18 de dezembro de 2011

Não estou apaixonada, que fique claro

Postado por Keu Azevedo em 18.12.11 1 comentários
Texto para ser lido ao som de 'Só sei dançar com você' da Tulipa Ruiz (feat Criolo) http://www.youtube.com/watch?v=oYj8iwaGwXM


Andam me perguntando se estou apaixonada. E a resposta é NÃO.
Não estou apaixonada e acho lamentável.
...
Só tenho pensado nele nos momentos mais distraídos,
um ramake involuntário das nossas trocas quase infantis de confissões.
Daí eu desejo a voz calma dele... Aquela voz de homem que me faz ficar arrepiada dizendo até o CEP da cidade.
Desejo tanto fazer com ele as caminhadas que detesto, comer comidas saudáveis que detesto, ir a lugares que geralmente não iria, conhecer gente que não estava interessada... Porque com e por ele, deixo meu egocentrismo de molho, dou férias pras minhas excentricidades de vez em quando. E aprontar um pouquinho, pra ele poder me censurar. Porque ele tem a cara brava mais boba do mundo! Porque eu sei que, passada a birra, ele vai me abraçar e dizer que se preocupa tanto... E vai lembrar o quanto a gente se precisa. Com razão. 
Estou consciente de que não é paixão, é apenas uma combinação de almas nuas e cicatrizadas que não estavam se procurando... Mas se encontraram numa esquina e, ao sorrir-se, reconheceram-se. Entrelaçaram os dedos e decidiram seguir... Não sem medo, mas com a ternura de almas nuas que aquecem uma à outra nessas trilhas frias.
Eu no máximo preciso do cheiro dele... O cheiro quente de quando ele me aconchega bem na covinha do pescoço, e fico ali esquecida, com o abraço dele como fortaleza. 
Não é paixão. É só achar que o sorriso dele poderia trazer a paz mundial ou acelerar o aquecimento global uns 50 anos... (porque é isso que eu sinto).
É que eu quero mil beijos de entrada e mais um trilhão deles em suaves prestações; é que eu quero ele nos meus domingos a tarde, segundas pela manhã, sábados à noite... Todas as estações, o tempo de uma vida.
Não é bem paixão o coração passar por todos os estados da matéria num único segundo em que vê o nome dele no visor do celular, porque um SMS ou uma chamada são uma passagem prum mundo que faria Nárnia morrer de inveja.
Então, não estou apaixonada.
É que ele ressignificou minha gramática, afinal, nunca me ensinaram na escola o quão abstrato-infindável-inexplicável pode ser um único pronome possessivo: 'minha' seguido de um adjetivo mimimi qualquer.
Não tô apaixonada, sabe? Mas bem queria estar.
Então, meu nego: acha 'aquele jeito' logo, viu?... Aquele que você prometeu encontrar pra gente dizer pra todo mundo duma vez que NÃO tá apaixonado. Pra gente desmentir essa calúnia ridícula de que há algum envolvimento romântico...
E poder saborear um ao outro com avidez e doçura. 
Porque tu é o meu sonho diurno, a minha NÃO-paixão mais perfeita. E sabe você disso.
'Em cada passo que eu dava nessa dança
ia perdendo a esperança...
Você sacou a minha esquizofrenia
e maneirou na condução.
Toda vez que eu errava você dizia 
pra eu me soltar porque você me conduzia...
Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada,
e no final achei tranquilo
... Só sei dançar com você.'
- Tulipa Ruiz

11 de dezembro de 2011

Tão (só) meu

Postado por Keu Azevedo em 11.12.11 1 comentários

Texto para ser lido ao som de 'Dois' da Tiê.

Posso pedir de Natal teu primeiro 'bom dia' e teu último 'boa noite' o resto da vida?
(Só sei dormir depois do teu 'boa noite'. Mas tenho dificuldade pra pegar no sono porque fico revivendo-o...)
Quero teu sorriso impresso na minha boca. E pensar em você pra suportar as horas espessas do dia.
Ando mastigando uma doce certeza de vai ser muito bonitinho, sabia? Posso sentir na ponta da minha língua que vai.
Tu ensinou pro meu coração o que é velocidade, pro meu corpo o que é sinestesia, pra minha mente o que é abstração, pra minha alma o que é fantasia.
E tem me ensinado que posso ser pra alguém um alguém que eu nem sabia que era.
Adorei quando me dei conta de que você é o meu errado.
Errado mesmo, do tipo 'pode-ferrar-de-vez-com-tudo ou pode-me-fazer-feliz-como-nenhum-outro'.
Pois quando você abriu os olhos logo cedo, bem pertinho dos meus, não sei se era o dia amanhecendo ou se eu nascia. Mas era lindo, era luz.
Daí que hoje eu percebi que não te quero de novo. Me dei conta de que te quero duma forma ainda não querida: te quero imbecil.
Te quero me olhando com uma cara enigmática e trouxa, de cima para baixo enquanto te fito de baixo pra cima, com a cabeça no teu colo... Enquanto me ocupo unicamente em fazer bolinhas de chiclete e tentar te impedir de estourá-las.
Te quero soltando um 'porra, isso dói!' enquanto te encho o saco e rio descontroladamente tentando arrancar pelinhos do teu braço...
Te quero me puxando pra perto com força, me encarando macho, me cheirando e mordendo... Mas parando a centímetros da minha boca pra me deixar louca, pra me fazer avançar o resto.
Eu te quero escorregando na gramática só um pouquinho, preguiçoso um pouquinho, inconvenientemente falante, irritantemente calado...
É certo que a gente tem um lugar um no outro. Então, quando precisar, quero ser teu porto. Quero ser a primeira pessoa pra quem você vai ligar quando estiver chateado demais com todo o resto.
Quero aquele teu 'vem cá, me abraça' quando eu fizer beicinho voltando aos meus 5 anos. Porque quero ser a mulher pro teu desejo e a menina pro teu cuidado.
Eu não preciso de um porre pra ter história pra contar, eu preciso de você comigo reclamando do feriado chato. Eu não preciso de músculos, grandes declarações, camisa passada, eu preciso da gente despreocupado comprando livros em sebos; eu preciso saber que mesmo não estando com você estou contigo da mesma forma.
Pareço romântica e escrevo tanto sobre Amor... Mas no-fundo-no-fundo sou só uma criança fazendo uma redação sobre o seu Bicho-Papão.
Sabe aquele mundo que você me conta? Quero ele contigo. Posso esperar se você prometer que vem. E posso fazer que seja se você disser que vai ser.
Eu te quero tão (só) meu, viu? Talvez essa seja a novidade.

