Quase todos os dias alguém me diz como eu sou engraçada.
Dizem que eu sou doida e gero gargalhadas... Isso seria legal, denotaria meu bom humor... Se quando os outros riem, eu estivesse REALMENTE querendo ser engraçada... O fato é que não. Em 90% dos casos não estou querendo provocar risos, não estou contando piadas, e NÃO estou querendo ser divertida. Eu Simplesmente sou um pouco espontânea ou irônica demais... Isso diverte as pessoas, não sei porque... ¬¬’
Some-se a isso o fato de eu ter ideias e insites muito rápido, gostar de trocadilhos podres, usar leves toques de pessimismo, e não ter noção das bobagens que falo até proferi-las... Pronto! Fatores essenciais para ser uma boa palhaça/piadista hoje em dia.
Deve ser agradável pra quem ri... Nem sempre é pra mim. Acabo soando como louca ou ácida se tento explicar que não era brincadeira ou que eu muito menos sou algum tipo de bobo da corte. E ainda tenho que aturar os elogios do tipo: “hahahahahahaha (pausa) hahahahahahaha (nova pausa) você é engraçada demais, rio muito (hahahahaha)” e eu: ¬¬’
Mais difícil que fazer as pessoas rirem, é tentar convencê-las de que você não queria fazer isso. Acho que todo dia de manhã repito pra mim mesma: “vamos lá Cleide, hoje você não fará mais isso”... Mas quando percebo... Putz! Lá fui eu e tasquei um comentário “sórdido” de novo... E os interlocutores danam-se a rir. “Falhei” penso frustrada.
Talvez você esteja pensado: “e daí, que idiotice, esse é seu jeito, assuma-se... que tem demais?!” Então eu te respondo: não são os risos que me incomodam, mas a barreira que eles constroem ao meu redor. Eu não construi esse muro, mas estou atrás dele e por isso ninguém me vê. É chato ser a garota palhaça e inteligente... Não quero ser humorista, quero ser eu. Não quero que riam, quero que ouçam. As gargalhadas dadas comigo ou de mim cessam, o que eu acrescentei ou aprendi não. Se fazer rir é remédio, grito agora que quero jogar fora esses paliativos, se não podem ver o que há embaixo da máscara, prefiro que não vejam o riso tosco por trás dela.
Agonizo só de pensar que minhas brincadeiras podem estar tornando-se a túnica que me cobre e a veste que todos vêem. Eu não quis por essa roupa, quis apenas proteger-me do frio.
Se o riso que provoco nas pessoas faz com que esqueçam suas dores... não quero mais provocá-lo; se o riso que dão quando estão comigo as diverte e distrai... não quero fazer papel de televisão; se além de minhas “palhaçadas” não conseguem citar mais nada relevante, se quando lembram de mim é sempre por sorrisos e gracejos, construções bem humoradas e dentes escancarados... Fui e sou falha a cada dia. Pois, quando se lembrarem de mim, quero que visualizem os meus ideais e tudo que eu queria ser, quero que vejam aquilo que emanava de mim não pelo meu sorriso, mas pelo clamor da minha alma, pelas minhas lágrimas que escorriam na presença de poucos. Quero poder deixar mais nas pessoas que o cansaço gostoso provocado pelo riso, quero deixar as marcas de alguém que é mais do que uma piada, simplesmente porque ainda acredita.
Quero deixar a minha poesia chorosa e sem graça, um pouco dos meus dramas e dos sonhos que tive, quero plantar em cada pessoa não uma imagem de festa e sim de cuidado e suor, de sede e busca, de um amor não fingido... Deixar meu cheiro e não meus lábios esticados e meu pensamento astuto... Quero que vejam o sangue que me cobre e não o mel que derramo, que queiram estar comigo por minha presença e não pelas sensações que lhes posso causar.
Que minha canção prevaleça, até minha última piada.
Ps.: que fique bem claro que esse texto não é indireta pra ninguém, é o que tenho sentido.
0 comentários:
Postar um comentário