28 de novembro de 2008

Fórmulas

Postado por Keu Azevedo em 28.11.08 4 comentários

Ai de mim losango se paparico a hipotenusa...
Nesse mudo de gente quadrada que se acha a mais perfeita circunferência,
Nessas estradas curvas que não tem destino reto,

muitos permanecem perdidos...
Já retorci meu quadrilátero e o deixei acinturado!
Balelas analíticas não me encantam,

porque mais concreto que o discurso
é o vento que me beija.
Sigo apaixonada pelo triângulo...
Enquanto os meus colegas calculistas morrerão de enfado

à procura de um ponto qualquer no espaço.

Nem tudo vale à pena (post atrasado)

Postado por Keu Azevedo em 28.11.08 2 comentários
“Hoje” tô imaginando atitudes que realmente valem à pena...
Questiono seriamente essa onda de “tudo por qualquer coisa”...
Calma, vou explicar: Tem muita gente por aí (e por aqui é claro, por isso essas nuances se acentuaram esses dias pra mim) fazendo não somente ‘tudo pela fama’, mas ‘tudo pra ficar bem na fita’ (c/ amigos, c/ a chefia, com os pais) e principalmente pro que tenho vivido: ficar bem diante dos que tem ou terão uma opinião sobre você.
Essa psicose por política de boa vizinhança, essa labuta (sem sentido) na tentativa de simplesmente não DESAGRADAR ninguém. Affff! Que saco!
Tô cansada de tanto autocontrole, de tanta diplomacia...
Se não quer fazer... Não faz pow! Se não quer falar, não fala ué! Não vá, não use, não coma, não minta e principalmente NÃO FINJA!

Não estou vivendo à parte de tudo isso, confesso que minha alma ainda fica tentada a fazer média... Mas fala sério! Isso é meio cruel.
As coisas “tão” mesmo desenfreadas... Tipo: TUDO VALE À PENA SE A MENTE É PEQUENA!
Não gosto de bancar “aquela que reivindica” a espertalhona... Essas coisas nem combinam com meu senso de ridículo, mas a questão é agravante...
Vale à pena pegar dinheiro emprestado só pra parecer ter, falar um monte de merda só pra falar algo, ou até escrever um post no blog pra demonstrar-se indignada! Rsrs
Como diria a minha mãe (ela tem altos verbetes): “quem muito se abaixa o (...) aparece!” kkkkkkkk
Fica aqui então o meu protótipo de protesto: fora essa cultura de TENHO que fazer, que ir, que usar, falar, ser... Fora essa de Tudo vale à pena... Porque não vale!



Ps.: Eu acredito no testemunho de Cristo: O “cara” andou com quem era a escória (ou seja: sem preconceito, sem acepção) alimentou, curou e libertou... Viveu em meio ao lodo e não se contaminou, ainda por cima pregou em TODO o tempo - de vez em quando usando palavras - a mais simples VERDADE, e quando não estava a fim de discussões vãs, simplesmente não discutia (Mt. 21: 23-27)
Quando vc que resmunga ou cede demais tiver algo nesse nível, vem e me confronta! Tô sempre por aqui.

Ps.2: Esse post foi de 3 dias atrás, mas só pude postar agora.

22 de novembro de 2008

Ruptura

Postado por Keu Azevedo em 22.11.08 1 comentários

Dividem-se as minhas buscas...
E na tábua rosada onde depositei minhas ânsias mais infantis,
Está também o torpor incômodo,
A estratégia que inventei
Pra me sentir menos só.

Repartem-se os meus quereres,
Submultiplicam-se estradas, estradas, estradas...

Quando amanhece, são as rugas que me acordam,
Quando anoitece, são as lágrimas que me embalam o sono.
Estradas, estradas, estradas...

A menina dentro de mim mora numa casa velha
- no fim da rua -
Tem cadeira de balanço e móveis de cabriúva,
Cozinha pra uma pessoa e lê Agatha Christie .
Se intitula a oitava nota musical.