"E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, 
a gente já queria tudo isso desde o inicio."
- Tiê.

27 de novembro de 2011

Só porque você faz meu tipo

Postado por Keu Azevedo em 27.11.11 2 comentários

Ando com vontade de paz. Planejo dormir uma semana inteira.
E daí que eu só pensei: pode ser no teu peito?
Vontade de ser linda contigo, vontade de fazer tuas vontades...
Já disse que adoro a tua boca limpa? E o jeito que você põe reticências quando a gente se fala no telefone.(?)
E que teu sorriso fica ainda mais lindo quando o desarrumo com minha boca.(?)
Já disse que adoro te provocar e adoro mais ainda quando você nem se dá conta disso?
Já disse que morro de amores pelo teu R retroflexo e que meu coração dá uma aquecida instantânea toda vez que meu celular avisa um SMS teu?
Que adoro quando sento no teu colo e tu brinca com a bainha do meu vestido...
Quando tira o pauzinho que prende meu cabelo e, mesmo só tendo nós dois, faz a cara mais convincente do mundo de que não é o culpado.
((Deixa eu te tomar?))
Ficava me perguntando por que justo você. Mas lá dentro (na quina mais dolorosa e estreita) eu sabia que tinha que ser complicado assim...
Que teriam doses e mais doses de negação, impedimento, dúvida e mais mil e uma medices que eu criaria até ceder e cair inteira sendo Sim.
Só que chega uma hora que é preciso parar de pose e deixar o salto da insegurança enganchar e quebrar nalguma fresta sacana do caminho...
Daí cair meio tonta e sem graça direto em você. Porque se doer depois, se ficar alguma mancha arroxeada...
Putz! Terá valido o teu abraço meio improvisado e teu sorriso meio torto me segurando, terá valido pelo teu carinho de 'tinha que ser, né?'.
Então, acho que relaxei, sabe? Sem as vis preocupações se será eterno. Só sei que vai ser.
...E o que vai ter de gente mordendo a língua quando a gente passar correndo feito crianças e trombando um no outro, hein? Compartilhando a imbecilidade deliciosa que só os apaixonados sentem...
E o que vai ter de gente dizendo que é loucura nossa, mas rezando todo dia pra Deus atirar do ceú uma loucurazinha igual a essa pra enxertar de vida a vida.
E o qual vai ser a cara de quem repetia entufado "é uma chance em um milhão" quando perceber que somos a uma...
Há bastante coisa pra gente se ensinar, um montão pra gente sentir e uma inumerável quantidade de babozeiras perfeitas pra gente fazer...
Daí que serão dias a fio com sorvete no nariz, saco de dormir numa p** de programa de índio, jujubas e jabuticabas... Você dissipando meus 'eu nunca' e eu acabando com teus 'jamais pensei'.
E vezemquando vai rolar aquele mau humor, aquele ciúme, aquele 'tá errado' e aqueles "que merda que eu falei"...
E tomara que tenha mesmo. Porque não é bonito, cafona, gostoso e inesquecível se não tiver intriga.
E eu prometo esconder teus chinelos ou não entregar as chaves quando tu tiver apressado até que me encha de beijos; prometo acordar e não sair da cama porque percebi que você levantou cedo e de fininho pra me preparar o café.
E eu prometo (sem dedinhos cruzados e tudo) dizer que sou tua toda vez que alguém perguntar.
Sei lá, acho que a nossa receita é boa: tem aspiração e suspiros, tem cara de filme pastelão da sessão da tarde, tem a história do beijo na boca nas bodas de ouro, tem tensão pré-vestibular, sensação de vento no rosto quando se pedala bem rápido...
Tem o carinho das mãozinhas duma criança que abraça, tem atração de gente grande e uma generosa pitada apimentada de diferenças no meio disso tudo.
Acho que a gente deve provar, né?
Põe uma roupa leve, tô te esprando de camiseta e shortinho...
Vamos dar uma volta, sem pressa e sem catastrofizar nada.
(Mas sem síntese também, não sou de poupar, você sabe disso)
Se fizer sol a gente se beija na rua, se chover a gente beija na chuva, se não fizer nada a gente beija do mesmo jeito porque assim, sem querer te dar muita bola, mas você faz meu tipo. E muito.

