Sobre cacos de vidro e brasa, eu danço.
Danço a dança da vida quando saio de casa todas as manhãs.
Vejo velhos nas ruas que de tão velhos não passam de crianças choronas...velhos que geralmente nem chegam aos trinta anos. Pessoas de plástico, de terno...Que querem sem lutar e só se aviam pelas instâncias mais altas...sigo com a minha mochila suja e laranja cheia de papéis rabiscados e objetos que me fazem sentir idiota.
Atravesso ruas como se quisesse sugá-las... De manhã as pessoas são mais desagradáveis: mau humoradas e com pressa, seguem pro emprego que não queriam, cumprir horas desgastantes na vida que não sonharam, vestidas como os outros lhe querem... e ainda me olham com cara feia... como se eu tivesse culpa!
Eu não, eu sigo os passinhos e os ladrilhos da calçada, me equilibro no meio fio, e quem sabe corro descalça... Pra espantar no vento minhas preocupações e fugir ao meu medo maior: tornar-me responsável e rabugenta como aquela gente que trabalha...
Acho que a maioria das pessoas toma café com jiló e dorme em cama de pregos...essa seria uma boa justificativa para tantos franzir de testa e solavancos... Se for assim, eu como sonhos e durmo em algodão felpudo. Não quero mais estar mal diante daquele solzinho que se espreguiça na minha frente, não quero desperdiçar os ares frescos desses meses em que não se tem muito pra contar...
Continuarei dobrando minhas pernas em qualquer banco, deitando pra olhar a copa das árvores e tomando sorvete quando não devo... O que torna as pessoas infelizes é a capacidade que elas tem de sozinhas descolorirem todo um dia.
Continuarei andando devagar, me deslumbrando com bobagens e tendo ataques repentinos de riso... Essas coisas simples que sustentam o esqueleto quando vem os dias de mau agouro.
Continuarei leve até que o céu desabe... Pois quando ele cair sobre mim, terei coisas fáceis, lindas e melódicas pra lembrar...Quem aprende o que deve conservar de si e dos outros, suporta cargas mais pesadas.
Quem aprende a parar e respirar... a ter um livro nas mãos, a ouvir sons despercebidos, sabe que quando tudo está cinza...é só pegar as canetas certas e pintar de novo!

7 comentários:
sempre com excelentes textos!!! se eu conseguir memorizar o último paragrafo, posso usá-lo como frase, lema... coisas do tipo? porque é fantástico...
abraço.
"Sobre cacos de vidro e brasa, eu danço."
Engraçado, é exatamente como me sinto nesse momento da minha vida...
Bem e sobre seu texto Keu, muito lindo, como tens evoluído na escrita!!
Que o Todo Poderoso te abençoe sempre!
Bjão.
"Sobre cacos de vidro e brasa, eu danço."
Fiquei assim quando comecei o texto --- :O
ahauhauahuahuaa
Que metáforas... txto está maravilhoso tanto esteticamente cmo em conteúdo!
tá podendo.
P.S: A quanto tempo eu não dou as caras? Pois veja que estou vivíssimo... auhauahua
Bjs.
Fica com Deus.
... Só passando...
Quero postagem nova... Agilize ai que você tá de férias.
auahauhaua
huhuh
amei Keu
me identifiquei..
parabéns amiga..!!
Respostas:
*Obrigada a todos...
1-
Flávia e Kbça: Pode usar como quiser, fique à vontade!
2- Ana Paula Duarte: Pois é Ana... NÓS nos sentimos
3- R@mon_Vitor : hihihi Obrigada, mas bem menos... sem querer rasgar seda, mas vc já fez muiiiiito melhor q isso.
3.1: Agilizei! tem COISA nova... hehehe
4 - quezia : :* brigadU nega! ;D
esse seu texto keu, é um convite a felicidade...
lindo.
Postar um comentário