Estradas, estradas, estradas...
Observando tantas tripartições
Vi que o trator horroroso é o mesmo que aplaina;
Que a mãe que belisca é a mesma que resgata;
Que os pobres que incentivam, são os nobres que te deixam.

Estradas, estradas, estradas...

Sei que mais um ciclo se completará em breve,
Sei que os adultos são cansativos e as crianças serelepes demais,
Sei ainda que tenho deixado de saber tanta coisa...
Mas continuo indo... Com preguiça ligeira,
Chinelo de couro e tolerância ao sol quente...
Passeando a custo por essas
Estradas, estradas, estradas...




Ps.: Esse post foi também inspirado num livro que li em 2002 "A MENINA DO FIM DA RUA": um livro de 1973, do escritor estadunidense Laird Koenig. Uma amiga da época - meio gótica e super talentosa - que me emprestou (saudades de tu Pitty, bons tempos aqueles de nossos devaneios c/ Legião Urbana, a gente achava que ia ser pra sempre). Livro muito bom, e a foto da menina na capa me dá medo até hoje...hehehe
Ps.2: Pra quem se interessou: Há também a versão cinematográfica do livro de 1976, com Jodie Foster e Martin Sheen. (sempre prefiro os livros, mas se estiver difícil de achar...) Eu nunca assisti [só pra constar] se alguém vir, me diz se é bom.
ps.3: é VIR mesmo, não escrevi 'errado'.
ps.4: A referência à Agatha Christie é porque eu a lia muito até os 16, 17 anos...

16 de novembro de 2008

Secura

Postado por Keu Azevedo em 16.11.08 3 comentários
Água que nasce do lodo
Poeira tocante de vozes e afã.
Soros de risos contidos
Saciam os aflitos de fome pagã.

Grita, agoniza e morre
De sorte pobre que a vida te fez;
Repousa suarento e não dorme
Folheia os acordes: sua sina e sua tez.

Sofre criança barrenta, magrela, cinzenta
No asfalto gelado.
Sangra de costelas expostas
Se alimenta de prosa
E do cetro calado.

Pede, mastiga uma esmola
Sussurra e cobra
O que te convém.

Esquálido, menino-bandido
Magoado e ferido
Com total sensatez.

Chorem mães abortivas o legado da prole!
Sequem suas lágrimas salgadas
Rastejem, implorem um pouco de ação.

Depois, no Natal da irmandade,
Com sua caridade
Se sacia e abate
Toda indignação.

Martirizam-se nesta vida sem sorte
Perdendo seu norte em meio ao sertão.
Se vê que criança não late
Mas come restolho
Migalhas de cão.


Te resta a pena e o falso
Dos meninos descalços
E as meninas paridas.
De dó, de dor e feridas
Peço nessa vida
Que fique ao novo
Um tantinho de dignidade.




Ps.: Post feito durante aula de Sociologia...

14 de novembro de 2008

Aula de didática

Postado por Keu Azevedo em 14.11.08 5 comentários
Enquanto as horas se deitam sobre a minha preguiça
O ar quente que esforça-se entre as frestas
me dá doses de calmaria pobre.
Quantos discursos eu ouço...
Quantas palavras retorcem-se acima das cadeiras antigas,
das folhas antigas,
dos métodos antigos,
dos homens antigos de hoje.
Estou mais didática agora..
Acho que já posso ensinar!



Ps.: Como o título nada criativo diz, fiz esse "bregueço" ai durante uma aula de didática mesmo... A situação descrita era mais que real: fazia um calor orrível, a aula pra variar tava chata (confesso que as disciplinas de educação me são um tanto enfadonhas, prefiro as de Literatura ou de pordução de texto)... Eu tava ali ouvindo um monte de gente falar de coisas que não vão cumprir na realidade de sala de aula, usando um monte de termos decorados de antes e apresentando soluções de mais antes ainda... Eu acredito na EDUCAÇÃO, mas essas pessoas às vezes me cansam demais!

eitaaaa!