"Eu só quero ser feliz e viver tranquila. 
Eu só quero fazer minhas coisas 
da melhor maneira possível 
e ter um moço bonzinho 
que me leve pra ver o pôr-do-sol 
no fim de tarde."
(Tati Bernardi)

18 de novembro de 2011

Fica

Postado por Keu Azevedo em 18.11.11 3 comentários

Tô assim numa fase me curtindo, sabe? 
Acho que nunca tinha me sentido tão dona de mim. 
Por isso a ideia de a gente um no outro é tanto desaforo! 
... Mas como é que eu proíbo meu coração de dar pulinhos enérgicos toda vez que tu me diz 'que me quer e que se dá?'
Tenho muito a esconder, muito. Todos os segredos em diferentes níveis de profundidade...
... Alguns tu pode tocar logo abaixo da minha blusa. 
Outros (os piores) vai precisar continuar o caminho carne à dentro;
é no meu coração que escondo os segredos medrosos, é a minha alma que te constranjo a desvendar.
Promete que cala minha boca com a tua?
Promete ser bom em me mimar, ágil em me despir e incapaz de me doer?
Você me quer me sabendo toda errada, eu te quero te sabendo um lesado. 
Daí bate um medo de dar nome a essa querança toda.
Porque eu quero o cheirinho do teu pescoço, 
quero minha língua desenhando curvas invisíveis na parte de trás da tua orelha...
Quero o carinho distraído de meus dedos sobre o cabelinho curtinho da tua nuca...
Quero ser a posse das tuas mãos, e que elas reivindiquem de imediato 
e em completude o que lhes pertence...
Quero te olhar. Apenas te olhar... 
E num silêncio desembaraçado te fazer entender o quanto sou tua.
Posso jurar que não te queria, mas agora fica, tá?
Fica pra gente descobrir quais impossíveis podemos subjugar.


"Me traz você, por favor. 
E leva embora todas essas coisas chatas 
que só servem para ocupar 
minhas horas enquanto você não chega." 
(Tati Bernardi)

14 de novembro de 2011

O que é a inveja

Postado por Keu Azevedo em 14.11.11 7 comentários
Texto para ser lido ao som de 'O que se quer' da Marisa Monte
 (feat Rodrigo Amarante)

Tantos universos paralelos e eu só queria estar no que a gente se encontra.
Minha vida não depende da tua. Mas agora eu só consigo imaginá-la contigo.
Tenho inveja de qualquer pessoa que te vê na rua da forma mais casual. Que pode te observar no teu jeito mais distraído, que te tem ao alcance de um assovio e poderá ver a tua expressão surpresa e sem jeito, voltando-se a esse tipo de chamado meio que por reflexo.
Tenho inveja de quem senta ao teu lado numa sala de espera e fica sentindo teu cheiro de meu, reparando (até sem interesse) no jeito calmo como tu olha em volta e ao mesmo tempo a forma impaciente com que passa os dedos no cabelo... 
Tenho inveja do braço estranho que roça o teu, que sente os teus pêlos... Tenho inveja de quem pode ouvir tua voz de homem educado perguntando pra recepcionista se vai demorar muito...
Tenho inveja de quem pode sorrir pra você, mesmo que por conveniência, e receber (meu Deus, como invejo!) um sorriso teu de resposta. Tenho inveja de quem pode ter aquele teu "me espera, tô chegando" mais irritante do mundo... Mas que é recompensado por um você lindo com carinha de desculpas quando finalmente chega.
Tenho inveja de quem pode trombar contigo numa esquina e ter teu corpo ao encontro mesmo que tão rápido; tenho inveja de quem pega uma carona contigo e joga conversa fora no final da tarde enquanto tu dirige sem muito assunto, pensando em qualquer outro lugar, em qualquer outra coisa louca, em qualquer fotografia, em qualquer bebida, no teu cachorro, no calor, em mim...
Tenho inveja de qualquer coisa ou pessoa que te tenha por 5 minutos completos, que colha um pouco da tua dedicação sincera, que mereça teu afeto, que te viva, que te prenda, que tu use, que te sinta... 
Tenho inveja das faces que tu beija que não são a minha (e que sejam faces, que sejam apenas faces!), tenho inveja da camisa preferida que tu separa um dia antes, e que vai te deixar confortável e seguro feito um menino bobo... Tão parecido como quando te abraço pelo pescoço. E tenho inveja, (uma inveja ridícula da qual não me orgulho) do colo materno que é teu refúgio. Porque não é o meu colo, porque não sou eu. Porque não é em mim que tu vai encostar a cabeça, deixar cair alguma lágrima... Porque não é sobre mim que vai repousar o teu corpo. Porque não é meu o carinho e o consolo, o beijo amoroso que vai aquietar teu espírito. 
Tenho inveja da tua cama que te tem todas as noites, porque eu reduziria voluntariamente as minhas milhares de noites por um punhados delas bem gastas ao teu lado. Tenho inveja das manhãs bonitas que te fazem espreguiçar e ter um desejo de mundo, porque eu quero mais dos teus desejos pra mim, em mim, comigo. Tenho inveja, tenho muita inveja, tenho ciúmes da distância com quem sou obrigada a te dividir, tenho um afã de tua inteireza, de você e bregamente você.
Arruma isso, vai... Chega aqui bem perto e me diz que sou idiota, que penso demais, que vai ter final feliz sabor glacê e beijo na chuva. Que minha cintura e meus quadris vão ser sempre a travessia eleita das tuas mãos, que minha boca vai ser o ancoradouro dos teus melhores beijos, que eu vou poder me esconder no teu abraço, que ainda vou brigar muito contigo por despentear a minha franja, que tu ainda vai rir muito das minhas meias de bichinho. Promete que mesmo com o tempo ainda vai deixar eu achar que mando, que ainda vai fazer cada célula nervosa minha pular uma micareta atrás da outra sempre a gente caminhar de mãos dadas, que ainda vai ser capaz de deixar meu corpo todo arrepiado falando até a fórmula de Bháskara no meu ouvido. Promete que vai me ensinar a ser uma família, a comer direitinho, a sonhar a dois, a ser um em vários momentos, formas e posições.
Me conta se alguma coisa também te diz que a gente vai dar certo.
E eu prometo que, sendo assim, inveja nunca mais.

