Texto para ser lido ao som de
A Sete Chaves - Maglore
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Se óvulos e espermatozóides fizessem cursinho pré-vida o nosso índice de aprovação seria bem maior.
Tenho oferecido pouco às pessoas. E a esses poucos, a minha presença corpórea apenas. Fico ali. Mas minha alma segue voando sem ser fisgada. Não me pergunte por que, não sei respostas, eu escrevo. Quem escreve não está à caça de respostas, está simplesmente à caça.
Adquiri recentemente uma falta de interesse absurda. E parece que foi no Groupon. Fujo mais e mais de situações delicadas. Quem tem tempo e saco pra minúcias, que faça bordado.
...Só não tem jeito de fugir de mim. Embora eu queira um apartheid de corpo e coração.
Tenho dificuldade com quaisquer inconstâncias que não as minhas próprias. E tenho sérios problemas com repetições também. Embora ache que, às vezes, o disco arranha porque é aquele trecho que precisamos ouvir. Incessantemente.
Eu penso nas pessoas. Talvez porque me falte alguma tragédia maior, mas penso.
Tem gente que não sabe se deixar ser amado. Tem gente que não é mesmo e se apropria da versão anterior.
Sou cheia de conselhos que não dou e planos que não executo, e tenho um medo absurdo de perder a esperança. Mas não, oxalá que não!
O pessimismo é cômodo e covarde. E a covardia é a fase um do desespero.
E há tanto pra consumir, tanto para aprender, tanto para deixar...
Mas sem pressa.
Desejemos mudanças menores: pequenos 'nãos' e ciclos fechados, pequenos 'sims' e risos compassados.
Que seja permitido um lapso intencional, que seja proibido o choro prolongado, que seja sabido que exagero também é mentira.
Deletemos os telefones, excluamo-nos das redes, mas nunca – em hipótese nenhuma – rasguemos as fotografias. Deixemos as lembranças em paz, silenciadas nos risos congelados... Já são seu próprio penar.
E que todos possam entender o perigo do semi-dito. O semi-dito é avassalador.
Que todos temam menos os machucados. Porque o grande negócio ainda é amar... E nega-se a viver quem espera um amor inócuo.
(A vida se dispõe em fios num tear... Teçamos, teçamos!)
Não é de se admirar que eu esteja tão assim, um misto-de-perturbação-e-alheiamento, cheia duma vontade elástica, duma carência seletiva, dum desencantamento safado.
É que o tempo é liga e foice. O cotidiano edifica e debulha sem autorização prévia.
Hora quero jejum, hora glutonaria.
Esse descompasso alucina... E molda, fere. Um lusco-fusco dentro do coração, uma moça vestida de espinhos girando dentro da cabeça, debatendo-se em sua dança delirante...
Acho que é isso: delírio.

5 comentários:
Gostei! =)
E assim seja.
Bem lindo seu texto (:
Keu... Um dia me disseram: "Cara... Sempre te achei muito seguro! Se arrisque mais!" Não sei se o risco que resolvi correr nesses últimos tempos, é exatamente o que me foi sugerido... Mas tenho plena consciência de que é esse risco que escolhi correr, que têm me preenchido os pensamentos!
Esse texto dá uma sensação de ausência de calor... Não o calor do lado de fora, mas o calor do lado de dentro!!! Permita-se mais, amiguinha! Arrisque-se mais; prova o que as pessoas podem te oferecer... Deixa que te enxerguem mais um pouco! E, por último, me desculpa se tô te enchendo, mas me incomoda perceber algumas verdades conhecidas, mas denominadas por confusão, por medo dos riscos!
Quero te ver feliz, amore... Estive pensando sobre a vida até chegar a uma conclusão, que sempre se apresenta... "O silêncio do pensar em quem se ama, é o que mais nos fala, o que mais nos diz tudo o que precisamos saber sobre o sentido da existência!" Se é que tem mesmo algo como um sentido a ser conhecido!
Ame, apenas isso!
Muitas saudads... Me liga quando tiver em casa, que vou te ver!;)
BjOs de seu amigo, Elias Rios...
Ora bolas.
Que marabrilhoso seu textoooo!
Valeu pela leitura Keu!
Saudades e abraços!
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