O tempo surfava nas ondas daquela memória.
Em espirais os minutos escorriam entre seus cabelos e os dedos que o repuxavam.
O choro havia cessado, a mente estava turva.
Como pode uma menina de 16 anos tão absorta?
Thaís era uma pintura: pele arrepiada, olhos com sombras internas, escarlate... Alguma coisa de conformismo triste começava a aparecer.
Tudo havia começado há poucos meses.
Em seu aniversário ganhara um presente do namorado de sua mãe: um diário.
Era sabido por todos que ela adorava escrever.
Em seu aniversário ganhara um presente do namorado de sua mãe: um diário.
Era sabido por todos que ela adorava escrever.
“– Escreva suas memórias e suas poesias” ele havia dito.
Assim ela o fez.
Sempre à noite, dentro do seu castelo de sal. Fingia deitar, todas as luzes se apagavam. Silenciosamente pegava o caderno e escrevia compulsivamente por muito tempo.
Escondia-o outra vez. Exatamente onde sua mãe sabia que estava.
Contava pro caderno de capa fosca e manchas rochoso-esverdeadas, todos os enigmas possíveis dos 16 anos. E sempre encerrava: “É o fim por hoje. Amanhã não sei.”
Um mês depois ninguém mais se lembrava do diário. Só o presenteador.
Ele sempre ia ao quarto de Thaís. Oferecia-se pra conversar, perguntava de paixões e conflitos. Acariciava seus ombros e dizia que com ele, poderia sempre contar.
Ela era uma menina de poucas palavras, agradecia pelo gesto e pelo diário. Sempre dizia que usava pouco, não lhe sobrava mais tanto tempo pra escrever entre as aulas e os cursos.
Era hora de ir embora, anunciava a mãe dela.
Ele se despedia com um beijo na testa que variava de 2 a 3 segundos. E ia.
Ele se despedia com um beijo na testa que variava de 2 a 3 segundos. E ia.
Naquela noite, após todas as luzes apagadas, Thaís e seu companheiro fosco-manchado não ressurgiriam em relatos sob a luz tímida do abajur.
O presente era diferente.
O presente era diferente.
Seu quarto era insípido.
Ela só queria dormir.
E muito mais verdadeiro do que tantas outras vezes, do que em inúmeras páginas, ela se despedia sem saber do amanhã.
Ps.: desculpem a imagem não tão adequada. É que eu imagino primeiro e procuro a foto depois (em todos os casos) é difícil achar algo que corresponda exatamente ao que pensei. Uma pena.
Ps.: desculpem a imagem não tão adequada. É que eu imagino primeiro e procuro a foto depois (em todos os casos) é difícil achar algo que corresponda exatamente ao que pensei. Uma pena.

3 comentários:
Bonita a relação dela com o padrasto.
É bom, pelo menos na ficção, se reconfortar com as belas coisas da vida. Com os pequenos gestos e presentes.
Olha não seei o que comentar,
mas gostei muito do texto...
fez-me lembrar algum livro ou personagem que já assisti alguma vez, não sei...talvez seja eu mesma.
^^
Beijo
Hum, trilogia é?
Eis que essa graduada resurge cada dia melhoor!
Ps:Eu também escolho a ft por último.E há ligação de sua imagem ao texto baby!
Bjoos, adooro tua líricaa!
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