20 de fevereiro de 2009

Parte II

Postado por Keu Azevedo em 20.2.09 4 comentários
Com o passar dos meses, Jorge só piorava e Jonas apaixonara-se cada vez mais pela esposa do moribundo. Iniciado o romance, foram nove meses entre visitas freqüentes a Jorge e beijos ilícitos com Ângela.
As conversas abafadas que Jonas tinha com Ângela variavam entre o romance recôndito dos dois e a agonia do próprio Jorge.
No velório do amigo, Jonas pode consolar Ângela que choramingava, mas se alguém estava mesmo pesaroso era ele, a morte de Jorge o fizera refletir sobre os últimos meses, e a postura de traidor que havia assumido enquanto o outro, inocente, desfalecia. Chegou a sentir remorso, mas ao passar de leve as mãos pelos cabelos de Ângela, afastou tal sentimento. Agora poderiam amar-se livremente, não pensaria no passado... Deixe que o Jorge leve consigo os pesares e impedimentos.
Não foi, porém, tão fácil como ele havia imaginado: a viúva temia os falares alheios e insistiu em pelo menos seis meses de luto social; não queria ser daquelas que se tornam motivo de fofocas na vizinhança, temia as velhas desocupadas que certamente comentariam “mal esfriou o cadáver do marido...”, temia as moças invejosas, e os pretendentes frustrados por ser o Jonas o sortudo a ter nos braços aquela mulher tão cobiçada.
Com isso, continuaram os encontros às escondidas por mais de um ano... Não convém agora relatar como transcorreu esse tempo, amantes são sempre amantes, entre escapadelas e passeios escusos, Jonas afeiçoara-se ainda mais àquela mulher e portanto, estava disposto a dar um passo importante... Exatamente no momento em que o encontramos sentado na praça.
Ergueu-se. Estava na hora.
A passos rápidos dirigiu-se à casa de Ângela, dividindo em seu coração sentimentos como expectativa, insegurança, e uma grande dose de alegria. Resolveria de uma vez aquela situação, estava cansado de se esconder de pessoas que já sabiam de tudo, não entendia o porquê de Ângela ainda fazer questão de manter em “segredo” a relação dos dois. Afinal, de vez em quando, fosse na barbearia ou nas conversas descontraídas entre amigos, todos sempre referiam-se ao próprio Jonas como “o sortudo” fazendo alusão ao fato (já sabido pela maioria) de ser aquele que se deleitava no regaço da viúva mais famosa das redondezas.
Oficializaria.
Colocaria aquela aliança no dedo de Ângela e viveriam felizes como podem viver os que amam desse jeito, dessa idade, nesse mundo.
Ofereceria à Ângela um amor saudável e seguro, a maturidade e porque não o desejo que ela já conhecia... Haveria de dar tudo certo.
Aspirou com força como se quisesse extrair dos pulmões a força de que precisava para bater à porta. Suas mãos tremiam.
Nova batida. Continuava tremendo.
“Vamos homem, você não tem mais idade pra isso!” Pensou uma última vez e resoluto, bateu com mais força.
Sem resposta.
Começara a ficar impaciente. Tinha a chave mas não a usava, pelo menos não assim...À luz do dia.
Bateu uma última vez. Novamente sem resposta, decidiu-se pela chave.
Entrou devagar enquanto tentava relembrar as coisas que tinha memorizado para o momento do pedido. Não faria discurso nem se ajoelharia, tentaria fazer as promessas mais acertadas: aquelas que poderia cumprir.




Ps.: Passei 5 dias doente mas sobrevivi. =)
Tá ai a penúltima parte do conto, comentem!

11 de fevereiro de 2009

A troca da vez (parte I)

Postado por Keu Azevedo em 11.2.09 6 comentários

Numa tardezinha comum, de uma cidade comum, numa praça comum, havia um homem preocupado.
Jonas tinha 43 anos. Não que isso fosse o indicativo de qualquer coisa, mas a essa idade é comum certos conflitos. Tinha em suas mãos um par de alianças e seus pensamentos perdidos como aventureiro em terra desconhecida.
Sempre fora um homem sério e exacerbadamente objetivo; mesmo quando criança, se comportava como adulto e agora em adulto, sentia-lhe sobressaírem os calafrios que não sentira nem nos tempos da adolescência.
Não que estivesse incerto do que queria... Isso não; pediria Ângela em casamento nem que sofresse uma taquicardia e um infarto antes mesmo de ouvir a resposta! Porque era isso mesmo que aquele homem de poucas palavras temia: a resposta.
E se Ângela lhe dissesse não? Como seria a sua vida dali em diante? Certamente terminariam também o relacionamento que tinham... Jonas não era mais homem de encontros casuais, queria compromisso. Nem tampouco aceitaria críticas e chacotas dos vizinhos ao saberem que ele, um quarentão que nunca se casara, havia sido recusado pela viúva mais bonita da cidade.
Terminaria.
Se Ângela não lhe dissesse sim, era porque não tinha mesmo que ser, aceitaria o destino.
Com os cotovelos sobre as coxas e exalando o perfume que a própria Ângela lhe presenteara, Jonas seguia brincando com a caixinha aveludada que guardava o símbolo de sua sina: ser feliz ao lado da mulher que logo pediria em casamento, ou morrer como um solteirão. Não que lhe preocupasse casar para ter descendência na face na terra, não gostava mesmo de crianças... Se pelo menos eles já nascessem grandes... Com jovens ele sabia lidar muito bem, era professor no colegial.
Queria mesmo era ter alguém ao seu lado, uma mulher boa e confiável para dividir suas coisas, um pouco de si. Ângela era essa pessoa.
Conheceram-se por intermédio do falecido, o Jorge, dois anos atrás. Como Jonas nunca saía, um velho amigo seu que estava de volta à cidade o convidara para jantar em sua casa, digamos que Jonas aceitou apenas por educação, mas assim que seus olhos esticaram-se até o sofá onde Ângela estava sentada tranquilamente, aquela visita casual começara a fazer sentido.
Ângela era discreta e de feições românticas: tez clara, olhos firmes e melancólicos, e de sorriso inebriante, principalmente quando se destacavam as covinhas que tinha nas bochechas.
Jonas que geralmente não exigia muito em se tratando de beleza feminina, encantara-se completamente pela exuberância contida de Ângela.


Ps.: Tô de voltaaaa! [ao menos por enqto] Em breve ponho a segunda parte... =*

5 de fevereiro de 2009

Ausência...

Postado por Keu Azevedo em 5.2.09 4 comentários
Queridos colegas blogueiros,

Estou aqui para comunicar pra todos (os raros como diria Anitelli) os motivos da minha ausência:
Meu semestre recomeçou essa semana (segunda-feira) e o corre-corre se instaurou novamente...
Além disso, tô num momento de transição de net em casa (procurando melhorar a pendenga que era a minha net antiga) por isso ficarei ausente por no mínimo uma semana.

Confesso que estou produzindo pouca coisa que não seja obrigação acadêmica...Por aqui, as provas e as 'mil' apresentações de trabalhos estão chegando, já que o semestre encerra no finalzinho de março.

Postarei assim que der, mas agradeço muuuuuuito a todos que tem visitado o blog (até àqueles que eu sei que leêm e não comentam... hehehe).

Bjus e torçam pelo meu sucesso nas avaliações... Principalmente em Filologia Românica I... Nessa matéria eu vou mesmo precisar... O resto a gente ajeita! kkkkkkkkkkkk

Valeu!!!!
 

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