17 de março de 2011

Bárbaro de mim

Postado por Keu Azevedo em 17.3.11
Texto para ser lido ao som de  Fuckin' Perfect da Pink.

Quando te chamei de imbecil, impulsivo, burro e disse que só me fazia sofrer, você respondeu que eu ainda te agradeceria. Ok, obrigada Coração.

Tarefa árdua é essa de manter pessoas e sentimentos sincronizados. Lidar com um coração agitado, que acelera revolucionário e se recusa a deixar o corpo repousar.
Ódio que sinto desse reducionismo eu-e-você-nós-dois sob o qual meus dias tem se apoiado. E cada vez mais se perpetua a certeza de que não quero amor veraneio quente-intenso-efêmero, quero você meu amor-inverno que me sopra arrepios só pra poder me aquecer em teus braços.
Se faço tempestade em copo d'agua é pra depois podermos dançar juntos sob o arco-íris. E como negar que tem sido você? Ainda não tomei conhecimento de anfetamina melhor que um sorriso teu!
Não pode ser outro, acho que é isso. Me enlouquece não poder controlar teus impactos, e matematizar essa minha entrega (in)voluntária... E são tantos desencontros no meio do nosso encontro! O que, curiosamente, não me faz gostar menos dessa nossa relação labirintizada.
- Shit!
Aqui dentro tem aquela tua poltrona velha, macia, com a marca do teu corpo... Esperando você. Teu lugar. Lembro de você sentado do meu lado, lembro de te esperar chegar e fingir rabiscar alguma coisa pra que fosse menos cortante a espera, e lembro-me de ficar mantralmente repetindo que não importaria se você não aparecesse. Sempre importou.
Saudade da gente ocasionalmente de mãos dadas e daquele abraço às vezes sem jeito que você me dava no final da noite. Algum dia eu devia te dizer o quanto acho doce você se queixando que se importa muito mais comigo do que eu contigo, algum dia eu deveria me defender menos e seguir o teu conselho de te deixar me ter. Algum dia eu deveria mesmo dizer que adoro tua calça amarrotada, tuas camisas 3x4, e embora eu não admita em voz alta, você é o puta-cara-que-eu-sempre-quis.
Tenho te cultivado e sinto que vai valer à pena. De dia ditosa plantar-te, no fim da tarde em regozijo colher-te, e à noite em sofreguidão tragar-te. Sinto que você sente igual, então nem tenho mais o que pedir pro Papai Noel esse ano.
A gente foi brincando com o ‘por acaso’ e não se deu conta que toda nossa confusão é liga. Você me fala das marcas que a vida te deixou e eu te ensino que cicatriz é a pintura na carne dos desafios que se venceu. Eu te falo dos meus sonhos em marca d’agua e você põe lápis na minha mão e me ajuda a desenhar tudo de novo: sonhos novos, aquarelados.
A diferença é o que você me causa. O perigo que você representa ao ver em mim a mulher que deseja e a menina que quer cuidar.
E nem estou falando dos teus recados dizendo que sente saudade 24 horas depois de a gente ter se falado, ou de você me chamando de ‘anjo’ e jurando que acredita nisso; não se trata de você dizendo que adora os meus vestidos infantis e me deixando sem graça com seus comentários premeditadamente maliciosos, das tuas chamadas perdidas no meu celular, do seu jeito de mexer no meu cabelo e mexer com meu mundo ao mesmo tempo... É quem você me torna e quem quer ser comigo.
Então vem e não me cura, me deixa te precisar. Vem imperfeito e manhoso preu ser tua prece e delírio.
...Vandalize minha zona de conforto que eu te deixo ficar.

2 comentários:

Clarisse disse...

Uai!

Elias disse...

E tudo isso releva a outra situação sobre a qual falamos um bocado... Seria pleno se o poder de repartir tudo isso entre mais de uma personagem, me fosse dado... Ou dado à todos em semelhantes tormentos [vou chamar assim mesmo... Oxe] Ah Keu, sabe de uma, vou abandonar essa escrita formal[um kadinho] pra te dizer: deixa de ser besta e aproveita! Permita-se mais ;) rsrs bjOs

ps. Texto gostosO d+ de ler ^^

by. Elias Rios

 

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