
No meu quarto eu reflito sobre o Tempo...
Não o tempo corriqueiro, que se dissolve entre essas frestas ampulhetais dos meus dias... O Tempo que imagino ser capoeirista: Entre rasteiras, rabos-de-arraia e ganchos ele me manipula e desequilibra... Ah, eu ainda revido...!
Olho pela janela e percebo outras vidas: Os coqueiros e mangueiras agitam-se lá fora. O Vento os está ensaiando: compassados eles se movimentam num 1,2,3...Eu aposto que é Bolero.
Essa noite de céu escuro, estrelas tímidas e vento frouxo... Noite de calor e de silêncio... Essa noite é cheia de Convites...
Não tenho pressa que a manhã chegue... A noite me enternece.
Eu queria muitas respostas, mas não hoje. Estou sem disposição para perguntas essa noite.
Há um silvo quente ondulando dentro de mim... Ainda sem definição, perdido em sua própria condição de pré-grito... Mas há de romper...
Nunca fui tão Ismália: bebericando a insanidade, seduzida por Luas em Mares que se silhuetaram pra mim... Porém, podo minhas asas... Pra tentar saber onde aterrissar!
Crio consciências: Eu não tenho o tutorial para todas as dobraduras desse mundo de papel, mas, ainda assim, posso criar origamis incríveis!
Aprendo que cada dia terá o mosaico de situações que é comum à passagem das horas... Isso não impede que eu descarte ou acrescente as peças que eu quiser. Sei que sou Feliz... Em meu próprio tabuleiro.
Feliz porque tenho ombros pra prantear, dedos enlaçados para orar e alguns lábios repuxados em sorrisos sinceros pra me lembrar... Os momentos podem ser simplórios e ainda assim incomensuráveis. Como esse, aqui... Sozinha no meu quarto... Olhando o céu pela janela.