28 de outubro de 2011

À tua beleza

Postado por Keu Azevedo em 28.10.11 1 comentários


Quer parar de ser lindo comigo?
Porque me irrita a forma fácil com que me arranca suspiros.
E você não respeita os muros que ergo, atleta tu, escalando-os com teu ‘me gostar’ impetuoso, conquistador soberano da torre dos meus desejos.
Para de desmontar meus argumentos medrosos com esse teu jeitinho quixotesco de ver a gente... Para de ficar aí seguindo o script dos meus sonhos mais teens!
Porque me incomoda como tu mexe comigo, e fala esse ‘eu-te-quero-eu-te-espero’ como se fosse a coisa mais simples do mundo.
Tá certo que teu sarcasmo é um charme, que você tem o sorriso mais infantilmente bonitinho que já vi, e que adoro essa tua pintinha quase feminina, que convida meu beijo te provocando sem volta.
Para de ser lindo comigo porque eu já gosto tanto de você...
Você é meu inalcançável. Uma pena isso, não? Todo dia quando você me diz boa noite fica uma ausência que eu não tinha.
Quer devolver meu 'Allegro ma no tropo'? Era mais confortável o marasmo que eu tinha antes dessa esperança infantil que você me injetou. Tu chegou num salto e agora não sai, difícil relutar com essa tua presença gostosa...
Meu Deus, como eu queria me livrar de você! Como eu queria não rir sozinha lembrando de alguma conversa nossa, nem ter que mudar de assunto rapidamente porque tô tentando empurrar meu coração guela à baixo, depois da emancipação que ele teve com alguma declarçãozinha indireta tua.
E eu nem sei se a gente vai dar certo, (eu nem sei o que é o certo) mas eu sei que eu te cobriria de SIM’s, que eu quero tomar nota da gente pra lembrar quando o mundo ameaçar-me com uma descrença qualquer: porque você é a utopia mais linda que eu já tive.
Quero teu abraço inexpirável na mesma proporção que te quero censurando minha confusão; quero teu ciúme bobo assim como quero teu beijo pra meu despertador. Quero refeições contigo, silêncio contigo, e se com tudo isso não desistir, quero amor contigo também.
Até tiro meu salto, meu orgulho, minha sem-gracice e minha cabeça-dura. Dá um sinal de que vai valer à pena e eu tiro até minha insegurança pra você dar a ela o fim cinematográfico que quiser.
Eu preciso não posar pra ti e te contrariar falando mal de tuas músicas indie, eu preciso ser um desastre completo na cozinha e cobrar diariamente o teu mimo pra manter-me mal acostumada, eu preciso me divertir te tirando pra dançar ou fazendo chacota desse teu ar de ‘reservado’.
Quero opinar nas tuas roupas, te beijar a nuca, brigar pra que você tire as cutículas mas não faça a barba. Quero o vinho que me prometeu e as noites que me prometeu. E eu quero desfrutar de tudo, esbanjar tudo, quero você pra meu excesso (posso pagar comigo? Deixa-me ser tua moeda). 
A minha consciência superprotetora te reprime, mas você é o meu risco mais bonito. Então vem e fica: um dia, um final de semana... Uma vida. Porque, dizem por aí, viver sem risco e sem beleza não tem graça.

"No nosso livro, 
a nossa história é faz de conta 
ou é faz acontecer?"
- O Teatro Mágico

19 de outubro de 2011

Furta-cor

Postado por Keu Azevedo em 19.10.11 3 comentários

Sou mesmo dona duma mente sóbria e um coração ébrio.
Penso em ti com a mesma leveza da folha inocente que se desprendeu e vem pousar silenciosa no ombro de um transeunte...
Penso em ti com a fluidez de um corregozinho que em sua paciência passa límpido e convidativo pelas horas...
Penso em ti como o cheiro mais gostoso da terra ao primeiro sinal de chuva, como a textura levemente arrepiada da pele após o banho frio...
Penso em ti como o sol tímido da manhã que chega na ponta dos pés, como o sorriso constrangido e satisfeito após o elogio anos esperado...
Mas o meu coração... Não sei o que fazer com ele. Não há leveza ou tranquilidade a teu respeito... Meu coração só ferve e esperneia à tua presença. E ele te quer: imediato, intenso e fatalmente aqui, entregue de si e receptor de mim.
Tu é meu improviso, é aquela porção de amor que eu nem sabia que podia sentir, e veio. E tu existe em mim. Carece mais de prova não, tô entregando os pontos: vem colorir essa bandeira branca que tô acenando com o furta-cor dos teus beijos.

