17 de outubro de 2009

Colméia

Postado por Keu Azevedo em 17.10.09

Eu não era mais feliz na minha infância. Era mais comprometida com a verdade, menos comprometida com as horas, pensava menos... Corria mais, punia-me menos, cobrava-me menos, cantava mais alto! Na infância eu lia as histórias que ia tentar fazer acontecer pro resto da vida...!
É normal o saudosismo quando nos vemos diante de situações complicadas. Estou assim, sentindo como se abelhas estivessem construindo uma colméia dentro da minha cabeça: tudo zunindo demais, agitação demais, atividade demais, confusão demais... E apesar de tudo isso, o meu pensamento, que anda empoeirado, precisa da espanação de alguma ideia absurda!
Fico me perguntando se todo esse borbulho acabará em mel...
Eu sei que o mundo não é uma caixinha de surpresas: suas chagas estão expostas, cabe a mim decidir se tento limpá-las ou venero as secreções...
Mas quando se trata de mim é como se um frenesi me impedisse de ser racional. Aí me pego sonhando com um lugar onde as pessoas ficam sentadas em suas varandas tomando sol, sem medo, apenas querendo vitamina D.
Se eu pudesse só transitar... Será que eu sou a única que hesita ao pegar o guarda-chuva mesmo com o céu tomado por nuvens escuras...? Será que eu sou a única que fica tentando conservar aquele restinho de esperança de que o tempo mude e por isso se arrisca a chegar em casa molhada e gripada?
Tomar chuva às vezes é tão bom...
Tenho produzido mantras do tipo: “não fique ansiosa” e solenemente tento internalizá-los... Não tem adiantado muito. A vontade que tenho ainda é de adiar todas as decisões... Eu queria ter um toque que congelasse o mundo inteiro e, sem sons, sem movimento, sem caos, apenas eu continuasse andando...
- A verdade é que a gente só faz cabana onde quer estar... Deixe-me passar furtivamente... Quando eu achar o lugar certo, descanso! Assim, quando todos se cansarem da embromação do sentir desses dias, estarei pacientemente confortada pelo amor substancial!
Essas idas e voltas tem me deixado tonta, mas sou eu que fico girando como que pra fazer flutuar o vestido, enquanto tudo ao meu redor permanece irritantemente estático...Esperando-me, de olhos arregalados!
A expectativa me frustra e me corta... Posso sentir suas unhas rasgando a minha pele. E o que fazer com essa dor? Sempre a dor... Quando não se sabe como fazê-la parar, deixar doer imprime a segurança que se precisa pra evitar dores futuras...
Sem soluções, termino por aqui... Preciso aproveitar porque, ao que parece, as abelhas deram uma pausa para o almoço.

4 comentários:

Nathi disse...

Nossa, a nossa conversa de ontem tem tudo a ver com este seu post...Incrível, curti muito, suas palavras fluiram simples e calmas, nem pareciam que estavam saindo de uma mente em zumbido!

Beijo

Vinicius disse...

Oi. Quanto tempo! "Asculta fundo o teu sentido - eis a tudo atento com delicada demora." Abraço.

Keu Azevedo disse...

Putz! Vinicius! Isso foi espontâneo aí foi? É teu? Se for, quero roubar imediatamente!
Nathi...sim, claro que tem a ver...A boca acaba sempre falando do que o coração está cheio!
=P

Vinicius disse...

Oi. É de minha autoria (e a autorizo a usá-la). Foi espontâneo (e que bom que gostou). Abraço (não devo me ausentar mais). Até breve.

 

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