28 de outubro de 2011

À tua beleza

Postado por Keu Azevedo em 28.10.11 1 comentários


Quer parar de ser lindo comigo?
Porque me irrita a forma fácil com que me arranca suspiros.
E você não respeita os muros que ergo, atleta tu, escalando-os com teu ‘me gostar’ impetuoso, conquistador soberano da torre dos meus desejos.
Para de desmontar meus argumentos medrosos com esse teu jeitinho quixotesco de ver a gente... Para de ficar aí seguindo o script dos meus sonhos mais teens!
Porque me incomoda como tu mexe comigo, e fala esse ‘eu-te-quero-eu-te-espero’ como se fosse a coisa mais simples do mundo.
Tá certo que teu sarcasmo é um charme, que você tem o sorriso mais infantilmente bonitinho que já vi, e que adoro essa tua pintinha quase feminina, que convida meu beijo te provocando sem volta.
Para de ser lindo comigo porque eu já gosto tanto de você...
Você é meu inalcançável. Uma pena isso, não? Todo dia quando você me diz boa noite fica uma ausência que eu não tinha.
Quer devolver meu 'Allegro ma no tropo'? Era mais confortável o marasmo que eu tinha antes dessa esperança infantil que você me injetou. Tu chegou num salto e agora não sai, difícil relutar com essa tua presença gostosa...
Meu Deus, como eu queria me livrar de você! Como eu queria não rir sozinha lembrando de alguma conversa nossa, nem ter que mudar de assunto rapidamente porque tô tentando empurrar meu coração guela à baixo, depois da emancipação que ele teve com alguma declarçãozinha indireta tua.
E eu nem sei se a gente vai dar certo, (eu nem sei o que é o certo) mas eu sei que eu te cobriria de SIM’s, que eu quero tomar nota da gente pra lembrar quando o mundo ameaçar-me com uma descrença qualquer: porque você é a utopia mais linda que eu já tive.
Quero teu abraço inexpirável na mesma proporção que te quero censurando minha confusão; quero teu ciúme bobo assim como quero teu beijo pra meu despertador. Quero refeições contigo, silêncio contigo, e se com tudo isso não desistir, quero amor contigo também.
Até tiro meu salto, meu orgulho, minha sem-gracice e minha cabeça-dura. Dá um sinal de que vai valer à pena e eu tiro até minha insegurança pra você dar a ela o fim cinematográfico que quiser.
Eu preciso não posar pra ti e te contrariar falando mal de tuas músicas indie, eu preciso ser um desastre completo na cozinha e cobrar diariamente o teu mimo pra manter-me mal acostumada, eu preciso me divertir te tirando pra dançar ou fazendo chacota desse teu ar de ‘reservado’.
Quero opinar nas tuas roupas, te beijar a nuca, brigar pra que você tire as cutículas mas não faça a barba. Quero o vinho que me prometeu e as noites que me prometeu. E eu quero desfrutar de tudo, esbanjar tudo, quero você pra meu excesso (posso pagar comigo? Deixa-me ser tua moeda). 
A minha consciência superprotetora te reprime, mas você é o meu risco mais bonito. Então vem e fica: um dia, um final de semana... Uma vida. Porque, dizem por aí, viver sem risco e sem beleza não tem graça.

"No nosso livro, 
a nossa história é faz de conta 
ou é faz acontecer?"
- O Teatro Mágico

19 de outubro de 2011

Furta-cor

Postado por Keu Azevedo em 19.10.11 3 comentários

Sou mesmo dona duma mente sóbria e um coração ébrio.
Penso em ti com a mesma leveza da folha inocente que se desprendeu e vem pousar silenciosa no ombro de um transeunte...
Penso em ti com a fluidez de um corregozinho que em sua paciência passa límpido e convidativo pelas horas...
Penso em ti como o cheiro mais gostoso da terra ao primeiro sinal de chuva, como a textura levemente arrepiada da pele após o banho frio...
Penso em ti como o sol tímido da manhã que chega na ponta dos pés, como o sorriso constrangido e satisfeito após o elogio anos esperado...
Mas o meu coração... Não sei o que fazer com ele. Não há leveza ou tranquilidade a teu respeito... Meu coração só ferve e esperneia à tua presença. E ele te quer: imediato, intenso e fatalmente aqui, entregue de si e receptor de mim.
Tu é meu improviso, é aquela porção de amor que eu nem sabia que podia sentir, e veio. E tu existe em mim. Carece mais de prova não, tô entregando os pontos: vem colorir essa bandeira branca que tô acenando com o furta-cor dos teus beijos.

