumas considerações...
Primeiro só pra constar, digo que tá mais difícil postar frequentemente agora (não que tenha algum doido p/ passar nesse blog todo dia) mas é que o semestre na UEFS começou a apertar meu juízo c/ tantas leituras, produções e aquelas coisas de sempre (vida de estudante ralé é uma onda...), além disso c/ o trabalho (estagiário vcs sabem como é...) e o finalzinho do curso de LIBRAS e suas avaliações p/ conclusão tem me deixado pirada!
Por isso minha cuca tá fumegante e tico brigou com teco por tempo indeterminado... Então: meus "neuros" tão nada bem.
Agradeço os coments (poucos e valiosos), e peço que aguerdem, vou tentar passar aqui nem que seja pra deixar uma coisinha boba que eu esteja pensando.

No mais é isso aí...

Ah! Vale registrar que assisti hoje uma peça linda de Teatro Popular, uma trupe de Ilhéus-Ba que se apresentou lá na UEFS e tão indo pra temporada em Salvador...Muito bons viu! Com texto irreverente e de cordel (vixe! amO cordel!!!) com direito a violeiro. A peça em suma falava de tema político: crítica refinada ao nosso modelo de democracia e se chamava "TEODORICO MAGESTADE: as últimas horas de um prefeito"... Desde a apresentação do pessoal do "ADUBO - Ou a sutil arte de escoar pelo ralo" (essa falava de morte com humor sarcástico) que assisti mês passado eu não via uma peça tão boa... Ri demais!!! Ótimas atuações também... A trilha sonora nem falo! amO mesmo o teatro, embora eu reconheça que sou boa apenas como apreciadora mesmo.

beijomeliga.

8 de novembro de 2008

A Natureza Das Coisas - Accioly Neto

Postado por Keu Azevedo em 8.11.08 4 comentários
Ô chá, lá, lá, lá, lá
Ô chá, lá, lá, lá, lá

Se avexe não...
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada.

Se avexe não...
A lagarta rasteja
Até o dia em que cria asas.

Se avexe não...
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa.

Se avexe não...
Amanhã ela pára
Na porta da tua casa

Se avexe não...
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá...

Se avexe não...
Observe quem vai
Subindo a ladeira
Seja princesa, seja lavadeira...
Pra ir mais alto
Vai ter que suar.

Ô coisa boa é namorar,
Ô coisa boa é namorar.


Ps.:Tirando os 2 últimos versos da música, ela é o discurso que tenho nesse momento...
Discurso que fala de mim e que falaria abertamente pra qualquer um...
O seguinte é isso aí! hahaha.
Ps.2: Confesso que tenho preconceito c/ muitos tipos de música, mas esse "xote" é lindo em tudo; gosto de alguns xotes, gosto da "música nordestina" de verdade...

7 de novembro de 2008

De serviço

Postado por Keu Azevedo em 7.11.08 4 comentários


Tão pobrezinha dona Lola!
Seus vinte e poucos anos mais lhe pareciam rojões acumulados sobre a fronte; sua maneira dura de desprender as palavras da língua lhe emprestava um aspecto irritadiço.
Lola vivia por onde a fartura não tivesse e a sorte longe passasse.
Em casa de comadre que nem filho tinha, Lola logo aprendeu todas as tarefas de uma moça hospedada: limpava, arrumava, cozia... Banhava-se se desse tempo, comia em pé e dormia em cama de cimento... Menos quando a comadre se ausentava: aí era quando Lola recebia um convite imperativo e, desconfiada, dormia encolhida e dolorida na cama da senhora... Afinal, há que se tratar bem o marido da comadre! Homem é homem, bicho de peso.
O seu Inácio muito não lhe falava, pouca coisa se lhe ouvia, mas tinha mão de urso e olhar de caçador enobrecido. Pobre presa, vida de Lola.
A comadre até queria ter filho, sempre comentava dos novos tratamentos; Lola não entendia bem, mas sabia que era caro, dinheiro de comprar umas cinqüenta passagens das que ela precisava pra voltar para casa que não tinha. Seu Inácio, galo atento, resmungava, mas pagava direitinho, se queria filho ninguém sabe, talvez gostasse mesmo era das viagens da comadre.
Na lata de leite ninho escondida com afinco, Lola guardava dois segredos concretos: a carta que não lia por não sabê-lo e o dinheiro mal contado de seu sustento.
E aquelas três almas viviam suas rotinas: passeios melancólicos por lojas de enxovais, planos suspirantes com uma moça de uniforme, submissão grata que sempre se dissolvia num mar de cansaço.
Noutro dia, findada já algumas tarefas, a comadre cheirando a detergente de maçã - que Lola ouviu dizer vindo do estrangeiro - sempre sorridente e polida, convidara a comadre de uniforme para um passeio. Pelo jardim do espaço bem conservado que beirava o prédio, se daria o colóquio.
A moça cismada, disse que preferia ficar em casa, assistiria aquele doutor que falava tão bonito...
Como a senhora insistira, as duas jovens mulheres desceram as escadas... Uma sem querer ceder à interrogação que havia nos olhos da outra.
Mais uma volta.
Perguntas vindas gaguejadas da garganta. Respostas titubeantes de cílios molhados.
Não deu embolada, a conversa foi de rápida moção: Lola saiu despachada não se sabe pra onde feito pacote pra coleta, e a comadre saiu ainda polida e sem surpresa, mas com um leve prefácio de viuvez na cabeça.

4 de novembro de 2008

Fácil

Postado por Keu Azevedo em 4.11.08 3 comentários

O fácil é tão sem graça...
Tão conseguido, tão em mãos que se torna vulgar.
Minha defesa é para com a labuta, o querer que te arranca suor amargo, a incessante tentativa que te faz ainda mais desejosa (o).
O fácil não te empenha, não te irrita nem te abusa; não te tira o sono e muito menos te enfraquece no esforço para tê-lo.
O ganhado dispensa a peleja, porém o que não é ao menos um pouco laborioso não traz a sensação de recompensa, de identificação com aquilo que tem doses e mais doses da sua própria pupila dilatada.
O árduo te faz forte, o custoso te forja, o penoso te dá os últimos retoques pra essa insanidade que é o mundo lá fora.
Não estou falando de masoquismo ou de autocomiseração...
Estou falando de pulso, de vigor e complacência... E isso não se adquire acariciando gatos ou tomando chá gelado.
Não se molda uma barra de ferro no calor agradável de uma casa de veraneio. Não se muda uma situação complicada esperando que a lua cheia enfim apareça...
O fácil é cômodo e nada didático.
Meu sofá é confortável, minha cama é macia, mas nenhum móvel dura pra sempre... A firmeza dos meus ossos também não.
Eu bem sei quão desgastante é tirar a bunda da almofada, fazer exercícios demanda energia... Mas eu também sei como é ruim uma vida sedentária. A vida fácil de controles-remoto é tão efêmera quanto os comercias da TV.
 

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