
"Amores prolixos,
amores de Circo...
Amores amados, amantes sagazes.
Amores infindos, pois que
são amores efêmeros de ficar pra sempre
acampados na memória.”
O que dizer dessas coisas finitas a que a gente se apega? Essas amanças furtivas que cultivamos pelas coisas passageiras... Mera Mania de Afeição. (?)
Há pessoas que perfuram silenciosamente as defesas que impomos e quando nos damos conta, já ocupam o espaço que antes lhes foi negado...
E lá estamos nós a amar coisas e pessoas! A construir cada vez mais laços: uns finos e sibilantes, outros, laços como que trançados de sisal... Rijos e rústicos que em seu viés, escondem uns bocadinhos de doçura pra vida da gente.
Sou a favor de amar, do amor e até da amança melosa em que a gente se vê preso de vez em quando... A amança de dizer um eu te amo constrangido, ou de rasgar aquele eu te amo descontraído de quem ama mesmo, por mais que pareça brincadeira.
Mas sou defensora dos “eu te amo” de quando é amado mesmo... De quando a gente fala sem querer, uma expressão que escapuliu de lá de dentro porque já era difícil conter esse bichinho do amor entre as paredes veladas do coração.
Aí sim, o “eu te amo” tem gosto e graça. Vem de graça, e tem o total despropósito que só é possível àqueles que aprenderam a amar pelo amor e não pelos benefícios e respostas.
Eu posso falar porque sei o que é.
Vivo cercada de amor - e recebo tanto - que retribuir a essa gente que me ama (com todas as minhas moléstias bem cultivadas) é um prazer tão grande que encobre e me permite superar as desavenças, os tempos e os males que mancham os relacionamentos...
Amo com amores vários, e em todos há melodias circenses... Meu coração pastelão não se cansa, ele roga amor e amolece com cada mimo que recebe...
Só me resta ceder a essa amança toda: despretensiosa, trapezística e que trabalho a cada dia para que seja mais intensa, mais sincera, mais suficientemente AMOR.
Sim, esse é um textinho sobre amores... Que tenho tantos e em tantos graus...
Não tenho amores do passado, nem amores velhos. Não tenho amores tenros nem amores neófitos.Tenho simplesmente amores que dançam comigo de vez em quando; uns mais experientes ou mais saudosos, outros mais apaixonantes e calorosos mas todos amores meus, que colhi pessoalmente nessa vida e nesse mundinho de pipoca que Deus me deu.
Não me preocupo mais com a permanência desses seres amados ao meu lado: o meu amor cabe entre fios de telefone, dígitos de sms, letras de teclado, até limites de caracteres... O meu amor aprendeu a caber-se em lágrimas e orações também. Mas principalmente porque o meu amor resiste na lembrança e no lugar onde se originou – dentro de mim – meu amor ainda sofre, mas não precisa de corpos, precisa de pessoas a quem se doar... E quando não puder entregar-se num abraço, vai deitar-se nas minhas pálpebras que se fecham e recordam os momentos de amor infindos que vivi... Eternos e refugiados, porque eu acredito em amores amados pra sempre... Em essência, em tombos, em ausência... Amor que abnegou de certas vaidades pra acampar na alma e no espírito.
Eu acredito no AMOR... É por isso que amO!