25 de julho de 2012

Não sou eu, é tudo em mim que te quer

Postado por Keu Azevedo em 25.7.12 3 comentários

Texto para ser lido ao som de 'Amar é bom' de Jauperi.

Como não bastasse minha boca desejá-lo, todo o meu corpo põe-se em rebeldia com saudade do teu.
O meu ouvido ameaça não mais ouvir enquanto não for devolvido o farfalhar molhado da tua língua nele...
Os meus olhos ameaçam cegar-me enquanto não puderem ver de perto o teu sorriso sem graça depois d'algum elogio apaixonado que te faço...
Os meus pés afirmam não me levarem mais a lugar algum que não seja ao teu encontro.
Meu nariz só quer saber o cheiro do teu capote e as minhas curvas, precisam da medidura das tuas mãos.
Não consigo mensurar o que pode me acontecer caso tua ausência se prolongue se até o sabor de tudo me foi perdido, pois a minha língua tem cumprido a promessa de deixar tudo insalubre até que possa sentir de novo o gosto da tua boca.
Meu cabelo colado ao coro cabeludo, não movimenta um só fio num lânguido embaraço, até que você venha paciente e carinhoso tirar a minha franja dos olhos, ou sôfrego desmanchar meu penteado, enleando-se nele, enleando-se em mim.
Meus dedos, agora frios e trêmulos, exigem enlaçar-se aos teus para que possam recuperar os movimentos; e meu coração apático bombeia cada vez menos, arriscando parar se você não aparecer logo para reanimá-lo com o amor desfibrilante e gostoso que só o teu próprio coração pode me dar.
A minha pele que jurou continuar empalidecendo até o albinismo, precisa daquele sol que vem dos teus olhos e me aquece inteira, das tuas frases entre beijos que me fazem corar...
Durmo pouco e sonho muito com lugares onde dividimos a mesa, o chuveiro, a cama... 
Os meus ombros têm estado caídos, desanimados pelo longo período sem o teu queixo repousando neles quando me abraça por trás; o meu pescoço, louco de saudade dos teus beijos e mordidas, declarou em carta aberta deixar minha cabeça pender sem firmeza alguma, a menos que tua barba venha logo roçá-lo (indignação que tem o apoio total dos meus pêlos, cansados de ficar inertes dependendo do frio para serem eriçados). 
Até o meu umbigo, antes recluso e discreto, tem latejado perguntando quando você vai voltar traçar o caminho que passa por ele e fazer aquela pausa gostosa até seguir adiante.
As roupas já não me cabem, os sapatos me incomodam e fico oscilando entre claustrofobia e espaço demasiado no mundo. 
Parte do meu cérebro já está em greve e a parte que sobrou teima em evocar você a todo instante. 
Acho mesmo que preciso de você, então, quando chegar nessa última linha, larga tudo e vem.

16 de julho de 2012

Just one choice

Postado por Keu Azevedo em 16.7.12 8 comentários


Eu achei que havia te escolhido, me enganei.
A verdade é que venho te escolhendo, assim, contínuo mesmo.
Eu te escolho pra ser meu a cada manhã que abro os olhos e penso em você.
Te escolho como namorado, como homem, como cúmplice, como o imbecil mais lindo do mundo. Te escolho pra ser aquele alguém nas mãos de quem quero depositar minha confiança, e alma pra qual quero dar amor.
Eu te escolho ao iniciar de cada (dos muitos) dia(s) de espera e fico agarrada a essa escolha até te dar boa noite e ir deitar, desejosa de sonhar contigo dormindo da mesma forma que sonho desperta.
Eu escolho o som da tua risada dentre o som de todas as risadas, porque é a única que me faz querer interromper o meu riso só pra te ouvir sorrir, porque é gostoso provar um pedacinho dessa felicidade que sai da tua boca.
Eu escolho o teu caráter de homem bom e com defeitos, o teu jeitinho de menino de família, o teu talento zero pra dança, a tua birra e a tua disposição pra servir quem precisa. Essas coisas são parte de você e estão inclusas quando te escolho inteiro, porque te quero por no mínimo uma vida.
Escolho continuar com você mesmo quando choro escondido de saudade e penso que parir quadrigêmeos deve doer bem menos do que você me faltando numa tarde chata de domingo.
Escolho continuar com você cada vez que estou pessimista e você precisa crer por nós dois.
Escolho você porque no meio do meu mundo bagunçado, você é caixinha onde encontro as coisas mais bonitas.
Tem uma parte linda de mim que só sabe ser feliz contigo. E todo mundo sabe: a escolha mais sábia é sempre a felicidade.