Postado por Keu Azevedo em 14.11.08 1 comentários

Olha povo: algumas considerações...
Primeiro só pra constar, digo que tá mais difícil postar frequentemente agora (não que tenha algum doido p/ passar nesse blog todo dia) mas é que o semestre na UEFS começou a apertar meu juízo c/ tantas leituras, produções e aquelas coisas de sempre (vida de estudante ralé é uma onda...), além disso c/ o trabalho (estagiário vcs sabem como é...) e o finalzinho do curso de LIBRAS e suas avaliações p/ conclusão tem me deixado pirada!
Por isso minha cuca tá fumegante e tico brigou com teco por tempo indeterminado... Então: meus "neuros" tão nada bem.
Agradeço os coments (poucos e valiosos), e peço que aguerdem, vou tentar passar aqui nem que seja pra deixar uma coisinha boba que eu esteja pensando.

No mais é isso aí...

Ah! Vale registrar que assisti hoje uma peça linda de Teatro Popular, uma trupe de Ilhéus-Ba que se apresentou lá na UEFS e tão indo pra temporada em Salvador...Muito bons viu! Com texto irreverente e de cordel (vixe! amO cordel!!!) com direito a violeiro. A peça em suma falava de tema político: crítica refinada ao nosso modelo de democracia e se chamava "TEODORICO MAGESTADE: as últimas horas de um prefeito"... Desde a apresentação do pessoal do "ADUBO - Ou a sutil arte de escoar pelo ralo" (essa falava de morte com humor sarcástico) que assisti mês passado eu não via uma peça tão boa... Ri demais!!! Ótimas atuações também... A trilha sonora nem falo! amO mesmo o teatro, embora eu reconheça que sou boa apenas como apreciadora mesmo.

beijomeliga.

8 de novembro de 2008

A Natureza Das Coisas - Accioly Neto

Postado por Keu Azevedo em 8.11.08 4 comentários
Ô chá, lá, lá, lá, lá
Ô chá, lá, lá, lá, lá

Se avexe não...
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada.

Se avexe não...
A lagarta rasteja
Até o dia em que cria asas.

Se avexe não...
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa.

Se avexe não...
Amanhã ela pára
Na porta da tua casa

Se avexe não...
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá...

Se avexe não...
Observe quem vai
Subindo a ladeira
Seja princesa, seja lavadeira...
Pra ir mais alto
Vai ter que suar.

Ô coisa boa é namorar,
Ô coisa boa é namorar.


Ps.:Tirando os 2 últimos versos da música, ela é o discurso que tenho nesse momento...
Discurso que fala de mim e que falaria abertamente pra qualquer um...
O seguinte é isso aí! hahaha.
Ps.2: Confesso que tenho preconceito c/ muitos tipos de música, mas esse "xote" é lindo em tudo; gosto de alguns xotes, gosto da "música nordestina" de verdade...

