Para ser lido ao som de
'Two is better than one' (feat. Taylor Swift)
Eu que te acolhi sem propósitos, tenho visto você se esparramar no abrigo e crescer assustadoramente dentro de mim... Mas acontece que nasci com um delay bem aqui no coração: preciso que me dê tempo para preparar tua casa, e à minha hora, te convidarei a entrar. Em definitivo. Então vou querer que você traga suas coisas todas: tua preguiça, tua angústia, teus chinelos, tuas unhas mal cuidadas... E fique. Pra sempre.
Parece complicado e talvez seja. É culpa desse mundo que criei em que os sentimentos andam vagarosos, cuidando onde pisam... É só meu medo, - aquele que você prometeu que ia tratar - estou esperando a ajuda.
Eu devo confessar que te gosto, que te gosto da forma mais linda de quem gosta sabendo que gosta e não pode explicar. E que sou egoísta o suficiente pra não te querer longe apesar de não te deixar chegar mais perto. Que me constrange a forma como você arranca todas as armas de minhas mãos e me deixa indefesa... E ri, ri de como fico tonta querendo argumentar sem conseguir ao menos arranhar a tua retórica perfeita.
Que me perturba a forma como você, sem abalar teu “sim”, converte meus “nãos” em uma dúzia de “talvez”... Que me perturba tanto a forma como você se impõe. E como eu gosto dessa tua imposição fina.
Confessar que te programaram com os comandos certos, que eu fico procurando defeitos, impossibilidades... E encontro até nas tuas imperfeições a correspondência dos meus desejos.
Confessar que eu já amo tua doçura de menino e teu ciúme de adulto, que a gente olha pro mesmo lado.
E que a parte mais incômoda é saber que você me quer; que vai ficar plantado na minha porta esperando - enquanto eu torço do outro lado pra que você vá embora – que eu não posso te dissuadir independente da careta que eu faça... E que no fundo eu sei que te quero igual.
Então eu penso que não dá pra ser, lembro de contos de fadas e fico desiludida de finais felizes, acho que a gente pode se machucar... Eu não quero teus joelhos ralados, eles sangram e doem; eu não quero ardor e esparadrapos nos meus novamente, justo agora que cicatrizaram.
Fico torcendo pra que passe, mas alguma coisa me sussurra que não vai. Que é preu te dar a mão, pra gente correr de olhos fechados sentindo o vento na cara... Que você não me solta, que eu me deixo ir.
E eu me sinto infantil, embaraçada nessa coisa de casal novelesco que sofre horrores até ficar junto. Disfarço mal o quanto me intriga os teus silêncios repentinos e a tua mania de desconsiderar meu pessimismo. Então eu me encho de mais e mais perguntas e te despejo algumas (que você responde convicto ou simplesmente ignora) e parece que o tempo vai afeiçoando a gente, atraindo sem esforço... E eu me pego imaginando.
Emasmorrada, ela mantinha aquele olhar de "me salva",
foi isso que ele reconheceu quando se encontraram.
Nunca mais a devolveu ao castelo.