- Dizem que meus posts indiretamente sempre falam de você 
e/ou te são dedicados... Não sei. 
Mas esse é, é essencialmente sobre você e pra você. 
Meu feio, Rodrigo Garcia.

7 de junho de 2012

A gente se encaixa

Postado por Keu Azevedo em 7.6.12 1 comentários
Texto para ser lido ao som de  'Lugares Proibidos' 
na versão da Adriana Calcanhotto.


Vivo contando os dias preu encaixar de volta a minha alma no teu abraço... Pra minha língua dizer pessoalmente pra tua o que as palavras vêm tentando sem sucesso.
Porque eu adoro as eternidades que a gente vive dentro dos dias que a gente passa.
E vou te abraçar tanto, tanto...! Só pra ver se fica um pouquinho de você em mim, se a pele gruda, se o cheiro entranha, se alma empresta um pedaço... E quem sabe alguma coisa tua fique comigo... Alguma coisa sólida o suficiente pra me ajudar a suportar o vazio da saudade.
Felizes os encontros dentro do nosso encontro: os teus olhos iluminando-se ao encontrar luz igual nos meus, a tua boca sorridente desmanchando-se afoita ao encontrar a minha, a minha língua doce emprestando meu gosto direto à tua... As nossas mãos dadas, os nossos quereres dançando dispostos ao encontrarem-se recíprocos, e o teu coração encontrando a batida do meu, e o meu coração marchando no compasso do teu. 
Meu coração não vai querer te deixar, já sei.  Quanto ao teu coração? Quem sabe...? Mas o meu certamente vai ficar aí, de mala e cuia, morando no teu colo (onde quer que você for).
Acho que Deus vai deixar a gente junto logo, Ele já deve estar de saco cheio de tanto eu pedir pra cuidar de você aí longe de mim. Só fujo do que não acredito. Com exceção de você. Em você eu acredito demais, só fujo porque sei que ficar pra sempre é uma questão de tempo.
Nunca foi amor antes, mas eu sei que é amor agora. A gente não precisa de parâmetro quando cada parte nossa grita que é de verdade. De alguma forma divina e misteriosa, eu sei. É só olhar pra você e meu coração desmente a lei da gravidade... Eu regrido, enlouqueço, encaquético com cada sorriso teu. E quando os nossos corpos se juntam tu me faz fênix, que abrasada, incendeia e morre nos teus braços, pra ressuscitar mais forte e dileta com cada ‘eu te amo’ por ti sussurrado.
Eu te olho e penso como parece que você esteve comigo toda uma vida. Mas não esteve né? Vai estar.
Amor não é jogo. Sorte a minha. Porque assim, sem o ser, você já me ganhou de uma forma que eu nem sabia que poderia ser vencida. 
Porque a gente pode ver centenas de filmes, ler dezenas de livros, ouvir milhões de frases... Quando o amor realmente chega, nenhuma lição prévia serve. Você tem certeza que está apaixonada quando um único sms dele energiza teu corpo inteiro e dá uma cãimbrazinha gostosa no coração; e o coração fica pequenininho quando tudo que se quer é poder correr pra colocar o amor inteiro num abraço e dizer que as coisas se ajeitam. Porque se não dá a sensação de um obeso tentando caber num 36, não é amor.
Ainda bem que não falo dormindo, senão contaria os meus sonhos... E seria constrangedor repetir tanto o teu nome. Eu só queria agora poder te abraçar forte, sentir teu cheirinho de manhã e preguiça e te dar um beijo bobo daqueles que amassa o nariz, pra te dizer bom dia. Eu não preciso que o mundo gire em torno do meu umbigo, mas aceito que a tua língua o faça. Eu não preciso de grandes restaurantes, presentes ou viagens... Eu preciso da gente de meias e cabelo bagunçado, ensaiando o nosso filho e dispensando o edredon, numa tarde fria desse maio... Eu preciso de você me beijando o pescoço enquanto ignora os meus avisos de que precisamos dormir pra levantar cedo no dia seguinte... Eu preciso de você elogiando malicioso as minhas infinitas calcinhas rosa; censurando os meus vestidos mais curtos, pra esquecer qualquer reclamação no momento que eu sentar no teu colo e te dizer entre mordidas que coloquei pra você tirar... 
Eu preciso de você emocionado com as minhas orações no final de cada dia, constrangido ao ouvir meus agradecimentos pueris por te ter... Eu preciso de você meu: teimoso e gostoso como só tu sabe ser. E muito. De ambos.
Penso que o amor é um filtro na vida: tudo (e só o) que é realmente importante passa por ele.
E tu me veio ser amor justamente quando a minha vida doía: tu me olhou e me fez tua, quis me curar... E me renasceu. 
Daí, se tu tiver a fim... Topa ser o homem da minha vida?


"Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
...Baby, com você já, já..."
- Adriana Calcanhotto.

30 de abril de 2012

Escreva-me

Postado por Keu Azevedo em 30.4.12 2 comentários

'Por mais caloroso que possa parecer, 
linhas estas não pagam sequer um segundo 
da sua voz lambendo meu nome.'
(Gabito Nunes)


Eu que costumo escrever tanto sobre romancezinhos
hoje abriria mão das letras se pudesse.
Estou achando uma afronta vê-las enfileiradas e sonsas
encobrindo o quanto eu queria revirar o mundo até que você caísse no meu colo.
Eu não queria escrever hoje, eu não queria a por*** dessa minha caligrafia redonda,
ou essa letra grafite e sem graça que vai sendo cuspida à seco coração-teclado-PlanetaTerra, e não serve pra trazer tua cabeça pras minhas coxas, teu cheiro pra minha roupa, tua boca pra mim (à sua escolha).
Porque escrever é uma merda quando você é uma merda de mulherzinha
boa com as palavras... E ausente do que te inspira.
Daí eu começo a achar uma droga todos os livros, escritores, pichadores e qualquer pessoa alfabetizada que possa fazer qualquer menção a essa coisa de escrever.
O texto que eu quero interpretar é você. As fases bonitas que eu quero compor são no teu ouvido, as melhores sacadas eu quero ter é colada contigo. O romantismo que eu quero é o da tua mão passeando irrequieta em mim.
Estou farta de redações nota 10 sobre o quão doce é te ter. Acontece que não estou te tendo. E o tempo é que vem me comendo sem tempero ou preliminares.
Não vou fazer declarações, não vou digitar um palavra atrás da outra sobre os meus sentimentos mal equilibrados... Hoje eu sou só insensatez: não sei esperar, não quero saber de sílabas e adiamentos. Estou corrompendo o alfabeto com letras impronunciáveis, hieroglifando a escrita... Ao meu bel-prazer.
Eu quero uma página todinha em branco, amassada, úmida e barulhenta sob os nossos corpos amalgamados e mudos.

28 de abril de 2012

Ao Leãozinho

Postado por Keu Azevedo em 28.4.12 2 comentários
Texto para ser lido ao som de "O Leãozinho" na versão do Beirut


Dizem que a felicidade está nas pequenas coisas...
Mas não acho que seja pequeno o espaço que você (já) ocupa na minha vida e as coisas bonitas que você cultiva lá dentro.
Não acho que seja pequeno o bem que você me faz; 
nem pequeno o teu sorriso que faz do meu coração piloto de fórmula 1 e das minhas pernas gelatina.
Também não acho nada pequeno o mundo que existe dentro do teu abraço, 
onde quero sempre me esconder, porque das gostosuras todas, 
é uma delícia ser cercada pelos teus braços e deixar teu peito ser meu lar.
Não acho pequenos os beijos teus, 
nem as histórias todas que tua língua conta pra minha enquanto a gente se entrega num querer mudo.
Não acho pequeno teu telefonema doce pra me dar bom dia (cedo mesmo nos dias folga)
e tua voz me despertando aos poucos enquanto você fala um monte de lindezas 
que eu finjo não levar a sério.
Não são pequenas as nossas conversas longas, nossas risadas imbecis e nossas provocações mútuas.
Não são pequenos os nossos planos
(os seus bem melhores que os meus, os meus geralmente tecidos pra disfarçar o quanto também quero os seus), as nossas dissonâncias (quem não tem?) e a nossa necessidade um do outro.
Não pode ser pequeno, não dá. 
Meu peito ainda aquece cada vez que tua plaquinha sobe no msn, 
meu risinho bobo ainda lampeja cada vez que um sms teu aparece no meu celular,
e eu penso em você quando acordo, quando vou dormir e no intervalo entre ambos.
Não são pequenos os teus mimos comigo nem meu cuidado contigo...
É tudo muito grande, proporcional à minha felicidade.
Então eu tô me preparando pra reencontrar em você as palavras bonitas que minha língua não encontra sozinha, o olhar que meu olhar gosta tanto de ver que se perde, o abraço que preenche o meu abraço de dentro pra fora, o beijo que faz o japão vir parar no meu quintal e a minha alma percorrer o corpo todo eletrizando da cutícula mais fina às minhas pontas duplas...
Eu te amo sem complementos. Você é meu verbo intransitivo: posso até te florear, mas precisar mesmo, você não precisa de mais nada.
Pequenos são só esses meses diante de tudo que a gente ainda vai viver.