7 de novembro de 2008

De serviço

Postado por Keu Azevedo em 7.11.08 4 comentários


Tão pobrezinha dona Lola!
Seus vinte e poucos anos mais lhe pareciam rojões acumulados sobre a fronte; sua maneira dura de desprender as palavras da língua lhe emprestava um aspecto irritadiço.
Lola vivia por onde a fartura não tivesse e a sorte longe passasse.
Em casa de comadre que nem filho tinha, Lola logo aprendeu todas as tarefas de uma moça hospedada: limpava, arrumava, cozia... Banhava-se se desse tempo, comia em pé e dormia em cama de cimento... Menos quando a comadre se ausentava: aí era quando Lola recebia um convite imperativo e, desconfiada, dormia encolhida e dolorida na cama da senhora... Afinal, há que se tratar bem o marido da comadre! Homem é homem, bicho de peso.
O seu Inácio muito não lhe falava, pouca coisa se lhe ouvia, mas tinha mão de urso e olhar de caçador enobrecido. Pobre presa, vida de Lola.
A comadre até queria ter filho, sempre comentava dos novos tratamentos; Lola não entendia bem, mas sabia que era caro, dinheiro de comprar umas cinqüenta passagens das que ela precisava pra voltar para casa que não tinha. Seu Inácio, galo atento, resmungava, mas pagava direitinho, se queria filho ninguém sabe, talvez gostasse mesmo era das viagens da comadre.
Na lata de leite ninho escondida com afinco, Lola guardava dois segredos concretos: a carta que não lia por não sabê-lo e o dinheiro mal contado de seu sustento.
E aquelas três almas viviam suas rotinas: passeios melancólicos por lojas de enxovais, planos suspirantes com uma moça de uniforme, submissão grata que sempre se dissolvia num mar de cansaço.
Noutro dia, findada já algumas tarefas, a comadre cheirando a detergente de maçã - que Lola ouviu dizer vindo do estrangeiro - sempre sorridente e polida, convidara a comadre de uniforme para um passeio. Pelo jardim do espaço bem conservado que beirava o prédio, se daria o colóquio.
A moça cismada, disse que preferia ficar em casa, assistiria aquele doutor que falava tão bonito...
Como a senhora insistira, as duas jovens mulheres desceram as escadas... Uma sem querer ceder à interrogação que havia nos olhos da outra.
Mais uma volta.
Perguntas vindas gaguejadas da garganta. Respostas titubeantes de cílios molhados.
Não deu embolada, a conversa foi de rápida moção: Lola saiu despachada não se sabe pra onde feito pacote pra coleta, e a comadre saiu ainda polida e sem surpresa, mas com um leve prefácio de viuvez na cabeça.

4 de novembro de 2008

Fácil

Postado por Keu Azevedo em 4.11.08 3 comentários

O fácil é tão sem graça...
Tão conseguido, tão em mãos que se torna vulgar.
Minha defesa é para com a labuta, o querer que te arranca suor amargo, a incessante tentativa que te faz ainda mais desejosa (o).
O fácil não te empenha, não te irrita nem te abusa; não te tira o sono e muito menos te enfraquece no esforço para tê-lo.
O ganhado dispensa a peleja, porém o que não é ao menos um pouco laborioso não traz a sensação de recompensa, de identificação com aquilo que tem doses e mais doses da sua própria pupila dilatada.
O árduo te faz forte, o custoso te forja, o penoso te dá os últimos retoques pra essa insanidade que é o mundo lá fora.
Não estou falando de masoquismo ou de autocomiseração...
Estou falando de pulso, de vigor e complacência... E isso não se adquire acariciando gatos ou tomando chá gelado.
Não se molda uma barra de ferro no calor agradável de uma casa de veraneio. Não se muda uma situação complicada esperando que a lua cheia enfim apareça...
O fácil é cômodo e nada didático.
Meu sofá é confortável, minha cama é macia, mas nenhum móvel dura pra sempre... A firmeza dos meus ossos também não.
Eu bem sei quão desgastante é tirar a bunda da almofada, fazer exercícios demanda energia... Mas eu também sei como é ruim uma vida sedentária. A vida fácil de controles-remoto é tão efêmera quanto os comercias da TV.

1 de novembro de 2008

Outoniando

Postado por Keu Azevedo em 1.11.08 3 comentários
Onde estão meus frutos?
Se eu não encontrá-los permanecerei anônima.
Onde estão as polpas?
Quem tem polpa tem pompa.
Os ponteiros que me observam não retrocedem,
Estão sempre ali, afiados como línguas...
As vitaminas são coloridas
Mas a dieta que somos obrigados a seguir,
Essa é sempre preta e branca.
Não posso sonhar doce com um algodão,
Não posso querer bolo senão fico torta,
Não posso nem mascar um chiclete senão viro látex.
Os frutos ao lado estão apodrecendo
E os meus ainda não vieram...
Porque é tão maçante ser pseudo-saudável?
As fábricas já industrializam tudo:
Industrializam suco,
Industrializam frutos,
Industrializam o mundo.
Se me encho de agrotóxicos ainda me acusam!
Cada um cuide do que planta
Adube suas vinhas,
Embeleze sua horta.
Porque, por enquanto,
Eu vou regar minhas flores.


 “A riqueza que nós temos 
ninguém consegue perceber... 
E de pensar nisso tudo, 
eu, homem feito, 
tive medo e 
não consegui dormir.”
Renato Russo

 

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