'Taí. Tá bom. O amor venceu. 
Você venceu. Venceu. Venceu. Venceu. 
E eu acabo de descobrir, simples assim, 
a única maneira de me livrar desse sentimento: 
aceitando ele, parando de querer ganhar dele. 
Te amo mesmo, talvez pra sempre.'
~ (Tati Bernardi)

16 de outubro de 2011

Dedico-te

Postado por Keu Azevedo em 16.10.11 1 comentários

Dedico-te o meu abrir de olhos sonolento nas primeiras horas do dia, aquele olhar que a luz do quarto vai vagarosamente guiando à tua procura.
Dedico-te cada gotícula do perfume que coloco esperando que você venha sentir de perto, cada tom da minha maquiagem, cada retoque do meu batom que teus lábios desgastam, cada peça que visto imaginando teu caminho para tirá-las.
Dedico-te as tardes mornas de domingo e as noites frias de segunda para que você as aqueça.
Porque é você que eu procuro inquieta na cama vazia, é em você que eu penso enquanto tamborilo com os dedos na mesa perdendo a atenção no resto do mundo.
Porque você inebria meu coração da forma mais sorrateira, me faz te querer da forma mais patética e tem me tornado feliz da forma mais despretensiosa.
Então eu só queria que você tomasse nota: tô te dedicando, tô me dedicando. Tô te escolhendo. Pra você saber que tenho te amado boba.
Só mais uma coisa: não tenho saco pra informações repetidas, mas você pode me dizer 'eu te amo' quantas vezes quiser.

13 de outubro de 2011

Por não ser você

Postado por Keu Azevedo em 13.10.11 1 comentários

Texto para ser lido ao som de "French Navy" de Camera Obscura.
http://www.youtube.com/watch?v=O3CkfvYMCWM&feature=player_embedded     

Já foi mais divertida a tua procura, agora me parece enfadonha a tua espera. Larga mão de ficar no meu sonho e vem!
Às vezes me pego pensando em cenas recortadas, como que vistas por frestas... Cenas nossas, admito.
A mais bonita delas ainda é a de nossas mãos dadas, movendo-se lentamente enquanto caminhamos em silêncio. Apenas as nossas mãos dadas vistas à meia distância. E um mundo todo girando em torno de um toque.
Nossos dedos entrelaçados, nossas almas resvalando uma na outra... Poderia sentir a textura das tuas digitais acariciando as costas das minhas mãos bem devagar, algum movimento circular ordenando a rotação do planeta, aposto. E levemente a tua mão na minha provocaria arrepios que deduzo pelos pêlos ouriçados dos teus dedos, pelos quase imperceptíveis espasmos dos meus músculos enquanto aperto-te um pouco mais...
Mas eu vi apenas o que não existia. Quer vir fazer acontecer?
Quanto tempo perdemos com tarefas ínfimas... E quais tarefas não são ínfimas quando estamos longe um do outro?
É um desperdício não poder te mostrar o estrago bobo que teu olhar faz quando posto sobre mim. Não é que eu não queira o teu corpo sobre o meu, é que quero ainda (e muito) mais a tua vida aquecendo a minha.
E você pode me dar teus beijos, dê-me-os. Dê-me tantos e longos. Mas oferte-me principalmente o teu amor inócuo. Terás-me toda, em troca.
Cadê o meu lar nos teus braços que não está me protegendo agora?
Bem que podia ser teu esse ombro roçando no meu nesse fim de tarde... Bem que podia ser tua essa voz bem pertinho comentando qualquer coisa sobre a demora até o final de semana, bem que podia ser tua essa mecha de cabelo com que o vento brinca, e esse sorriso malicioso que finjo não notar; bem que podia ser você aqui comigo. Bem que podia ser você agora... Preu deitar no teu ombro, deixar tua conversa me embalar e assentir boba pensando em interromper tuas palavras com meu beijo. E se fosse você eu mexeria no teu cabelo da forma mais carinhosa possivel sem a mínima intenção de arrumá-lo, porque gosto da tua bagunça...
Se fosse teu (só teu) esse olhar malicioso, eu responderia da forma mais reciprocamente maliciosa possível, te autorizando a ir em frente... Mas nada é teu. E você não está aqui... Se eu te guardar o meu desejo você promete que busca?

9 de outubro de 2011

Até a sua volta

Postado por Keu Azevedo em 9.10.11 3 comentários
Texto para ser lido ao som de "Stolen Moments" com Alicia Keys.

