14 de janeiro de 2010

Coracionalizando

Postado por Keu Azevedo em 14.1.10

Eu tenho um coração ignorante, inocente...

Que faz uma questão danada de desconhecer de muito que há no mundo.

Que se desmancha, se espalha, e se joga no colo das pessoas a esperar qualquer coisa... Que às vezes vem, às vezes não.

Tenho coração que tão pouco se retrai, que não recolhe a mão que estendeu... Por mais que doa mantê-la.

Que não pensa nas conseqüências e vive se lançando sem nunca estar fracionado... Meu coração é sempre um inteiro.

Coração bobo.

Um coração jovial pra aceitar, caduco demais pra resistir.

Nunca tinha parado pra pensar no meu coração e no porquê dessa fragilidade chorosa e derretida que ele tem.

Mas o fato de que só tomei conhecimento agora, é de meu coração assim: uma choupaninha velha no alto de uma serra... Que você pode ter sempre lá, puída e acolhedora. De uma vez, de um para sempre...

Coração que se abre lentamente, mas uma vez aberto, impossível de retroceder. É como implorar a uma rosa formosa que volte a ser botão.

Ai, coração...Toma jeito!

Larga mão de tanta meninice! Mas não cresça... Não cresça nunca.

Fica eternamente o menino que quando cansado demais, se enrosca em qualquer cantinho pra cochilar. E ao farejar os cheiros mais traquinos logo se põe de pé, pronto a recomeçar toda estripulia...

Que em seu cerne é um coração molenga e predisposto... Exatamente o tipo mais perigoso de se ter hoje em dia. Por isso, durante anos quis afunilar sua entrada... Mas algumas pessoas a arrombaram e infringiram descaradamente minhas regras. No fim não foi tão ruim.

Meu coração é um moleque que acelera sem autorização, e quando percebo, já está disparado por uma iniciativa, uma frase, algum sonho, alguns medos... Sempre à frente do meu cérebro, ganha todas as disputas.

Não me envergonho do meu coração que prefere chinelos, que não aspira enormidades, e se contenta com pequenas porções. Um coração grandão e gelatinoso, que se machuca todo, todo dia... Mas ri de seu sorriso sem dentes e no alto de suas bochechas vermelhas começa tudo de novo.

Meu coração espalha em mim pulsação e não raciocínio. Essa é sua função. Descabido seria esperar-lhe algum comedimento. Não pode ser. Coração é substância de irreflexão; um serzinho encharcado e bailador que colocaram dentro da gente pra reprimir a monotonia.

Eu gosto disso.

E sou grata por ele nunca estar desocupado. Nunca.

Guardo uma colônia interessante lá dentro.

4 comentários:

R@mon_Vitor disse...

Já te disse que esse seu coração teimoso lembra um certo alguém...
tú sabe,
auhauahauhauaa


ótimo texto.
Essa sua sinceridade literária ... me encanta.

À PÉ ATÉ ENCONTRAR disse...

Coração serve mesmo a pulsar amiga, pra pensar temos o cerébro!
Olha, ele tah caduco é?
Rai ai!
Arreganha essas portas, deixe-se, permita-se fia, pq a decepção sempre vem, esse coração passa por uns bocados,é querer demais não sentir nada...Mas te digo, vale a pena!
Lindo, lindooo texto, não só ele como todo o blog e a renovação que vc fez!
Sou fâ!
Parabéns!

Nathi disse...

Lindo, nunca li tamanha sinceridade...pelo que me lembro, vinda de ti...incrível.

Só lhe desejo sorte, porque dizer cuidado, acho que não vai ajudar!

Beijo

quezia disse...

aaaa amiga.seu core é tão pulsante qto vc.
te amo..
amo seu coração..
que se parece tanto com o meu.!!

 

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