Texto para ser lido ao som de
'Soneto do teu corpo' - (na versão do Leoni)
Talvez amadurecimento seja aprender a não impor nossa presença, não fazer do afeto moeda de troca... Talvez a gente nem amadureça mesmo.
Não tenho muito em conta gente que diz o que precisa ser ouvido e não respeito quem distribui ‘eu te amo’.
Às vezes tenho sentimentos anônimos, às vezes me incomoda esse coração apertado... Culpa minha que o enchi de coisas tentando preencher o teu lugar. Não é de um coração vazio que falo. É de deixar displicentemente o teu espaço inocupável até que você venha. Então me surpreendo pensando em você... e as coisas se desarrumam, sabe?
Teu corpo, teu gosto, tu inteiro... Vem danoso, imperfeito, ardil... E provemo-nos ásperos. Ao fim do dia saberemos: o querer nos foi guia, mas a necessidade um do outro nos forjou amados.
Quanto a mim? Eu continuo aqui com essa calma velhaca. Vivendo esses gostos obsoletos: preciso de conquista, abraço, beijo sem pressa... Todos teus.
À meia distância qualquer alma é bem vista... O close que é perigoso. Te desafio a chegar mais perto.
Quero teu pensamento vagabundo correndo todo debochado pra mim quando tu menos esperas. Te quero entalhando sonetos em mim, pontuando-os com meu umbigo; quero tua língua pra minha echarpe nos dias frios.
- Livrai-me do amor terno que faz sombra ao outro e lhe é descanso. Ou chove-me ou ensolara-me. Porque penso que o amor... O Amor mesmo... É essencialmente lúdico. –
E enquanto a gente não se tem, que nossos pensamentos se encontrem de vez em quando, nossas almas deslizem uma na outra, nossos mundos colidam.
Que estejamos desprotegidos.

