6 de dezembro de 2010

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Postado por Keu Azevedo em 6.12.10

Há que se separar pessoas: as tristes e doces, abençoadas e esperançosas, irônicas e de coração mole... Essas todas quero separadas pra mim.
Gosto de gente que após a primeira mordiscada deixa um gostinho doce na boca que te faz lamber os lábios, querer mais.
Sou ladrilhada. Feita de um ladrilho frágil, irregular... Cuidado onde pisa. Como uma taça de açúcar que, ao menor choque fragmenta-se, uma alma sincera estilhaça o meu coração... É perigoso.
Gosto de gente que me rouba o tédio, me arranca do marasmo e - sobretudo contra a minha vontade - chuta meus receios pra bem longe...
Tem gente que é um bocadinho gostoso, um punhado doce que a gente vicia. Tem gente que é um pedaço de estrago, e a essas pessoas, o amor abre um sorriso, quer que fique... Dá medo.
O medo de amar é o que justifica a facilidade em abrir as pernas e não o coração. É esse mesmo medo que petrifica a gente de dentro pra fora. E vira aquela sensação ruim: um quase-abandono, uma quase-dor... Uma querança inteira. Espaço demais...
Tenho esperanças pulmonares que inflam e contraem à medida que vou vivendo. Por isso, em tempos de crise há que se erguer a cabeça, piscar rápido pra que as lágrimas caiam de uma vez, e então, sair ao encalço do impossível.
Murmurar demais e saborear de menos, eis a chave da impaciência humana. A necessidade de planificar, o embargo ao surpreendente... Eu sou assim, cheia de estratagemas pra me auto-sabotar, um eterno jogo de não-é-você-sou-eu.
Só quem já se despejou inteiro num cantil furado sabe o que é se derramar em vão. E é água que não volta mais, sentimentos desperdiçados...
Mas eu sou incorrigivelmente apaixonada pelas pessoas. O que significa se doar mais e de novo, esparramar a alma mais e de novo, e não matar a sede: escorrer mais e de novo pela terra seca... Até que brote. Há de brotar.

5 comentários:

Rodrigo Garcia disse...

Medo de amar... É como o dilema do porco-espinho não? O único jeito de sobreviver ao frio é se abraçando, mas os espinhos não deixam.

Texto maravilhosamente escrito e tão cheio de sentimento e verdade.

Um grande abraço.

Daniel Savio disse...

E quantos realmente se entregaram a uma noite torrida de amor só para se sentir um pouco mais amado?

Fique com Deus, menina Keu Azevedo.
Um abraço.

Elias disse...

Hum... Sebe keu, que você é instável nota-se, mas... Talvez mesmo sem intenção, você vem numa "maré" ou melhor dizendo, uma ondazinha [rsrs] de cambio ao criticismo com relação aos que julga diminutos de alguma forma... Enfim, talvez, como em várias outras vezes, você ache que estou "viajando", mas... Viajo mesmo, quem sabe assim, uma hora chegamos ao destino mirado... Falemos disso numa outra ocasião, ou não... bjOs ;)

Marcos Fellipe disse...

Olá Keu muito bom seu blog... Muito bom o texto... Há de brotar!!! As vezes sinto-me como se eu fosse essas relações que tenho com as pessoas com o mundo com a vida... Esses que tento chamar de Eu mesmo, são as relações... Quero "roubar o tédio", presentear sorrisos, "arrancar marasmos", "chutar receios"... "amar"... Quero companheiros vivos para aprender a viver... Belo texto Keu... Me desafia a ser mais...

Quezia Alvim disse...

há de brotar amiga
eu acredito tb..
apesar dos pesares,o que ainda me deixa de pé é a fé que tenho nas pessoas... e isso inclui a mim mesma.!

 

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