'Taí. Tá bom. O amor venceu. 
Você venceu. Venceu. Venceu. Venceu. 
E eu acabo de descobrir, simples assim, 
a única maneira de me livrar desse sentimento: 
aceitando ele, parando de querer ganhar dele. 
Te amo mesmo, talvez pra sempre.'
~ (Tati Bernardi)

16 de outubro de 2011

Dedico-te

Postado por Keu Azevedo em 16.10.11 1 comentários

Dedico-te o meu abrir de olhos sonolento nas primeiras horas do dia, aquele olhar que a luz do quarto vai vagarosamente guiando à tua procura.
Dedico-te cada gotícula do perfume que coloco esperando que você venha sentir de perto, cada tom da minha maquiagem, cada retoque do meu batom que teus lábios desgastam, cada peça que visto imaginando teu caminho para tirá-las.
Dedico-te as tardes mornas de domingo e as noites frias de segunda para que você as aqueça.
Porque é você que eu procuro inquieta na cama vazia, é em você que eu penso enquanto tamborilo com os dedos na mesa perdendo a atenção no resto do mundo.
Porque você inebria meu coração da forma mais sorrateira, me faz te querer da forma mais patética e tem me tornado feliz da forma mais despretensiosa.
Então eu só queria que você tomasse nota: tô te dedicando, tô me dedicando. Tô te escolhendo. Pra você saber que tenho te amado boba.
Só mais uma coisa: não tenho saco pra informações repetidas, mas você pode me dizer 'eu te amo' quantas vezes quiser.

13 de outubro de 2011

Por não ser você

Postado por Keu Azevedo em 13.10.11 1 comentários

Texto para ser lido ao som de "French Navy" de Camera Obscura.
http://www.youtube.com/watch?v=O3CkfvYMCWM&feature=player_embedded     

Já foi mais divertida a tua procura, agora me parece enfadonha a tua espera. Larga mão de ficar no meu sonho e vem!
Às vezes me pego pensando em cenas recortadas, como que vistas por frestas... Cenas nossas, admito.
A mais bonita delas ainda é a de nossas mãos dadas, movendo-se lentamente enquanto caminhamos em silêncio. Apenas as nossas mãos dadas vistas à meia distância. E um mundo todo girando em torno de um toque.
Nossos dedos entrelaçados, nossas almas resvalando uma na outra... Poderia sentir a textura das tuas digitais acariciando as costas das minhas mãos bem devagar, algum movimento circular ordenando a rotação do planeta, aposto. E levemente a tua mão na minha provocaria arrepios que deduzo pelos pêlos ouriçados dos teus dedos, pelos quase imperceptíveis espasmos dos meus músculos enquanto aperto-te um pouco mais...
Mas eu vi apenas o que não existia. Quer vir fazer acontecer?
Quanto tempo perdemos com tarefas ínfimas... E quais tarefas não são ínfimas quando estamos longe um do outro?
É um desperdício não poder te mostrar o estrago bobo que teu olhar faz quando posto sobre mim. Não é que eu não queira o teu corpo sobre o meu, é que quero ainda (e muito) mais a tua vida aquecendo a minha.
E você pode me dar teus beijos, dê-me-os. Dê-me tantos e longos. Mas oferte-me principalmente o teu amor inócuo. Terás-me toda, em troca.
Cadê o meu lar nos teus braços que não está me protegendo agora?
Bem que podia ser teu esse ombro roçando no meu nesse fim de tarde... Bem que podia ser tua essa voz bem pertinho comentando qualquer coisa sobre a demora até o final de semana, bem que podia ser tua essa mecha de cabelo com que o vento brinca, e esse sorriso malicioso que finjo não notar; bem que podia ser você aqui comigo. Bem que podia ser você agora... Preu deitar no teu ombro, deixar tua conversa me embalar e assentir boba pensando em interromper tuas palavras com meu beijo. E se fosse você eu mexeria no teu cabelo da forma mais carinhosa possivel sem a mínima intenção de arrumá-lo, porque gosto da tua bagunça...
Se fosse teu (só teu) esse olhar malicioso, eu responderia da forma mais reciprocamente maliciosa possível, te autorizando a ir em frente... Mas nada é teu. E você não está aqui... Se eu te guardar o meu desejo você promete que busca?

9 de outubro de 2011

Até a sua volta

Postado por Keu Azevedo em 9.10.11 3 comentários
Texto para ser lido ao som de "Stolen Moments" com Alicia Keys.