9 de abril de 2012

Tu é o meu cuidado

Postado por Keu Azevedo em 9.4.12 4 comentários

Texto para ser lido ao som de  'Adeus
de Móveis Coloniais de Acaju 
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qGkCHtEitp4#! 


Talvez eu só precisasse atravessar o Atlântico pra ter coragem de pular 
o degrau diminuto que me separava de você.
A gente não teve um encontro bonito ou se trombou num corredor, 
a gente se achou enquanto tentava arrumar a própria bagunça...
E de leve a gente foi se querendo, sem saber quem quis primeiro...
E a gente tem se tocado por dentro e por fora: é que a gente se tem à mão e ao peito. Mexe na alma, mexe na vida.
Tá sendo bonito. 
Tá tendo gosto de cobertura na ponta do dedo: sabor na ponta língua, riso na boca do tempo.
Mas não é simples. 
Eu acordo todos os dias imaginando como seria acordar todos os dias ao seu lado.
Porque uma parte de mim é saudade e a outra é desejo. 
E só a tua presença sanaria as duas.
Assim, nem tão de vez em quando, você é tudo que eu mais quero ter.
Eu falava de você como se você existisse. 
Eu pensava em você como se você existisse. 
Até que eu te achei existindo lá fora...
Eu me preocupo se você dormiu bem, se teve um sono tranquilo.
Se mesmo depois de um dia tenso pode deitar com uma ponta de paz.
Eu me preocupo se teve bons sonhos, se chegou ao estágio mais profundo do sono;
me preocupo se estava confortável, se não sentiu frio ou ficou incomodado com o calor... Eu me preocupo meio mãe, meio amada... 
Eu me preocupo se teu descanso foi suficiente pra que você possa acordar 
com o sorriso que eu adoro e a carinha amassada.
Eu me preocupo se boceja muito, se ficou insone.
Eu me preocupo com o teu repousar de pálpebras a noite e teu abrir lento de olhos pela manhã, desejando que ambos sejam regados de fé.
Eu me preocupo tanto porque não posso te dar o meu abraço antes, 
durante e depois do sono.
Porque ainda não podemos ser travesseiro um do outro, porque não posso repousar a tua cabeça no meu colo pra garantir que não sentirá falta de nada. 
Eu me preocupo porque também eu não posso deitar no teu peito 
e ouvir tua respiração e batimentos irem acalmando até que eu tenha certeza que meu maior sonho já dorme.
E toda essa preocupação só vai acabar quando eu puder me certificar pessoalmente
de que você começa e termina todos os dias (bem) ao meu lado.
E que eu possa te dar o primeiro e último beijo do dia pra sempre.


 "Refaço os meus planos 
pra rimar com os seus; 
(...)                 
Eu trago os meus sonhos 
pra somar aos seus..." 
- Móveis Coloniais de Acaju.

17 de março de 2012

Minha prece tem teu nome

Postado por Keu Azevedo em 17.3.12 2 comentários

E à noite
nas minhas orações mais fervorosas,
sonolentas ou chorosas,
você sempre aparece.
Teu doce nome sibilado
em gratidão e prece.

