8 de setembro de 2009

Ledo engano

Postado por Keu Azevedo em 8.9.09


Esse post é um conjunto de coisas que ando pensando e como qualquer outro não tem o objetivo de buscar concordâncias... Não gostou do primeiro parágrafo? Feche a página.


Sou múltipla. Não tente reduzir a Polissemia que há em mim...Talvez seja você que não comporta meus significados.
Só sei falar disso: de mim, de mim, de mim... E é como se o assunto não esgotasse nunca, porque talvez, o que eu disse ser e querer ontem seja contradito ou ampliado pelas novas funções e influências do meu hoje.
Tenho tempos internos como qualquer pessoa: hora chuvosa e cheia de tempestades que despedaçam tudo ao redor; hora ensolarada e abrasadora.
Sei conter Chuva fininha que dá vontade de abrir os braços e ficar girando pra poder aproveitar cada gota;
Ou Chuva calma e constante, de céu escuro e trovoada.
Ultimamente, abrigo uma Chuva que é recato pra dias em que tudo me parece farisaico demais.
Mas também sei ter Sol!
Sol que queima e traz fadiga, Sol que aquece e amolece o corpo todo com a sensação gostosa de poros dilatados...
E Sol que brinca de esconde-esconde com as nuvens... Fazendo-me sorrir nesse aparecer/esconder-se das tardes.
Sei ter Sol que se põe, que vai embora e deixa o abandono em seu lugar, de solidão... O mesmo Sol que partiu só pra se vingar de mim, Sol que tem ciúme da noite.
Mas também sei ter Sol que nasce... De um parto lento e lastimoso, mas que desponta e constrange de tão forte, sentimental, fogoso.
Tenho o direito de chover e raiar quando eu quiser. Tenho o direito de salmodiar. Tenho o direito de errar e de ser hostil, nem que seja pra me arrepender logo depois... Não vou ceder a essa máscara coletiva e busca desenfreada por parecer bem, a comida que como não é de plástico, portanto, não vivo e me alimento de aparências.
Sou singular em minha aspereza e universal em minhas confusões. Sou plural, abarrotada de S [ésse]... E ainda consigo ser um hibridismo que sabe o sentido que quer assumir (apesar de tudo).
Ledo engano quem pensa que me vê, pois, se me visse mesmo, enxergaria uma colcha de retalhos... Onde cada pedaço tem um motivo.
Tudo que se fez em mim é possível reemendar: acrescentando novos pedaços, retirando alguns excessos... Ledo engano quem pensa estar pronto ou quem acha ser alfaiate.
Minha linha e agulha estão nas mãos de quem começou o cobertor... Então simplesmente afaste a sua tesoura.

“AquEle que começou boa obra em vós (em mim também é claro) há de aperfeiçoá-la até ao dia de Cristo Jesus.” Filipenses 1:6 [grifos meus]

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