De peito aberto...
Do tipo que se rasga, que sangra. Que dói, esbraveja, exagera...
Do tipo em carne viva, que se compraz em arder... Que geme arisco, que explode, que não se desculpa.
Do tipo incisivo, penetrante, audacioso...
Que despachado cospe verdades, tripudia, causa inveja...
Que mete os pés, arromba, planta-se e não se move.
Irregular, viril, E-S-C-A-N-C-A-R-A-D-O...
Que enfie o dedo no meu nariz e me force a baixar a guarda.
Que desbanque meu orgulho, cale minhas teorias, desarrume minhas certezas tão organizadinhas...
Que não oferte, exija. Que não espere minha boa vontade: imponha-se, envolva-me e desenhe o prumo que lhe apetece.
Que se faz vadio, surdo, travesso, carente... Quando bem entende.
De calo, odor, firmeza, realidade.
Adulto, pivete, vampiro, barbudo...
Que indignado bate a porta e vai embora; que volta correndo na chuva...
Mais forte que eu, mais entregue que eu, mais esperto que eu...
Intrigante, instigante, enxerido, aguçado...
Descabido.
...Amor assim, eu quero.




