27 de novembro de 2011

Só porque você faz meu tipo

Postado por Keu Azevedo em 27.11.11 2 comentários

Ando com vontade de paz. Planejo dormir uma semana inteira.
E daí que eu só pensei: pode ser no teu peito?
Vontade de ser linda contigo, vontade de fazer tuas vontades...
Já disse que adoro a tua boca limpa? E o jeito que você põe reticências quando a gente se fala no telefone.(?)
E que teu sorriso fica ainda mais lindo quando o desarrumo com minha boca.(?)
Já disse que adoro te provocar e adoro mais ainda quando você nem se dá conta disso?
Já disse que morro de amores pelo teu R retroflexo e que meu coração dá uma aquecida instantânea toda vez que meu celular avisa um SMS teu?
Que adoro quando sento no teu colo e tu brinca com a bainha do meu vestido...
Quando tira o pauzinho que prende meu cabelo e, mesmo só tendo nós dois, faz a cara mais convincente do mundo de que não é o culpado.
((Deixa eu te tomar?))
Ficava me perguntando por que justo você. Mas lá dentro (na quina mais dolorosa e estreita) eu sabia que tinha que ser complicado assim...
Que teriam doses e mais doses de negação, impedimento, dúvida e mais mil e uma medices que eu criaria até ceder e cair inteira sendo Sim.
Só que chega uma hora que é preciso parar de pose e deixar o salto da insegurança enganchar e quebrar nalguma fresta sacana do caminho...
Daí cair meio tonta e sem graça direto em você. Porque se doer depois, se ficar alguma mancha arroxeada...
Putz! Terá valido o teu abraço meio improvisado e teu sorriso meio torto me segurando, terá valido pelo teu carinho de 'tinha que ser, né?'.
Então, acho que relaxei, sabe? Sem as vis preocupações se será eterno. Só sei que vai ser.
...E o que vai ter de gente mordendo a língua quando a gente passar correndo feito crianças e trombando um no outro, hein? Compartilhando a imbecilidade deliciosa que só os apaixonados sentem...
E o que vai ter de gente dizendo que é loucura nossa, mas rezando todo dia pra Deus atirar do ceú uma loucurazinha igual a essa pra enxertar de vida a vida.
E o qual vai ser a cara de quem repetia entufado "é uma chance em um milhão" quando perceber que somos a uma...
Há bastante coisa pra gente se ensinar, um montão pra gente sentir e uma inumerável quantidade de babozeiras perfeitas pra gente fazer...
Daí que serão dias a fio com sorvete no nariz, saco de dormir numa p** de programa de índio, jujubas e jabuticabas... Você dissipando meus 'eu nunca' e eu acabando com teus 'jamais pensei'.
E vezemquando vai rolar aquele mau humor, aquele ciúme, aquele 'tá errado' e aqueles "que merda que eu falei"...
E tomara que tenha mesmo. Porque não é bonito, cafona, gostoso e inesquecível se não tiver intriga.
E eu prometo esconder teus chinelos ou não entregar as chaves quando tu tiver apressado até que me encha de beijos; prometo acordar e não sair da cama porque percebi que você levantou cedo e de fininho pra me preparar o café.
E eu prometo (sem dedinhos cruzados e tudo) dizer que sou tua toda vez que alguém perguntar.
Sei lá, acho que a nossa receita é boa: tem aspiração e suspiros, tem cara de filme pastelão da sessão da tarde, tem a história do beijo na boca nas bodas de ouro, tem tensão pré-vestibular, sensação de vento no rosto quando se pedala bem rápido...
Tem o carinho das mãozinhas duma criança que abraça, tem atração de gente grande e uma generosa pitada apimentada de diferenças no meio disso tudo.
Acho que a gente deve provar, né?
Põe uma roupa leve, tô te esprando de camiseta e shortinho...
Vamos dar uma volta, sem pressa e sem catastrofizar nada.
(Mas sem síntese também, não sou de poupar, você sabe disso)
Se fizer sol a gente se beija na rua, se chover a gente beija na chuva, se não fizer nada a gente beija do mesmo jeito porque assim, sem querer te dar muita bola, mas você faz meu tipo. E muito.

"Eu só quero ser feliz e viver tranquila. 
Eu só quero fazer minhas coisas 
da melhor maneira possível 
e ter um moço bonzinho 
que me leve pra ver o pôr-do-sol 
no fim de tarde."
(Tati Bernardi)

18 de novembro de 2011

Fica

Postado por Keu Azevedo em 18.11.11 3 comentários

Tô assim numa fase me curtindo, sabe? 
Acho que nunca tinha me sentido tão dona de mim. 
Por isso a ideia de a gente um no outro é tanto desaforo! 
... Mas como é que eu proíbo meu coração de dar pulinhos enérgicos toda vez que tu me diz 'que me quer e que se dá?'
Tenho muito a esconder, muito. Todos os segredos em diferentes níveis de profundidade...
... Alguns tu pode tocar logo abaixo da minha blusa. 
Outros (os piores) vai precisar continuar o caminho carne à dentro;
é no meu coração que escondo os segredos medrosos, é a minha alma que te constranjo a desvendar.
Promete que cala minha boca com a tua?
Promete ser bom em me mimar, ágil em me despir e incapaz de me doer?
Você me quer me sabendo toda errada, eu te quero te sabendo um lesado. 
Daí bate um medo de dar nome a essa querança toda.
Porque eu quero o cheirinho do teu pescoço, 
quero minha língua desenhando curvas invisíveis na parte de trás da tua orelha...
Quero o carinho distraído de meus dedos sobre o cabelinho curtinho da tua nuca...
Quero ser a posse das tuas mãos, e que elas reivindiquem de imediato 
e em completude o que lhes pertence...
Quero te olhar. Apenas te olhar... 
E num silêncio desembaraçado te fazer entender o quanto sou tua.
Posso jurar que não te queria, mas agora fica, tá?
Fica pra gente descobrir quais impossíveis podemos subjugar.