Eu não culpo ninguém além da culpa sacana que me toma por cada vez que não me permiti ser tua.
Se tem uma lição que nunca aprendi é 'vale mais um passarinho na mão que dois voando'. Geralmente esmago o que tenho na mão, ignoro o que voa mais perto e fico esperando o que já está voando pra longe.
Sou correta demais, por isso é tão difícil achar a resposta.
Sinto sua falta agora. Talvez seja a noite começando ou o sábado. Eu poderia culpar qualquer coisa, a sua falta ainda estaria aqui. E você não.
Sinto falta de você me olhando enviesado enquanto eu fingia estar concentrada em qualquer outra coisa... Sinto falta de você me dizendo meio enfezado que eu não entendo de futebol sempre que eu conseguia te vencer nas discussões sobre o assunto; sinto falta de te beijar o rosto inteiro mas não a boca, só pra ouvir os teus protestos... E então te deixar me beijar devagar, vencedor. Sinto falta da gente tentando cantar aquela música famosa e rindo alto do insucesso... Não tinjo lembranças, elas serão da cor que os momentos o foram. Não remendo momentos passados, eles terão o formato irregular que os fizeram dignos de lembrança, mas acontece que o desejo é a interseção entre o Real e o Improvável. E o desejo é tudo que tenho aqui.
Às vezes a gente tem medo de se doar pelo risco eminente de ser jogado fora. O tempo perdido não será tempo perdido se você aprender com ele a não desperdiçá-lo mais. Então, onde é que a gente penhora todos os beijos de adeus por beijos de chegada?
Das coisas boas da vida: gente que te fala com o coração e diz pro teu se sentir em casa. Você fez isso e hoje eu te reconheço em mim. Olho-me e identifico pedaços teus, cheiros teus, palavras tuas... E rio um pouco do teu sorriso, - que em mim é estranhamente triste - achando toda essa bobagem amor-frankenstein a coisa mais fantástica do mundo.
Presença que vicia, ausência que angustia.
Assim como todos os produtos, sentimentos mal resolvidos deveriam ter prazo de validade. Você exigiu que eu não fosse. Respondi que iria assim mesmo. Agora que não fui, cadê você pra me sorrir vitorioso?
Não tenho muita coisa a perder, mas de todas, de todas elas... Perder a esperança me aterroriza. Perdi papéis, pessoas, lugares, afetos, certezas... Mas não foi o tempo que as tirou de mim. O tempo só toma de nós as coisas que deixamos frouxas.  (Ele me tomou você? Pergunto-me.) A verdade às vezes é como uma moça feia com um coração puro: pode não encher os olhos, mas é a companhia certa e mais digna que se pode ter.
Nunca tive problemas com minha pequenez. Via nela até certo charme... Até o dia em que amei coisas que não podia alcançar.
Não sei disfarçar desconforto, não sei camuflar desagrado. Não sei forjar amor. Sou irritantemente desteatralizada com sentimentos. Cadê teu casaco desproporcionalmente perfeito em mim? Cadê tua mão afastando o cabelo do meu pescoço e tua voz calma preparando o terreno pros teus beijos? (embora me esforce, não consigo lembrar o que me dizias... a proximidade da tua boca com meu ouvido, a lembrança do teu hálito aquecendo minha nuca... O que são mesmo palavras?)
 Sempre gostei do teu sorriso. A verdade é que ainda gosto. Só não acho que tua boca fica assim tão perfeita longe da minha.
Não se trata de desilusão. É de um coração com cãibra que estou falando.
Em sendo nativos ou estudiosos, a vida é um idioma no qual nunca conseguiremos a devida fluência. Não me mande flores. (não as mande mais!) Traz-me tu ou deixe-as a outras. Mais importante que as flores são o teu olhar a entregar-mas.
Acho duma imperdoável audácia essas flores sorrindo em cores anunciando a primavera que você não passará ao meu lado. Toda lembrança reduzida aos desenhos feitos distraidamente na borda das páginas... Eu te contaria que voltei a escrever, exatamente como você queria. Eu te contaria se você me ligasse pra falar horas e horas como antes, eu te contaria se você tivesse coragem de me olhar e não preferisse mandar e-mails cordiais.
Ontem foi sexta-feira, minha folga como sempre, lembra? Mas você não apareceu pra me obrigar a sair da cama e ficar linda pra almoçar contigo. E depois, abraçados, eu te perguntaria mil vezes se você tem mesmo que voltar ao trabalho... E você precisaria correr um pouco, pisando no acelerador com um sorriso idiota de canto, ao lembrar que o motivo do teu atraso eram os meus beijos que ainda fervilhavam na tua orelha e meu gosto que ainda seria sentido quando você umedecesse os lábios.
Em dias opacos como hoje, bastaria teu abraço sincero pra me fazer reconsiderar todas as cores. Ou o teu carinho fora de hora e a gente naturalmente quietos depois de ter estado ofegantes há alguns instantes atrás.
 Não sejamos fantasiosos: pessoas inteiras não existem. Inteireza requer uma obra acabada. Troco essa semana inteira pelas tuas mãos na minha cintura e essa primavera inteira pelo teu beijo de boa noite.
Acho que vou dormir mais cedo, tenho feito muito isso. E vou me assustar várias vezes à noite, coração desperto em expectativa confundindo qualquer som na rua com o das tuas chaves abrindo a porta... Mas onde você estiver agora, esquece que te mandei ir e volta.

1 de outubro de 2011

Gota

Postado por Keu Azevedo em 1.10.11 2 comentários


E as minhas mãos em concha esperando-te cair...Tu, gota do céu. Por que tardas? ...
- Espero a hora certa para atirar-me daqui, e se tem que ser só um o meu último repouso, teu será.
- Mas olhe, não me vê? Estendo meus braços, em cãibras te desejo.
- Sim, vejo a ti e atrai-me teu sacrifício. Mas recolhe tuas mãos, 
aguarda mais um pouco. Que eu hei de lançar-me... 
Não em tuas mãos. Serei gota reluzida e molhada que umedece teus lábios. 
Meu corpo em carícia e morte, pra sempre só teu.*


*Um texto de janeiro de 2011 que só havia sido postado no twitter.

