21 de maio de 2011

Chamado II

Postado por Keu Azevedo em 21.5.11
Texto para ser lido ao som de 
'Soneto do teu corpo' - (na versão do Leoni)


Talvez amadurecimento seja aprender a não impor nossa presença, não fazer do afeto moeda de troca... Talvez a gente nem amadureça mesmo.
Não tenho muito em conta gente que diz o que precisa ser ouvido e não respeito quem distribui ‘eu te amo’.
Às vezes tenho sentimentos anônimos, às vezes me incomoda esse coração apertado... Culpa minha que o enchi de coisas tentando preencher o teu lugar. Não é de um coração vazio que falo. É de deixar displicentemente o teu espaço inocupável até que você venha. Então me surpreendo pensando em você... e as coisas se desarrumam, sabe?
Teu corpo, teu gosto, tu inteiro... Vem danoso, imperfeito, ardil... E provemo-nos ásperos. Ao fim do dia saberemos: o querer nos foi guia, mas a necessidade um do outro nos forjou amados.
Quanto a mim? Eu continuo aqui com essa calma velhaca. Vivendo esses gostos obsoletos: preciso de conquista, abraço, beijo sem pressa... Todos teus.
À meia distância qualquer alma é bem vista... O close que é perigoso. Te desafio a chegar mais perto.
Quero teu pensamento vagabundo correndo todo debochado pra mim quando tu menos esperas. Te quero entalhando sonetos em mim, pontuando-os com meu umbigo; quero tua língua pra minha echarpe nos dias frios.
- Livrai-me do amor terno que faz sombra ao outro e lhe é descanso. Ou chove-me ou ensolara-me. Porque penso que o amor... O Amor mesmo... É essencialmente lúdico. –
E enquanto a gente não se tem, que nossos pensamentos se encontrem de vez em quando, nossas almas deslizem uma na outra, nossos mundos colidam.
Que estejamos desprotegidos.

4 comentários:

Danilo Cerqueira disse...

Sempre me sinto bem ao ler seus textos, primor de pessoa... Abraço poético e humano, moça!!!!

Inaí de Souza disse...

O incrível é que os teus textos sempre me confortam e me dão esperança. Gosto dessas sensações e gosto mais ainda do teu blog.
Parabéns pelo talento!

Rodrigo Garcia disse...

Sempre me deixa sem palavras... às vezes sinto falta de quando eu conseguia escrever assim...
Parabén pelo post.

Um bejo

Nanda disse...

Olha isso:

Te quero entalhando sonetos em mim, pontuando-os com meu umbigo; quero tua língua pra minha echarpe nos dias frios.

E depois a diabinha sou eu??? sei, arã!!!

Amo-te

 

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