Água que nasce do lodoPoeira tocante de vozes e afã.
Soros de risos contidos
Saciam os aflitos de fome pagã.
Grita, agoniza e morre
De sorte pobre que a vida te fez;
Repousa suarento e não dorme
Folheia os acordes: sua sina e sua tez.
Sofre criança barrenta, magrela, cinzenta
No asfalto gelado.
Sangra de costelas expostas
Se alimenta de prosa
E do cetro calado.
Pede, mastiga uma esmola
Sussurra e cobra
O que te convém.
Esquálido, menino-bandido
Magoado e ferido
Com total sensatez.
Chorem mães abortivas o legado da prole!
Sequem suas lágrimas salgadas
Rastejem, implorem um pouco de ação.
Depois, no Natal da irmandade,
Com sua caridade
Se sacia e abate
Toda indignação.
Martirizam-se nesta vida sem sorte
Perdendo seu norte em meio ao sertão.
Se vê que criança não late
Mas come restolho
Migalhas de cão.
Te resta a pena e o falso
Dos meninos descalços
E as meninas paridas.
De dó, de dor e feridas
Peço nessa vida
Que fique ao novo
Um tantinho de dignidade.
Ps.: Post feito durante aula de Sociologia...
3 comentários:
NUsss... tu tah cada vez mais evoluindo.Realmente com o dom que ele te deu..naum dá pra ser amadora...ahuha
Mas me senti no contexto de vidas secas...realidade cruel..=/
Abiaga...a pobreza só existe mesmo na secura, pois seu texto está uma belezura só!
Beijos e sucesso...Inspiração sempre!
Muito bom, praga do Egito, que vc se distraia mais vezes nas aulas de sociologia... didática... linguística...
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