Eu tive um pesadelo: todos eram iguais. Todos.
Não havia mais você, haviam tantos! Temi.
Era impossível viver nesse excesso...
Todos eram bons, todos eram presentes. E eu odiava, odiava.
Queria os teus defeitos, tua arrogância, tua impresença pra depois tua chegada.
Não me comprazia aquele cuidado, queria o cheiro do teu desleixo.
Não me satisfazia aquela querança, eu precisava do teu pouco caso...
Eu tossia.
Adoeci por tua causa: cansada de tanta devoção dos que não eram você.
Os gestos padronizados me nauseavam e a paciência de todos os não-você me deprimiam.
Não haviam brigas nem rompimentos, eu definhava.
Estranhamente precisada de algum dano.
Acordei trêmula e suarenta sem coragem de abrir os olhos.
Estiquei o meu braço no escuro e senti os pelos teus.
Que bom, que bom! "Que bom, que bom" Eu repetia.
Assim que amanheceu despejei umas provocações no teu café da manhã.
Você partiu irritado, soprei-te um beijo.
Gostosa é a tua diferença, a nossa diferença. Os nossos impropérios, o nosso amor.
Voltei a dormir. Você voltaria à noite. Voltaria pra nós.