Eu não acreditava em um milhão de coisas que você tem me feito viver. Tu deve ser o sorriso mais irônico (e lindo) do destino pra mim. Então, o que eu mais quero é ser aquela que você mais quer. Não me interessa ser o que você precisa. Meu empenho é em continuar sendo aquilo que você nem sabia que desejava.
Se eu olhar pro horizonte, vejo você até onde a minha vista alcança. E onde ela não pode chegar, ainda sei que você tá presente... Ou então não haveria mais horizonte nenhum.
A gente tem entendido o quanto a saudade dói, o quanto a gente se precisa...
Sabe quando você me abraçou embaixo daquela árvore e me girou? Então: meus pés fora do chão e meu mundo completo.
É que tô com saudade do teu sorriso de menino ornamentando a boca do homem que eu desejo.
Saudade te abrigar no meu peito, no meu colo, na minha boca, nas minhas pernas... Saudade de você respondendo ao meu 'vem' quente e imediato.
Saudade dos teus dedos se perdendo no meu cabelo, tua mão na minha nuca, minhas mãos ignorando a tua camisa pra levar minhas unhas até as tuas costas...
E nossas línguas dançando sincronizadas ou propositalmente descompassadas... 
Saudade de ficar em silêncio contigo enquanto penso em você. Eu só queria a tua boca ditando as regras pro meu corpo. 
Fico invejando sinceramente quem te faz de casa. Tenho saudade de você sendo meu lar.
Fez um frio danado noite passada. Não frio de cobertor. Era o cantinho gelado que teu não-abraço deixou no meu corpo perdido naquela cama. E logo pela manhã, dei um sorriso triste ao abrir o armário do banheiro: lembrei da tua história imbecil de que até nossas escovas se beijam.
Não me deixa romantizar, vem pra perto de mim antes que eu sinta besteira.
Hoje eu faria uma carta-metro com todas as coisas piegas e embaraçosas que quero te dizer, e torceria pra que você mantivesse minha boca ocupada quando chegasse a hora de lê-la... Mas se por acaso a gente respirasse e você quisesse finalmente saber do que se tratava, que nossos sorrisos combinados te desalfabetizassem, pra eu ter uma chance infantil de disfarçar o quanto te quero pra mim.
São léguas severas e estreitas as que você percorreu até o meu coração. Pensa direitinho e vê: não volta. Porque se juntos, não quero uma estrada de caminhos aplainados. Desde que você percorra comigo, qualquer direção é atalho.
É que você é aquele tipo de homem inevitável, exatamente o meu número, entende? Não seja inocente, qualquer um sabe que eu não resistiria. Tu é o tipo de fome que eu quero sentir por toda uma vida.
Fiz uma prece curta: teu nome não tem tantas letras assim. Pedi por um mundo onde a tua mão esteja sempre ao alcance da minha.
A minha pretensão é ser feliz contigo. Aliás, mais feliz. Porque o meu sorriso (já) tem a tua assinatura.

17 de janeiro de 2012

Do verbo desmoderar

Postado por Keu Azevedo em 17.1.12 1 comentários
Texto para ser lido ao som de "The only one" - Yael Naim  http://www.youtube.com/watch?v=eXilTWhpgPg 

Uma fome que nada saciava. Tudo sem sabor, tudo inodoro.
Era ELE que faltava: o corpo alimento, o gosto de vida, o cheiro de amado.
Parecia um eterno pique-esconde:
eu tapei os olhos e continuei lá contando mesmo depois que todo mundo foi embora...
Daí você chegou sem que eu percebesse as suas pisadas; descobriu meus olhos, sussurrou no meu ouvido...
Era isso: eu não devia procurar, eu devia ser achada.
Você tem dado a esses últimos meses cores que eu nem sabia que existiam, ou vai ver eu que enxergava em preto e branco.
Não sei bem se você limpou meus olhos ou pintou o mundo todo, mas a culpa é sua da beleza que vejo hoje.
Eu moderava tudo até perceber a gostosura da embriagues que você me causa.
Eu não preciso ser boa pra todos, notável ao mundo... Eu só preciso ser o suficiente pra você.

Eu permaneceria bem ali, tá vendo? De pé naquela esquina fria, trocando o peso duma perna pra outra por quantos anos fossem necessários...
Eu faria isso se você me prometesse que viria.
Não tô com medo de não ser pra sempre. É tão bonito e absurdo que já é eterno.
Como o primeiro beijo, não preciso te ter pro resto da vida pra te sentir de novo toda vez que eu lembrar...
Mas se eu puder escolher... Quero ter sim.
Por isso tô te dizendo 'eu te amo' de todas as formas possíveis até um dia ter coragem pra dizer de verdade.

