17 de dezembro de 2009

E quando a noite é pra mim (?)

Postado por Keu Azevedo em 17.12.09 3 comentários

No meu quarto eu reflito sobre o Tempo...
Não o tempo corriqueiro, que se dissolve entre essas frestas ampulhetais dos meus dias... O Tempo que imagino ser capoeirista: Entre rasteiras, rabos-de-arraia e ganchos ele me manipula e desequilibra... Ah, eu ainda revido...!
Olho pela janela e percebo outras vidas: Os coqueiros e mangueiras agitam-se lá fora. O Vento os está ensaiando: compassados eles se movimentam num 1,2,3...Eu aposto que é Bolero.
Essa noite de céu escuro, estrelas tímidas e vento frouxo... Noite de calor e de silêncio... Essa noite é cheia de Convites...
Não tenho pressa que a manhã chegue... A noite me enternece.
Eu queria muitas respostas, mas não hoje. Estou sem disposição para perguntas essa noite.
Há um silvo quente ondulando dentro de mim... Ainda sem definição, perdido em sua própria condição de pré-grito... Mas há de romper...
Nunca fui tão Ismália: bebericando a insanidade, seduzida por Luas em Mares que se silhuetaram pra mim... Porém, podo minhas asas... Pra tentar saber onde aterrissar!
Crio consciências: Eu não tenho o tutorial para todas as dobraduras desse mundo de papel, mas, ainda assim, posso criar origamis incríveis!
Aprendo que cada dia terá o mosaico de situações que é comum à passagem das horas... Isso não impede que eu descarte ou acrescente as peças que eu quiser. Sei que sou Feliz... Em meu próprio tabuleiro.
Feliz porque tenho ombros pra prantear, dedos enlaçados para orar e alguns lábios repuxados em sorrisos sinceros pra me lembrar... Os momentos podem ser simplórios e ainda assim incomensuráveis. Como esse, aqui... Sozinha no meu quarto... Olhando o céu pela janela.

8 de dezembro de 2009

Epopéia

Postado por Keu Azevedo em 8.12.09 3 comentários

Existiam duas paredes.
Paredes que se deslocavam em minha direção querendo esmagar-me. Eu não teria forças para contê-las, quebrariam meus ossos... O que eu fiz?...Dei um passo à frente. Livrei-me delas, conservei a sanidade possível. Mas agora estou sem a proteção do concreto.
Porém, continuo andando... Às vezes esse deslocar-se é cansativo... É como mover-se em ruas poeirentas... E começo a me perguntar porque continuo insistentemente trocando os pés de posição...sempre ascendendo...
Talvez pra nada. Minha respiração descompassada, meus olhos ainda semi-abertos... E a mente ali, alerta como um vespeiro.
Só um propósito maior e incompreensível pode continuar impelindo-me... Vasculho minhas memórias à procura de alguma coisa absurda o suficiente... E encontro o Amor recostado despreocupadamente com um copo nas mãos.
Ele nunca fará sentido.
E em mim é desmistificante: quando finalmente consigo catalogar os mais nobres e ínfimos motivos para amar... Descarto-os.
Um a um... E o Amor não se esvai. Permanece sem favores que o sustentem... Um Amor sem tripés, que coexiste suficiente em si.
Não é que eu nunca repense, duvide... Tem dias em que a gente luta, a gente cansa, a gente perde... E quem fica de senhorio é uma tristeza temporã.
Os olhos ficam fracos demais pra sustentar as pálpebras, que num sobe e desce lento, gotejam... Água que vai escorrendo devagar... E desemboca na boca aberta dum pranto mudo... Um eco oco se propagando... Insuficiente para evitar que o ciclo recomece... Choro.
Mas estagnar é impossível pra quem ainda quer viver.
Passadas as primeiras horas turvas, tudo tende ao tédio... Abrindo espaço para a Loucura e a Verdade, juntas numa tomada só. Começo a achar que tudo é tão pouco meu... Tão pouco efetuável...Tão pouco lógico... E eu tanto me preocupo com tudo, que tão pouco faz sentido...
Puro engano.
Interromper meus passos seria como pedir pra meu coração parar de bater e ainda querer continuar viva. Então, paliativamente, deixo o sofrimento gotejar... Pra em doses homeopáticas ser curada.
Pois quanto mais resistimos às circunstâncias loucas que se atiram na nossa frente, mais essa vida vira uma epopéia... É de Sagas e Sinas que montamos esse poema mais ou menos grandioso... Somente Sagas e Sinas... Até o último verso.
Por enquanto, eu caminho... Tentando ir Ininterruptamente em frente.
 

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