19 de fevereiro de 2011

Wait

Postado por Keu Azevedo em 19.2.11 8 comentários

Texto para ser lido ao som de  
Is This Love na versão da Corinne Bailey Rae

Acho que tenho pensado em nós. E tenho pensado de uma forma bonita, embora custosa.
Tenho te querido comigo. Deve ser o primeiro sinal - isso se eu ignorar o fato daquela leve acelerada que o meu coração dá quando a gente se fala, e de como as minhas bochechas aquecem quando você diz qualquer coisa bacana ao meu respeito. - E eu tenho considerado tanta coisa... Despeço qualquer lembrança tua com uma ocupação qualquer, mas parece que minha mente fica te citando... Aspas intermináveis dos nossos contatos recentes. E quando eu te vejo tem aquela tensão... Uma conexão absurda que de tanto querer junto, trava.
É tudo tão à moda antiga! Você sugere e eu finjo que não entendo, eu deixo escapar qualquer anseio, e é sua vez de fingir que não se sente nem um pouquinho vitorioso. E a gente ouve a mesma batida, sente na mesma cadência... Só que não dança.
Resta então aquela dupla cara boba de quem quer se abraçar durante horas; resta o espaço do não-compartilhado, os olhares fugidios, a crosta aveludada do que se sente debaixo das 1001 razões pra insegurança.
I know, you swear.
Então eu fico nesse injustificável evitamento de você, enquanto você se protege numa paciência quase covarde. Eu não me jogo, você não me puxa. E a cada dia o encanto cresce, a mutualidade fica cirandeando nossos sorrisos... Somos cúmplices e culpados de um apego gostoso que o tempo há de amadurecer e a vida de aprovar.

13 de fevereiro de 2011

De sonho 2

Postado por Keu Azevedo em 13.2.11 6 comentários
Para ser lido ao som de
'Two is better than one' (feat. Taylor Swift) 
-       Boys Like Girls


Eu que te acolhi sem propósitos, tenho visto você se esparramar no abrigo e crescer assustadoramente dentro de mim... Mas acontece que nasci com um delay bem aqui no coração: preciso que me dê tempo para preparar tua casa, e à minha hora, te convidarei a entrar. Em definitivo. Então vou querer que você traga suas coisas todas: tua preguiça, tua angústia, teus chinelos, tuas unhas mal cuidadas... E fique. Pra sempre.
Parece complicado e talvez seja. É culpa desse mundo que criei em que os sentimentos andam vagarosos, cuidando onde pisam... É só meu medo, - aquele que você prometeu que ia tratar - estou esperando a ajuda.
Eu devo confessar que te gosto, que te gosto da forma mais linda de quem gosta sabendo que gosta e não pode explicar. E que sou egoísta o suficiente pra não te querer longe apesar de não te deixar chegar mais perto. Que me constrange a forma como você arranca todas as armas de minhas mãos e me deixa indefesa... E ri, ri de como fico tonta querendo argumentar sem conseguir ao menos arranhar a tua retórica perfeita.
Que me perturba a forma como você, sem abalar teu “sim”, converte meus “nãos” em uma dúzia de “talvez”... Que me perturba tanto a forma como você se impõe. E como eu gosto dessa tua imposição fina.
Confessar que te programaram com os comandos certos, que eu fico procurando defeitos, impossibilidades... E encontro até nas tuas imperfeições a correspondência dos meus desejos.
Confessar que eu já amo tua doçura de menino e teu ciúme de adulto, que a gente olha pro mesmo lado.
E que a parte mais incômoda é saber que você me quer; que vai ficar plantado na minha porta esperando - enquanto eu torço do outro lado pra que você vá embora – que eu não posso te dissuadir independente da careta que eu faça... E que no fundo eu sei que te quero igual.
Então eu penso que não dá pra ser, lembro de contos de fadas e fico desiludida de finais felizes, acho que a gente pode se machucar... Eu não quero teus joelhos ralados, eles sangram e doem; eu não quero ardor e esparadrapos nos meus novamente, justo agora que cicatrizaram.
Fico torcendo pra que passe, mas alguma coisa me sussurra que não vai. Que é preu te dar a mão, pra gente correr de olhos fechados sentindo o vento na cara... Que você não me solta, que eu me deixo ir.
E eu me sinto infantil, embaraçada nessa coisa de casal novelesco que sofre horrores até ficar junto. Disfarço mal o quanto me intriga os teus silêncios repentinos e a tua mania de desconsiderar meu pessimismo. Então eu me encho de mais e mais perguntas e te despejo algumas (que você responde convicto ou simplesmente ignora) e parece que o tempo vai afeiçoando a gente, atraindo sem esforço... E eu me pego imaginando.

Emasmorrada, ela mantinha aquele olhar de "me salva",
 foi isso que ele reconheceu quando se encontraram.
Nunca mais a devolveu ao castelo.

3 de fevereiro de 2011

De sonho

Postado por Keu Azevedo em 3.2.11 3 comentários
Nas nossas conversas mais confusas você sempre fica com a razão: impossível desarmar o argumento do teu silêncio, teus olhos nos meus... Então eu posso sentir o cheiro teu, aquele cheiro de presença. Aquele cheiro que não sai aonde quer que eu vá. Perfume de abraço. É isso.
É você a espera que eu criei e adorno aqui dentro, que me submerge... E de alguma forma me faz sentir pertencida.
Tua paciência pra lidar com meu jogo de escondo-escuso, a tua permanência quando te mando embora, a tua decisão sóbria em contraste com a minha insegurança leviana... E o nosso encontro por-do-sol: nascimento e partida, a brandura alaranjada d’a gente junto, d’a gente dois.
Você me dá a mão, pensa no futuro... E eu só penso na tu mão na minha. E você diz que sabe, que é possível, que quer... E eu fico ouvindo a tua voz que vai me ninando... Recosto no teu ombro e sonho com teu colo. E a gente fica ali, nesse envolvimento inexcedível da tua alma silenciando meus medos, da minha vida primaverindo a tua, dos nossos espíritos sentados no chão, brincando de colorir.
E eu te penso. E você me respeita. E a gente se quer. Porque é assim que tem que ser.
Então as brumas se dispersam, e a gente vai se vendo... Aquele quadro à giz de cera: meu vestido Poá, teu allstar vermelho... E A esperança ao fundo.
 

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