Eu não culpo ninguém além da culpa sacana que me toma por cada vez que não me permiti ser tua.
Se tem uma lição que nunca aprendi é 'vale mais um passarinho na mão que dois voando'. Geralmente esmago o que tenho na mão, ignoro o que voa mais perto e fico esperando o que já está voando pra longe.
Sou correta demais, por isso é tão difícil achar a resposta.
Sinto sua falta agora. Talvez seja a noite começando ou o sábado. Eu poderia culpar qualquer coisa, a sua falta ainda estaria aqui. E você não.
Sinto falta de você me olhando enviesado enquanto eu fingia estar concentrada em qualquer outra coisa... Sinto falta de você me dizendo meio enfezado que eu não entendo de futebol sempre que eu conseguia te vencer nas discussões sobre o assunto; sinto falta de te beijar o rosto inteiro mas não a boca, só pra ouvir os teus protestos... E então te deixar me beijar devagar, vencedor. Sinto falta da gente tentando cantar aquela música famosa e rindo alto do insucesso... Não tinjo lembranças, elas serão da cor que os momentos o foram. Não remendo momentos passados, eles terão o formato irregular que os fizeram dignos de lembrança, mas acontece que o desejo é a interseção entre o Real e o Improvável. E o desejo é tudo que tenho aqui.
Às vezes a gente tem medo de se doar pelo risco eminente de ser jogado fora. O tempo perdido não será tempo perdido se você aprender com ele a não desperdiçá-lo mais. Então, onde é que a gente penhora todos os beijos de adeus por beijos de chegada?
Das coisas boas da vida: gente que te fala com o coração e diz pro teu se sentir em casa. Você fez isso e hoje eu te reconheço em mim. Olho-me e identifico pedaços teus, cheiros teus, palavras tuas... E rio um pouco do teu sorriso, - que em mim é estranhamente triste - achando toda essa bobagem amor-frankenstein a coisa mais fantástica do mundo.
Presença que vicia, ausência que angustia.
Assim como todos os produtos, sentimentos mal resolvidos deveriam ter prazo de validade. Você exigiu que eu não fosse. Respondi que iria assim mesmo. Agora que não fui, cadê você pra me sorrir vitorioso?
Não tenho muita coisa a perder, mas de todas, de todas elas... Perder a esperança me aterroriza. Perdi papéis, pessoas, lugares, afetos, certezas... Mas não foi o tempo que as tirou de mim. O tempo só toma de nós as coisas que deixamos frouxas.  (Ele me tomou você? Pergunto-me.) A verdade às vezes é como uma moça feia com um coração puro: pode não encher os olhos, mas é a companhia certa e mais digna que se pode ter.
Nunca tive problemas com minha pequenez. Via nela até certo charme... Até o dia em que amei coisas que não podia alcançar.
Não sei disfarçar desconforto, não sei camuflar desagrado. Não sei forjar amor. Sou irritantemente desteatralizada com sentimentos. Cadê teu casaco desproporcionalmente perfeito em mim? Cadê tua mão afastando o cabelo do meu pescoço e tua voz calma preparando o terreno pros teus beijos? (embora me esforce, não consigo lembrar o que me dizias... a proximidade da tua boca com meu ouvido, a lembrança do teu hálito aquecendo minha nuca... O que são mesmo palavras?)
 Sempre gostei do teu sorriso. A verdade é que ainda gosto. Só não acho que tua boca fica assim tão perfeita longe da minha.
Não se trata de desilusão. É de um coração com cãibra que estou falando.
Em sendo nativos ou estudiosos, a vida é um idioma no qual nunca conseguiremos a devida fluência. Não me mande flores. (não as mande mais!) Traz-me tu ou deixe-as a outras. Mais importante que as flores são o teu olhar a entregar-mas.
Acho duma imperdoável audácia essas flores sorrindo em cores anunciando a primavera que você não passará ao meu lado. Toda lembrança reduzida aos desenhos feitos distraidamente na borda das páginas... Eu te contaria que voltei a escrever, exatamente como você queria. Eu te contaria se você me ligasse pra falar horas e horas como antes, eu te contaria se você tivesse coragem de me olhar e não preferisse mandar e-mails cordiais.
Ontem foi sexta-feira, minha folga como sempre, lembra? Mas você não apareceu pra me obrigar a sair da cama e ficar linda pra almoçar contigo. E depois, abraçados, eu te perguntaria mil vezes se você tem mesmo que voltar ao trabalho... E você precisaria correr um pouco, pisando no acelerador com um sorriso idiota de canto, ao lembrar que o motivo do teu atraso eram os meus beijos que ainda fervilhavam na tua orelha e meu gosto que ainda seria sentido quando você umedecesse os lábios.
Em dias opacos como hoje, bastaria teu abraço sincero pra me fazer reconsiderar todas as cores. Ou o teu carinho fora de hora e a gente naturalmente quietos depois de ter estado ofegantes há alguns instantes atrás.
 Não sejamos fantasiosos: pessoas inteiras não existem. Inteireza requer uma obra acabada. Troco essa semana inteira pelas tuas mãos na minha cintura e essa primavera inteira pelo teu beijo de boa noite.
Acho que vou dormir mais cedo, tenho feito muito isso. E vou me assustar várias vezes à noite, coração desperto em expectativa confundindo qualquer som na rua com o das tuas chaves abrindo a porta... Mas onde você estiver agora, esquece que te mandei ir e volta.

1 de outubro de 2011

Gota

Postado por Keu Azevedo em 1.10.11 2 comentários


E as minhas mãos em concha esperando-te cair...Tu, gota do céu. Por que tardas? ...
- Espero a hora certa para atirar-me daqui, e se tem que ser só um o meu último repouso, teu será.
- Mas olhe, não me vê? Estendo meus braços, em cãibras te desejo.
- Sim, vejo a ti e atrai-me teu sacrifício. Mas recolhe tuas mãos, 
aguarda mais um pouco. Que eu hei de lançar-me... 
Não em tuas mãos. Serei gota reluzida e molhada que umedece teus lábios. 
Meu corpo em carícia e morte, pra sempre só teu.*


*Um texto de janeiro de 2011 que só havia sido postado no twitter.
 

...Toda Querança... Template by Ipietoon Blogger Template | Gift Idea