30 de agosto de 2011

O você que é meu

Postado por Keu Azevedo em 30.8.11 4 comentários

Texto para ser lido ao som de 'Vermelho'
da Vanessa Da Mata

Assustam-me e deliciam-me os rumos inoportunos que a vida dá.
I miss you, I need you. And if I do not have you, how can I believe in balance in the world?
Das coisas tensas: polissemia sentimental. É isso que você me causa. Sinto tantas - e indefinidas - coisas ao seu respeito... E tudo só se intensifica quando você diz as coisas mais confusas, toma as atitudes mais improváveis... Caminha na minha direção me olhando direto e profundo, enquanto te mando recuar. E você não recua. E eu vou te querendo cada vez mais perto.
Não me pergunte se deve ou se pode vir, apenas venha. Não sou boa com concessões... Por isso espero ansiosamente a tua invasão.
Se você temia o caos, o que sente agora? Agora que cada beijo nosso é uma vida.
‘Felicidade é perecível e vem em pequenas porções. Degustemo-na de imediato’ Foi o que você me disse. Pelo menos foi o que acho que você me disse, confesso que fico desconcertada com tua voz.
Teu nome comum fica brincando na minha língua... Tão comum, tão comum... E de repente tão grande, tão cheio... Dou-lhe tantos significados que o você do teu nome me pertence.
‘Tu descobre inúmeros defeitos nele. Percebe que é ele que tu tá descobrindo nos defeitos. E então, visto tudo, decide ficar. Isso é amor.’ Me peguei dizendo isso, acredita? Nada demais. O problema é que não foi uma idéia abstrata, eu falava de uma pesssoa.
O Amor é em si um aglomerado, uma amplitude sacana: é instância, estado, é anímico, carnal, idiossincrasia, puerícia... E, mais recentemente, o Amor pra mim tem sido você.
Por isso eu trocaria esse agosto inteiro pelo sorriso teu (e só teu) aqui. Agora. Uns 5 segundos daquela paz... Sim, valeria.
Teu jeito desleixado de sentar, teu casaco cinza surrado, teu allstar puído... E os óculos impecáveis contrastando com o resto.
Adoro tua cara de segunda-feira. Tua cara de segunda-feira a semana toda...
A barba manchando a cara, os olhos constantemente amassados quando sorri, o cabelo curto e mal educado, teu cheiro de casa...
E eu nem sabia que amava isso tudo. (e me dizem que não coisas comuns de se amar, que seja!) Amei somente em você.
Eu sempre escrevi sobre gente que não existia, amores que não existiam. Aí você existiu. E desalfabetizou-me.

11 de agosto de 2011

Wish

Postado por Keu Azevedo em 11.8.11 2 comentários

Texto para ser lido ao som de 'Wish'  da Tirzah Lemmens.
http://www.myspace.com/tirzahlemmens/music/songs/wish-51011576

Caio. Mas tenho levantado cada vez melhor. E se posso confessar, tenho até caído com mais classe. Se vale à pena? Penso que o amor é o capricho sine qua non da humanidade.
Cada um que aprenda a lidar com a incompletude e as antipatias de ser quem é. Então, REMEDIAR, por favor. Porque de prevenir já estou cheia.
Ando uma soma de vontades.
Uma vontade louca de desenjaular o desejo de ti e me deixar correr direto pra você. Uma vontade louca de te amar irresponsavelmente, te beijar imoderadamente, de te abraçar prolongadamente... Porque a nossa intemperança é a coisa mais gostosa do mundo!
Você sabe como sou, o quanto não entendo de medidas, sabe que detesto mornidão. Ou me abraça de verdade ou não me toca. Dispenso a formalidade de um contato que eu não te sinta ao meu encontro como vou ao teu. Toda essa coisa de 'matar um leão por dia' embora fabulosa em excesso, fica bem mais bonita quando se tem companhia para caçar.
Por isso hoje quero mais do que nunca olhar na tua cara e dizer bem devagar o quanto acho lindo te ver sorrir... E querer conferir bem de perto se a caixinha que abriga esse sorriso perfeito é tão doce quanto iluminada...
Só não me faça promessas. Por favor, não as faça. Sou irremediavelmente crente. E as pessoas irremediavelmente falhas. Podemos apenas viver? Deixa roçar a tua esperança no meu coração cansado até que arrepie-me a vida.
Para o coração faminto atenção é banquete, beijo é oásis.
Em teus braços há o antagonismo mais gostoso: cafuné que me embala o sono, língua quente que me incita a despertar... E tudo recomeça. Inclina tua alma sobre a minha, que eu sinta pesar teu desejo, que me aqueça e embale a tua forma. Alma à alma, deleitemo-nos.
São tempos difíceis esse em que é muito you and me pra pouco both. Mas sejamos fortes e ignorantes.
Te comprei um cartão. Era colorido demais e me senti idiota... Tinha uns balões soltos... Recortei o desenho, pensei em você adolescentemente e na tua mania de palavras... Escrevi meu próprio recado:
Não há mais 'Felicidade' no dicionário da minha vida... - você a libertou - Ela é palpável agora.