"Me traz você, por favor. 
E leva embora todas essas coisas chatas 
que só servem para ocupar 
minhas horas enquanto você não chega." 
(Tati Bernardi)

14 de novembro de 2011

O que é a inveja

Postado por Keu Azevedo em 14.11.11 7 comentários
Texto para ser lido ao som de 'O que se quer' da Marisa Monte
 (feat Rodrigo Amarante)

Tantos universos paralelos e eu só queria estar no que a gente se encontra.
Minha vida não depende da tua. Mas agora eu só consigo imaginá-la contigo.
Tenho inveja de qualquer pessoa que te vê na rua da forma mais casual. Que pode te observar no teu jeito mais distraído, que te tem ao alcance de um assovio e poderá ver a tua expressão surpresa e sem jeito, voltando-se a esse tipo de chamado meio que por reflexo.
Tenho inveja de quem senta ao teu lado numa sala de espera e fica sentindo teu cheiro de meu, reparando (até sem interesse) no jeito calmo como tu olha em volta e ao mesmo tempo a forma impaciente com que passa os dedos no cabelo... 
Tenho inveja do braço estranho que roça o teu, que sente os teus pêlos... Tenho inveja de quem pode ouvir tua voz de homem educado perguntando pra recepcionista se vai demorar muito...
Tenho inveja de quem pode sorrir pra você, mesmo que por conveniência, e receber (meu Deus, como invejo!) um sorriso teu de resposta. Tenho inveja de quem pode ter aquele teu "me espera, tô chegando" mais irritante do mundo... Mas que é recompensado por um você lindo com carinha de desculpas quando finalmente chega.
Tenho inveja de quem pode trombar contigo numa esquina e ter teu corpo ao encontro mesmo que tão rápido; tenho inveja de quem pega uma carona contigo e joga conversa fora no final da tarde enquanto tu dirige sem muito assunto, pensando em qualquer outro lugar, em qualquer outra coisa louca, em qualquer fotografia, em qualquer bebida, no teu cachorro, no calor, em mim...
Tenho inveja de qualquer coisa ou pessoa que te tenha por 5 minutos completos, que colha um pouco da tua dedicação sincera, que mereça teu afeto, que te viva, que te prenda, que tu use, que te sinta... 
Tenho inveja das faces que tu beija que não são a minha (e que sejam faces, que sejam apenas faces!), tenho inveja da camisa preferida que tu separa um dia antes, e que vai te deixar confortável e seguro feito um menino bobo... Tão parecido como quando te abraço pelo pescoço. E tenho inveja, (uma inveja ridícula da qual não me orgulho) do colo materno que é teu refúgio. Porque não é o meu colo, porque não sou eu. Porque não é em mim que tu vai encostar a cabeça, deixar cair alguma lágrima... Porque não é sobre mim que vai repousar o teu corpo. Porque não é meu o carinho e o consolo, o beijo amoroso que vai aquietar teu espírito. 
Tenho inveja da tua cama que te tem todas as noites, porque eu reduziria voluntariamente as minhas milhares de noites por um punhados delas bem gastas ao teu lado. Tenho inveja das manhãs bonitas que te fazem espreguiçar e ter um desejo de mundo, porque eu quero mais dos teus desejos pra mim, em mim, comigo. Tenho inveja, tenho muita inveja, tenho ciúmes da distância com quem sou obrigada a te dividir, tenho um afã de tua inteireza, de você e bregamente você.
Arruma isso, vai... Chega aqui bem perto e me diz que sou idiota, que penso demais, que vai ter final feliz sabor glacê e beijo na chuva. Que minha cintura e meus quadris vão ser sempre a travessia eleita das tuas mãos, que minha boca vai ser o ancoradouro dos teus melhores beijos, que eu vou poder me esconder no teu abraço, que ainda vou brigar muito contigo por despentear a minha franja, que tu ainda vai rir muito das minhas meias de bichinho. Promete que mesmo com o tempo ainda vai deixar eu achar que mando, que ainda vai fazer cada célula nervosa minha pular uma micareta atrás da outra sempre a gente caminhar de mãos dadas, que ainda vai ser capaz de deixar meu corpo todo arrepiado falando até a fórmula de Bháskara no meu ouvido. Promete que vai me ensinar a ser uma família, a comer direitinho, a sonhar a dois, a ser um em vários momentos, formas e posições.
Me conta se alguma coisa também te diz que a gente vai dar certo.
E eu prometo que, sendo assim, inveja nunca mais.
 

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