Cansei de capas, bailes de máscaras, de encenações. Capas viciam na invisibilidade, máscaras na falsa aparência e peças no surreal... SURREAL.
Entendi que esses são Dias de Transfusão: tenho recebido doses diretas de sentimentos não identificados. Nem sei o que fazer com eles, mas acolho-os dentro de mim.
A minha vida é um desenho, geralmente bem Clichê... Mas ando interessada é nas Caricaturas! A possibilidade de dar novos ares a expressões antes taciturnas sem as deixar artificial, sem perder de vista as rugas, as sardas e as marcas que fazem de mim quem sou.
Sempre fiz figuração na vida real, agora acho que preciso aproveitar o tempo já que estou no cenário.
Vou vivendo momentos de Voleios tantos, que tenho vontade de sapatear! E depois acolher a vida inteira junto comigo nessa cadeira comum, sentada...
É incrível pensar em ciclos... Esse findar-se e reconstruir-se contínuo... Essa assustadora possibilidade que temos de abandonar e acolher todos os dias.
Cada vez que termina um dia ficam em arquivadas as vivências mais caóticas ou inúteis, as palavras mais desnecessárias ou afáveis, os fados e frações de cada um, em cada canto dessa Terra... E a eterna insatisfação.
E eu?
Desisti de vagar, agora percorro... Percorro em centímetros cúbicos, esquadrinhando. Investigo. E me condenso pra me defender... Hoje sou muito mais plana do que eu era; o que não faz de mim uma estrada fácil de atravessar.
Aprendi que entender o que não posso fazer é importante desde que não gere desculpas preu deixar de fazer o que me cabe.
E quando questionarem os meus métodos, eu sempre terei a certeza de que tentei ser honesta porque, pelo menos, abri mão de reproduzir as mentiras que me contaram, as atitudes que me envergonharam e a presença que me negaram. Eu saberei que sobrevivi sem viver um filme, mas que a minha crônica de botequim poderá ser lida sem medo, por qualquer um que se interesse por uma mente transitória e um coração dedicado a amar.
keu azevedo
Sou egocêntrica e de um humor às vezes ácido, às vezes imbecil. Tenho péssima memória e uma timidez inconveniente. Meio desajeitada, meio lerda, nerd simpatizante. Com uma forte tendência melancólico-saudosista e uma paixão descomedida por Literatura. Gosto de estar certa, gosto de ser mimada e tenho PHD em longas esperas. Cuidado: sou altamente instável, nasci potencialmente predisposta à falhas de execução.
28 de setembro de 2009
17 de setembro de 2009
Só um paralelo

Tem tanta coisa acontecendo sem querer, que já tô questionando qual é a dessa querança proposital que não aparece. Vou descobrindo mundos...
Descobrindo-me num paralelismo de sentimentos, paralelismo de falas, paralelismo de olhares que lanço pra caminhos paralelos que devo pisar!
Tenho entendido as coisas comuns: os objetos comuns, as frases comuns, as caras comuns e as sensações mais comuns... E notado o quanto são essenciais. A minha escova de dentes, os meus “tudo bem”, os olhares de interrogação e a falta, a temível falta que às vezes arrebata dias tranqüilos.
Tenho buscado incêndios só pra ver se o fogo transforma meus medos em cinzas. Mas é tão difícil começar a queimar...
A combustão em mim é uma tarefa árdua porque sou muito mais inverno; porém não há umidade suficiente que impeça minhas chamas de arder... Arder até que tudo que me faz estagnar vire cinza, e então, eu possa soprar pra bem longe.
Vou somando pontos e juntando lenha até que chegue a hora certa de fazer uma grande fogueira: incendiar cabrestos, enganos e os grilhões que eu mesma construí. As dores, eu deixo... Não cabe a mim desfazer-me delas. Porque meu sonho não é uma vida entediada na corte, mas uma vida saborosa em meio aos plebeus, meus semelhantes.
8 de setembro de 2009
Ledo engano

Esse post é um conjunto de coisas que ando pensando e como qualquer outro não tem o objetivo de buscar concordâncias... Não gostou do primeiro parágrafo? Feche a página.
Sou múltipla. Não tente reduzir a Polissemia que há em mim...Talvez seja você que não comporta meus significados.
Só sei falar disso: de mim, de mim, de mim... E é como se o assunto não esgotasse nunca, porque talvez, o que eu disse ser e querer ontem seja contradito ou ampliado pelas novas funções e influências do meu hoje.
Tenho tempos internos como qualquer pessoa: hora chuvosa e cheia de tempestades que despedaçam tudo ao redor; hora ensolarada e abrasadora.
Sei conter Chuva fininha que dá vontade de abrir os braços e ficar girando pra poder aproveitar cada gota;
Ou Chuva calma e constante, de céu escuro e trovoada.
Ultimamente, abrigo uma Chuva que é recato pra dias em que tudo me parece farisaico demais.
Mas também sei ter Sol!
Sol que queima e traz fadiga, Sol que aquece e amolece o corpo todo com a sensação gostosa de poros dilatados...
E Sol que brinca de esconde-esconde com as nuvens... Fazendo-me sorrir nesse aparecer/esconder-se das tardes.
Sei ter Sol que se põe, que vai embora e deixa o abandono em seu lugar, de solidão... O mesmo Sol que partiu só pra se vingar de mim, Sol que tem ciúme da noite.
Mas também sei ter Sol que nasce... De um parto lento e lastimoso, mas que desponta e constrange de tão forte, sentimental, fogoso.
Tenho o direito de chover e raiar quando eu quiser. Tenho o direito de salmodiar. Tenho o direito de errar e de ser hostil, nem que seja pra me arrepender logo depois... Não vou ceder a essa máscara coletiva e busca desenfreada por parecer bem, a comida que como não é de plástico, portanto, não vivo e me alimento de aparências.
Sou singular em minha aspereza e universal em minhas confusões. Sou plural, abarrotada de S [ésse]... E ainda consigo ser um hibridismo que sabe o sentido que quer assumir (apesar de tudo).
Ledo engano quem pensa que me vê, pois, se me visse mesmo, enxergaria uma colcha de retalhos... Onde cada pedaço tem um motivo.
Tudo que se fez em mim é possível reemendar: acrescentando novos pedaços, retirando alguns excessos... Ledo engano quem pensa estar pronto ou quem acha ser alfaiate.
Minha linha e agulha estão nas mãos de quem começou o cobertor... Então simplesmente afaste a sua tesoura.
“AquEle que começou boa obra em vós (em mim também é claro) há de aperfeiçoá-la até ao dia de Cristo Jesus.” Filipenses 1:6 [grifos meus]
Assinar:
Postagens (Atom)
