6 de abril de 2008

A verdadeira arte

Postado por Keu Azevedo em 6.4.08 2 comentários

Na tentativa de desenhar meu porvir
rabisco traços ensolarados,
desenho infantil:
braços distorcidos,
olhos desmedidos...

Só então percebo
quão imprecisos são
meus quereres derramados
e delicadamente abandono o pincel.

Aos pés antes descalços
surgem dedos burilados,
das telas brancas
gotas vermelhas.
Poso resvalada, espero ansiosa.

Sinto uma expectativa quase ingênua
como se desenrolasse o papiro
dos segredos mais sonoros;
E perpasso por aquelas formas...

Em vários planos se dava aquela feitura,
Ponteiros soltos, gente passante,
Palavras de amor e respostas rasgadas
Misto de regozijo e sacrifício,
E eu aspirante a sândalo.

Tentei agradecer,
Balbuciei frases, espelhei gestos...
Em vão!
Foi então que chorei.

De minha expressão copiosa
surgiu um abraço
e num lampejo eu o amei.
Amei com o amor que ele me deu,
Amei deveras, amei e só.

Não fiz perguntas: amei
Não sustive reservas: amei
Sem racionalidade: amei
Sem um por que: amei.

Artista maior, homem amado,
Espero-te de volta...
Vorazmente te espero,
Vem e me leva contigo
Pois dependente me fiz dos teus traços.

4 de abril de 2008

Minha vocação

Postado por Keu Azevedo em 4.4.08 3 comentários

Destilo-me em saudades
embebo-me em palavras,
Sou diminuta por amor.
às vezes paradoxalmente cálida
às vezes impetuosamente viva,
Sou diminuta por amor.

Se me assustam o trovejar ao longe
se me escorregam palavras
dignas de serem lavradas
Sou diminuta por amor.

Se vejo os teus traços
rebusco o meu sono;
e se choro
é por não poder te ser latente
Sou diminuta por amor.

As peras ganharam sabor
e a minha estadia ficou sem cheiro.
Quando olho pro domingo,
me sinto terça-feira.
Sou diminuta por amor.

Não sou eu quem mata meus dragões
Não sou eu que degusta a última gota
Não sou eu que recebe congratulações
Mas me fiz feliz quando descobri
Que sou diminuta por amor.
 

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