As conversas abafadas que Jonas tinha com Ângela variavam entre o romance recôndito dos dois e a agonia do próprio Jorge.
No velório do amigo, Jonas pode consolar Ângela que choramingava, mas se alguém estava mesmo pesaroso era ele, a morte de Jorge o fizera refletir sobre os últimos meses, e a postura de traidor que havia assumido enquanto o outro, inocente, desfalecia. Chegou a sentir remorso, mas ao passar de leve as mãos pelos cabelos de Ângela, afastou tal sentimento. Agora poderiam amar-se livremente, não pensaria no passado... Deixe que o Jorge leve consigo os pesares e impedimentos.
Não foi, porém, tão fácil como ele havia imaginado: a viúva temia os falares alheios e insistiu em pelo menos seis meses de luto social; não queria ser daquelas que se tornam motivo de fofocas na vizinhança, temia as velhas desocupadas que certamente comentariam “mal esfriou o cadáver do marido...”, temia as moças invejosas, e os pretendentes frustrados por ser o Jonas o sortudo a ter nos braços aquela mulher tão cobiçada.
Com isso, continuaram os encontros às escondidas por mais de um ano... Não convém agora relatar como transcorreu esse tempo, amantes são sempre amantes, entre escapadelas e passeios escusos, Jonas afeiçoara-se ainda mais àquela mulher e portanto, estava disposto a dar um passo importante... Exatamente no momento em que o encontramos sentado na praça.
Ergueu-se. Estava na hora.
A passos rápidos dirigiu-se à casa de Ângela, dividindo em seu coração sentimentos como expectativa, insegurança, e uma grande dose de alegria. Resolveria de uma vez aquela situação, estava cansado de se esconder de pessoas que já sabiam de tudo, não entendia o porquê de Ângela ainda fazer questão de manter em “segredo” a relação dos dois. Afinal, de vez em quando, fosse na barbearia ou nas conversas descontraídas entre amigos, todos sempre referiam-se ao próprio Jonas como “o sortudo” fazendo alusão ao fato (já sabido pela maioria) de ser aquele que se deleitava no regaço da viúva mais famosa das redondezas.
Oficializaria.
Colocaria aquela aliança no dedo de Ângela e viveriam felizes como podem viver os que amam desse jeito, dessa idade, nesse mundo.
Ofereceria à Ângela um amor saudável e seguro, a maturidade e porque não o desejo que ela já conhecia... Haveria de dar tudo certo.
Aspirou com força como se quisesse extrair dos pulmões a força de que precisava para bater à porta. Suas mãos tremiam.
Nova batida. Continuava tremendo.
“Vamos homem, você não tem mais idade pra isso!” Pensou uma última vez e resoluto, bateu com mais força.
Sem resposta.
Começara a ficar impaciente. Tinha a chave mas não a usava, pelo menos não assim...À luz do dia.
Bateu uma última vez. Novamente sem resposta, decidiu-se pela chave.
Entrou devagar enquanto tentava relembrar as coisas que tinha memorizado para o momento do pedido. Não faria discurso nem se ajoelharia, tentaria fazer as promessas mais acertadas: aquelas que poderia cumprir.
Ps.: Passei 5 dias doente mas sobrevivi. =)
Tá ai a penúltima parte do conto, comentem!
4 comentários:
Opa... doença nada bom.
Sobreviva ai.. uahahauaha
A historia ta ficando cada vez melhor! \o/ uhauahaua
depois volto e coment melhor, tou com pressa.
*_* Mas deu tempo ler entao preferi dá logo sinal de vida.
ate mais.
É o tio do algodão nem pode me ver!!!!A loira disse que ta te esperando no blog dela!Amo seus contos!Bjkas...
Nossa, o que será que ocorrerá, entrar de mansinho geralmente é indicio de surpresa!
Se no outro a mocinha da biblioteca morreu, este pode ser que ele encontre algo que não queira ver, humm!
o.O
P.s:Te indiquei um selo maneiro!!
Vai lá ver!
P.s.2:me ad no msn: meupretextodiario@hotmail.com
hmmmm. entrar de mansinho? eu troco de canal, porque aquelas musiquinhas começam a tocar e é susto na certa!!!
bom, acho que não foi uma boa decisão a chave!
abraço.
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