Ele que ama.
Essa seria a sua mais exata definição. E que ama de rasgar-se em versos, comprimir-se em insegurança, devanear à meia voz as discrepâncias dessa alma amante.
Ele romanesco.
Nascido de alguma ode pra pernoitar nesse mundo: alteando sua espada, combatendo os dragões de fumaça que moram dentro dele... De garbo e quixotez, um embrulho delicado pra guardar um coração mais frágil ainda.
Ele aquiescência.
Aquele que quer salvar o mundo, mas ainda não aprendeu a preservar a própria (in)sanidade. De pó que é sopro, que se perde e parte com suas feridas à procura de onde descansar as asas.
Ele em termos.
Dedilhado em sangue, fundido à beijo-e-flor, desenho no chão em giz: a travessura gostosa do menino que trepa e rouba o fruto, a inocência no canto erguido dos lábios, a vida vivida em tom de aurora.
Ele demasiado.
A bossa do homem, a curvatura fantasiosa do homem, os sentimentos do homem, as cicatrizes do homem. E tudo desemboca nesse ele que hora se esconde, hora exacerba, enquanto segue pisando descalço esse caminho custoso que a gente ruma.
Ele em ruído e anseio, a beleza em retalhos que o acaso uniu pra poesificar e aquecer a gente que te cuida.
*Texto dedicado ao querido amigo e poeta @NandoLago.
Para ser lido ao som de "Strawberry Swing" do Coldplay .
Para ser lido ao som de "Strawberry Swing" do Coldplay .