22 de julho de 2011

I Do

Postado por Keu Azevedo em 22.7.11 6 comentários

Texto para ser lido ao som de "I Do" da 

Colbie Caillat  

 http://www.youtube.com/watch?v=E0oyglKjbFQ&feature=player_embedded


Acho injusta essa ressaca duma vida que não bebi.
- O que deseja?
- Esperança. Em baldes, por favor.
Não é que as coisas estejam irremediáveis nem nada, é quando o amor chega, ele despenteia cada fiozinho do interior da gente. E você acaba ficando tão tolamente esperançoso que, ao querer dividir com o resto, se dá conta da demanda maior que imaginava.
Impus uma dieta rígida ao meu coração cacófago. Disse que ele havia de se desintoxicar. Mas ele não me ouve. Coração que é coração é surdo como uma porta e sofre de alienação seletiva.
Eu estava sentada envolvida num jogo mental de re-batizar pessoas que passavam (sim, eu rebatizo pessoas ao meu bel-prazer) quando, da forma mais imbecil possível, ele me perguntou as horas. Eu não imaginaria clichê maior. Após a minha resposta fria, seguiu-se a falta de assunto que seria a primeira e última entre nós nos próximos meses.
Você lembra do meu último pedido? Aqui, nesse balcão mesmo(?)... Eu lembro. Cheguei dando um bom dia frouxo e pedi ‘O mundo num potinho da nestlé e um amor em saco de pão’. Parece que veio.
Das grandes lições que eu havia aprendido é a de nunca endividar a alma para dar bons sentimentos a ninguém. Esqueça, não é uma lição tão boa assim.
Não dou a qualquer um o direto de fazer parte do meu sorriso, sabe. (?) Mas quando ele chegou contando todas aquelas verdades... Você me conhece, verdades aleatórias sempre me interessam. A gente é o conjunto das histórias que leu, as que viveu e, sobretudo, as que imaginou antes-durante-e-depois de ambas. Por isso mesmo não aceito remendos, não quero pouco, quero em completude: quero tempo pra gastar comigo, quero tempos extras para pensar em mim e nas mais diversas formas de me fazer feliz. Eu quero se for homem com sensibilidade e colhões suficiente pra querer.
E ele parecia o tipo de cara que precisa de resgate. Que posso fazer? Sou mole pressas coisas. Não que fosse indefeso, pelo contrário, ele tinha aquela combinação que venho discutindo contigo por anos: olhar firme, mãos firmes, um certo desprezo, sorriso sacana... Sempre achei que essa fosse a fórmula.
Ensaio uma série de indiferenças que nunca represento. Foi assim, tem sido assim com ele. Em se tratando de confusão psicológica eu sou fluente, mas na sentimental eu sou nativa... Você bem está cansado de saber... Eu que não sei. Não sei o que tem dado em mim. Penso que amor é quando a pessoa te aquece de dentro pra fora; uma espécie de enlace térmico entre almas que tremem.
Ontem minha mãe me disse que tenho sorrido diferente. Será?
Havia uma inutilidade pro meu sorriso até que encontrou o dele. E nos nossos sorrisos se sorrindo, cada músculo moveu-se em paz. Mas eu não o quero para minha paz, eu o quero pro alvoroço que há de dar sentido a todas as pequenas coisas que a calma ignora.
E daí que a gente não é igual? Não sou do tipo que beija espelho. Quando nossas bocas se encontraram, um mundo Yin Yang até então oculto, aparece pronto a ser explorado.
Eu sou machista. Quero que pague a conta, discorde de mim, censure meu vestido curto e me cale com um beijo de macho quando eu estiver certa.
Eu preciso de mãos medindo a minha cintura pra que eu fique satisfeita com todas as medidas. Do olhar dele vadiando dos meus pés à cabeça, do cheiro dele ocupando o espaço do meu cheiro, e aquela boca travessa testando as mais ínfimas nuances do meu paladar, enquanto os ouvidos atentos decifram meus sussurros e as mãos possessivas já me encobrem.
Você tem razão, não é assim tão fácil. Mas se eu não acreditar em finais felizes, eu não tenho mais nada.
O que eu faço agora que o perfume que ponho cuidadosamente no meu pescoço espera o comentário dele (?)  Agora que o meu batom doce, espera a aprovação de sabor...
Estou em ruínas, meu caro amigo. Em ruínas. E eu sabia das contra-indicações dessa droga de amor.

6 de julho de 2011

Encontro

Postado por Keu Azevedo em 6.7.11 3 comentários

Texto para ser lido ao som de 'Cupido' da Maria Rita.

Às vezes penso que o amor é um suéter clichê tricotado a quatro mãos. Mas sempre tive problemas com essa coisa de pertencimento, isso de mais alguém em mim, essa afronta gostosa que ofusca o senso do ridículo.
Acontece que não sei sentir arrumadinho e peco em burocratizar quereres. Às vezes me falta gana... E sobra tino. Por isso não tenho pique para mil amores. Entrega de verdade é como vinho.
Triste que a magia das coisas e a fé boba nem sempre crescem junto conosco. São como calças que vão encurtando... Até que a gente se desfaz.
Confesso que andei considerando a apostasia amorosa, mas não é pra mim.
Ainda quero tuas mãos medindo a minha cintura, teu olhar violando o meu decote... E minha língua cobertor pra tua orelha fria.
Ainda quero você debruçando os olhos em mim no equilíbrio perfeito de desejo e doçura, ainda preciso do teu abraço-encontro, doado.
A gente se viu. E em casa, me olhando no espelho, despontou um sorriso bobo. Percebi que era teu... E que já tem demais de você em mim. Porque a gente se desdobra na gente. E paira aquela sensação boa de sentimentos se cumprimentando.
Com a gente é sempre assim: a princípio olhares que se perguntam, em seguida, línguas que se respondem.
O batom que eu ponho é só pra adornar a cesta de beijos que te guardo; pra que logo vivamos todas as boas e gastas metáforas sobre plantar e colher. De tanto te ter, poderia ser guiada pelo som macio da tua respiração no escuro. Sei que sou tua da mesma forma... Assustador, não? Às vezes é medo de amar, às vezes é só retardo sentimental.
E soa tão brega essa coisa de encontro, de amado... É o que dizem, mas sinceramente não me importo. Visto a minha breguice sem pudor. Assim como te quero sem precedentes. Afinal, não são os apaixonados um bando de crianças travessas que querem lançar dardos de felicidade no resto do mundo?
Cansei de afeição sob medida, você precisa saber que venha quando vier, terei o sorriso certo, o abraço ditoso e o beijo intato separados pra ti.
Estive com o coração leve, moço. E não sabia dizer se era leveza de pureza ou vazio. Já pensou se não for a gente que sente demais e sim o mundo que precisa esticar as pernas dormentes pra sentir como nós? Pois.
Romantismo é a parte em carne viva da gente que brota de dentro pra fora. E ainda é a mais bonita. Manter a alma leve desdolorisa a vida. E não é nada senão o amor, capaz de inflá-la.
Já chorei densos rios, mas já sorri sóis e verões inteiros. E agora, quero fazer ambos ao teu lado. 

"Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar
(...)
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu...
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Ficou só você eu eu"
[Cupido - Maria Rita]
 

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