E essa mania de dizer que eu te faço feliz? Pfff
Você nem desconfia que não passa da própria felicidade que você me traz voltando leve e apaixonada pra você.
Não me diz mais então, senão não sei como vou fazer pra te deixar voltar, porque você vindo vai me dar vida como quando chove no sertão...
Vai ver você é isso: a chuva que eu esperei estação por estação e achei que nunca viria.
Mas daí que vou te ver chover em mim e pode ser que eu não saiba mais ficar sendo seca quando você se for.
A tua saudade me chupa a força, me dilata o tempo... A tua vontade me lambe a alma.
O problema é que não consigo ter medida contigo... Você me desmodera.
Eu sempre disse que não estava procurando um cara, que um dia a gente ia se encontrar...
Meio derrubando os livros num corredor, meio num café antiquíssimo, meio na sala de espera de algum consultório, meio discutindo Caio F Abreu em alguma rede social...
Ou qualquer uma dessas situações cinematográficas ridículas.
Mas mentira, eu tava procurando e não sabia.
Só percebi isso quando minha procura terminou em você.
Vai ver é aquela velha história de (certo por) linha torta: a gente se encontrou numa curva.

O gostoso é que a gente não faz a mínima ideia do que vai ser depois, de como serão os inúmeros adormecer e despertar contando os dias, de como vai ser não ter todo o tempo aquilo que se deseja o tempo todo.
E então a gente se cheira, a gente se ri, a gente se apega...
(penso que amor é cafonice incurável pra se padecer em par)
E tem certeza que não há outra forma possível na face dessa terra:
é a gente junto. É.
Sou o tipo moça boba que ficou anos sonhando com uma carta de amor bem linda, bem brega...
Hey, Deus: carece mais não. Ele supriu tudo.

7 de janeiro de 2012

Meu bem

Postado por Keu Azevedo em 7.1.12 1 comentários


Texto para ser lido ao som de 'Mapa-Múndi' do Thiago Pethit.


A gente fica planejando as coisas e morrendo de medo.
Mas tem encontros que fazem a gente esquecer os vieses e lamaçais todos do caminho que se segue...
Foi assim com você: eu te encontrei e nunca quis tanto andar como agora.
Nunca tive mais planos absurdos que agora nem mais medo (um medinho quase gostoso) do porvir que eu tanto desejo.
Eu não tenho um plano B. (eu não tenho reservas. Eu não sei do tempo, das falas muito menos do rumo desse roteiro...)
Eu só tenho e quero o você que me fez esquecer todas as outras letras do alfabeto.
Eu queria colar um post-it no teu carro escrito 'você tem o melhor BOM DIA do mundo!'. Porque é verdade, e eu só posso lamentar por toda a humanidade que não te tem dizendo 'te acordei?' todo bonitinho pela manhã.
Então acho que a gente podia tomar um café, depois sair sem intenção de comprar nada, visitar ninguém, cumprir qualquer coisa... De mãos dadas. Achando que a vida bem pode ter gosto de gente.
...Ou só ficar num dia de preguiça, com a minha cabeça no teu peito escutando teu coração de fundo musical pra nossa conversa boba... E teus dedos criando desenhos abstratos nas minhas costas...
Porque ter você já me basta tanto...
Eu queria que você visse meu sorriso hoje: o quanto ele tá com cara de sol nascendo depois de uma noite espessa...
E quando você elogiar e sorrir de volta, eu confessar que o meu sorriso é todo culpa tua, tu só tá reconhecendo a tua obra.
Não sou eu, é você. E a paixão que me causa a tua falta de assunto.
O maior tesão do mundo é o impossível. Acho que isso explica tudo, não?
Eu quero te provocar sorrisos... E que você seja sempre o motivo dos meus melhores. Esse é o meu status: uma vontade ridícula de te encher de breguices e beijos, só pra você saber como é cafona e gostoso o que tenho preparado pra gente.
Porque tu causa efeito sanfona no meu coração. Tu deixa meu coração apertadinho de tanta querança, de tanta saudade, de tanto 'só-você-resolve'... E depois o infla com tanto carinho, com tanta lindeza e romantiquices que só tem graça em você.
Enche meu coração de tu mesmo...
Tô até pensando em parar de brigar contigo e tolher os teus exageros sobre a gente... Vai acontecer mesmo, né? Acho que é real. E eu seria infinitamente idiota se perdesse tempo.
Tu é o garoto bobo mais esperto do (meu) mundo. E mesmo que eu tentasse negar, desconfio que as tuas iniciais apareceriam magicamente escritas na minha cara: é você. Eu sei.
Quando o que te faz feliz não é uma coisa e sim uma pessoa, fica mais difícil enfeiar o resto do mundo.
Então: quer ser meu bem pra sempre?
 

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