13 de dezembro de 2008

Durma medo meu...

Postado por Keu Azevedo em 13.12.08

Temer? Todo medo é um sobretudo no cabide. É uma teoria minha...
Acredito que as maiores frustrações ainda vêm por medo, pelas múltiplas formas do medo. Seja o medo de que trata Mário Quintana “que paralisa e gela”, o medo de si mesmo, a insegurança que gera o medo, o medo do desconhecido, as fobias, as dores medrosas, o imaginário que amedronta, o medo de quem não sabe que teme.
Todo medo tem um
QUE de infantil.
É o medo das noites sozinho no quarto, o medo dos relâmpagos que nos fotografam através da janela, o medo dos monstros que provavelmente morrem de medo de nós.
É o medo do escuro, o medo do medo, o medo inexplicavelmente bobo, o medo centopédico que quer nos abraçar...

Todo medo é sobretudo no cabide.
Explico: a criança assustada que tenta dormir, olha em volta confusa, desconhece os móveis do próprio quarto quando teme os fantasmas criados pelos desenhos animados que assistiu. Agora, qualquer coisa pode ser um monstro horripilante, agora, o medo assenhora-se da situação e não há exemplo mais clássico de que nem tudo é o que aparenta ser.
O petiz olha, descobre o rosto por um único momento: (momento de horror suficiente) e lá está o seu Freddy Krueguer particular, seu psicopata invencível, sua criptonita... O mais engraçado é que o raciocínio lógico e o medo não são irmanados. O medo parte de algo concreto para a abstração, o raciocínio lógico trilha o caminho inverso.

Nós, crianças agudas, esperneamos, pedimos socorro, ou apenas permanecemos ali, estáticos... Saboreando o gosto gélido do medo.
O que era objeto assume formas perversas, o pífio transforma-se em terror.
Instala-se o colapso.
Mas então... O que acontece?
Nada demais: as luzes se ascendem.
A criança nota que não passava de um sobretudo, um casaco comum que repousava no cabide.
Inacreditável!
Pobre petiz, pobre de nós.
Todos os dias somos invadidos por medos, por situações incompreensivelmente amedrontadoras... Cedemos ao confabular, ao por um lápis nas mãos da nossa mente cansada e infectada, e deixar que ela desenhe a figura que enfrentaremos... Nossa mente tem uma queda pelo trash, com certeza será apelativa em sua caricatura, tende sempre para o mal.
Mas há um momento em que as luzes se ascendem.

Sempre há.
E só então podemos perceber o quanto fomos ingênuos, pois todo aquele medo não passava de um medo ridículo de um sobretudo pendurado no cabide.
Por isso digo: o que torna seu medo invencível são as luzes apagadas.
TODO MEDO É SOBRETUDO NO CABIDE.



Ps.: O título deste post é o nome de uma música linda de O Teatro Mágico. Essa música e uma conversa no MSN me deram a idéia de falar sobre isso [vale super à pena ouvir a música, voz e violão é perfeita... O T.M sempre arrasa!]

3 comentários:

Anônimo disse...

O medo é complexo e tem suas variantes. Gostei da teoria, basta dizer que o medo é raiz mais profunda do instinto. Geralmente é através do medo que sabemos que o melhor é nos movermos, sairmos de alguma situação. O medo é um grande alarme. :)

Abraço,

R.Vinicius

Keu Azevedo disse...

Como o instinto aranha?

hehehe

Piadinha infantil! dãããã
é que o homem-aranha é meu super-herói favorito!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Mas entendi o que vc quis dizer, só estou cumprindo o meu papel: sendo nerd! rsrs

À PÉ ATÉ ENCONTRAR disse...

Keu, legal perceber que a cada dia vc amadurece e screve com mais segurança!!
E legal saber que vc tem sofrido uma influência mágica do TM!!
Só desejo-te inspiração diária para q vc possa iluminar, emocionar e entreter nossas vidas através de tua poesia!
bjo.

 

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