18 de dezembro de 2011

Não estou apaixonada, que fique claro

Postado por Keu Azevedo em 18.12.11 1 comentários
Texto para ser lido ao som de 'Só sei dançar com você' da Tulipa Ruiz (feat Criolo) http://www.youtube.com/watch?v=oYj8iwaGwXM


Andam me perguntando se estou apaixonada. E a resposta é NÃO.
Não estou apaixonada e acho lamentável.
...
Só tenho pensado nele nos momentos mais distraídos,
um ramake involuntário das nossas trocas quase infantis de confissões.
Daí eu desejo a voz calma dele... Aquela voz de homem que me faz ficar arrepiada dizendo até o CEP da cidade.
Desejo tanto fazer com ele as caminhadas que detesto, comer comidas saudáveis que detesto, ir a lugares que geralmente não iria, conhecer gente que não estava interessada... Porque com e por ele, deixo meu egocentrismo de molho, dou férias pras minhas excentricidades de vez em quando. E aprontar um pouquinho, pra ele poder me censurar. Porque ele tem a cara brava mais boba do mundo! Porque eu sei que, passada a birra, ele vai me abraçar e dizer que se preocupa tanto... E vai lembrar o quanto a gente se precisa. Com razão. 
Estou consciente de que não é paixão, é apenas uma combinação de almas nuas e cicatrizadas que não estavam se procurando... Mas se encontraram numa esquina e, ao sorrir-se, reconheceram-se. Entrelaçaram os dedos e decidiram seguir... Não sem medo, mas com a ternura de almas nuas que aquecem uma à outra nessas trilhas frias.
Eu no máximo preciso do cheiro dele... O cheiro quente de quando ele me aconchega bem na covinha do pescoço, e fico ali esquecida, com o abraço dele como fortaleza. 
Não é paixão. É só achar que o sorriso dele poderia trazer a paz mundial ou acelerar o aquecimento global uns 50 anos... (porque é isso que eu sinto).
É que eu quero mil beijos de entrada e mais um trilhão deles em suaves prestações; é que eu quero ele nos meus domingos a tarde, segundas pela manhã, sábados à noite... Todas as estações, o tempo de uma vida.
Não é bem paixão o coração passar por todos os estados da matéria num único segundo em que vê o nome dele no visor do celular, porque um SMS ou uma chamada são uma passagem prum mundo que faria Nárnia morrer de inveja.
Então, não estou apaixonada.
É que ele ressignificou minha gramática, afinal, nunca me ensinaram na escola o quão abstrato-infindável-inexplicável pode ser um único pronome possessivo: 'minha' seguido de um adjetivo mimimi qualquer.
Não tô apaixonada, sabe? Mas bem queria estar.
Então, meu nego: acha 'aquele jeito' logo, viu?... Aquele que você prometeu encontrar pra gente dizer pra todo mundo duma vez que NÃO tá apaixonado. Pra gente desmentir essa calúnia ridícula de que há algum envolvimento romântico...
E poder saborear um ao outro com avidez e doçura. 
Porque tu é o meu sonho diurno, a minha NÃO-paixão mais perfeita. E sabe você disso.
'Em cada passo que eu dava nessa dança
ia perdendo a esperança...
Você sacou a minha esquizofrenia
e maneirou na condução.
Toda vez que eu errava você dizia 
pra eu me soltar porque você me conduzia...
Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada,
e no final achei tranquilo
... Só sei dançar com você.'
- Tulipa Ruiz

11 de dezembro de 2011

Tão (só) meu

Postado por Keu Azevedo em 11.12.11 1 comentários

Texto para ser lido ao som de 'Dois' da Tiê.

Posso pedir de Natal teu primeiro 'bom dia' e teu último 'boa noite' o resto da vida?
(Só sei dormir depois do teu 'boa noite'. Mas tenho dificuldade pra pegar no sono porque fico revivendo-o...)
Quero teu sorriso impresso na minha boca. E pensar em você pra suportar as horas espessas do dia.
Ando mastigando uma doce certeza de vai ser muito bonitinho, sabia? Posso sentir na ponta da minha língua que vai.
Tu ensinou pro meu coração o que é velocidade, pro meu corpo o que é sinestesia, pra minha mente o que é abstração, pra minha alma o que é fantasia.
E tem me ensinado que posso ser pra alguém um alguém que eu nem sabia que era.
Adorei quando me dei conta de que você é o meu errado.
Errado mesmo, do tipo 'pode-ferrar-de-vez-com-tudo ou pode-me-fazer-feliz-como-nenhum-outro'.
Pois quando você abriu os olhos logo cedo, bem pertinho dos meus, não sei se era o dia amanhecendo ou se eu nascia. Mas era lindo, era luz.
Daí que hoje eu percebi que não te quero de novo. Me dei conta de que te quero duma forma ainda não querida: te quero imbecil.
Te quero me olhando com uma cara enigmática e trouxa, de cima para baixo enquanto te fito de baixo pra cima, com a cabeça no teu colo... Enquanto me ocupo unicamente em fazer bolinhas de chiclete e tentar te impedir de estourá-las.
Te quero soltando um 'porra, isso dói!' enquanto te encho o saco e rio descontroladamente tentando arrancar pelinhos do teu braço...
Te quero me puxando pra perto com força, me encarando macho, me cheirando e mordendo... Mas parando a centímetros da minha boca pra me deixar louca, pra me fazer avançar o resto.
Eu te quero escorregando na gramática só um pouquinho, preguiçoso um pouquinho, inconvenientemente falante, irritantemente calado...
É certo que a gente tem um lugar um no outro. Então, quando precisar, quero ser teu porto. Quero ser a primeira pessoa pra quem você vai ligar quando estiver chateado demais com todo o resto.
Quero aquele teu 'vem cá, me abraça' quando eu fizer beicinho voltando aos meus 5 anos. Porque quero ser a mulher pro teu desejo e a menina pro teu cuidado.
Eu não preciso de um porre pra ter história pra contar, eu preciso de você comigo reclamando do feriado chato. Eu não preciso de músculos, grandes declarações, camisa passada, eu preciso da gente despreocupado comprando livros em sebos; eu preciso saber que mesmo não estando com você estou contigo da mesma forma.
Pareço romântica e escrevo tanto sobre Amor... Mas no-fundo-no-fundo sou só uma criança fazendo uma redação sobre o seu Bicho-Papão.
Sabe aquele mundo que você me conta? Quero ele contigo. Posso esperar se você prometer que vem. E posso fazer que seja se você disser que vai ser.
Eu te quero tão (só) meu, viu? Talvez essa seja a novidade.

"E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, 
a gente já queria tudo isso desde o inicio."
- Tiê.
 

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