Hoje fui assistir a um espetáculo...(19/09/2008)
Foi num evento de aniversário de um Centro Cultural da cidade, tava legalzinho mesmo: várias exposições, apresentações de danças variadas, oficinas de muitas coisas, cordel, etc etc etc ...Tava ARTE!
Tá, não era o circo de Sólei, mas foi bacana.
É diferente quando não se é mais criança porque os palhaços são tão diferentes...
Enxergo agora além das peripécias: no caso de hoje, dois homens que não chegavam aos trinta anos, maquiados, coloridos, dançantes... Achei tão bonito e tão patético!
As crianças ainda são crianças (por mais que se comente o contrário por aí), pude ver as caras de bobas, os olhos sem querer piscar pra que nada fosse perdido, as respostas prontas aos palhaços, a disputa pela participação e os sorrisos quase salivantes...
Eu nem ri, sei lá, só não ri... Não que estivesse ruim, mas eu fiquei pensando tantas coisas enquanto ouvia e via Pipoca e Pirulito (é, eles ainda usam nomes de comida, doces de preferência) que aquelas encenações, aquelas quedas, cambalhotas e etc.; tornaram-se uma espécie de painel... Foi uma sensação ótima... Admirei demais o trabalho daqueles dois; eu quase tietei e pedi pra tirar uma foto deles no final, mas fiquei com vergonha – vai saber! Acho que me senti astuta demais – mas pude olhar atentamente aqueles traços ensaiados... Sabe o que vi? Gente que tenta!
Ok, a vida deles pode ser um horror, estar ali pode até ser uma falta de opção, mas me recuso a acreditar... Era mesmo magiquinha.
O sapato do Pipoca tava com o solado descolando, e a peruca do Pirulito era tosca demais. Era um “teatro de arena” no CUCA e o sol torrava o juízo de quem estava sentado na arquibancada mais a frente; a maioria das crianças que assistiam eram de escolas próximas, e eu tava ali: sentada ao lado de um ventríloquo que tinha um boneco preto assustador (ele era um tiozinho que tinha apenas um braço, e cara de paciência infinda, também ia apresentar-se mais tarde); e tão perto a ponto de pescar umas idéias de outro tiozinho o Seu Júlio que montou um estande por ser (acredite) um contador profissional de causos e casos – era o que dizia o banner dele – um senhor de mais de sessenta anos, meio banguelo, com uma tosse agonizante... Mas que não sei por que era tão fofo! (sério) por si só já tinha cara de parlenda.
Tinham também umas tiazinhas animadas, que gritavam tanto quanto as crianças, só que ainda mais emocionadas.
Pensei que todo mundo devia fazer isso às vezes: sei lá, ir a um circo, assistir desenho animado, comer jujuba, se melecar com o sorvete derretendo, rir mais...
Pra mim valeu a pena... E acredito que para a maioria ali valeu também. Deixo então uma torcida pro Seu Julio, pro tiozinho do boneco, (ah! O nome do boneco era Tadeu, mas o do tiozinho eu realmente não lembro) pro Pirulito e pro Pipoca... Pra gente que tenta, que faz, e que pelo menos naquele instante ainda SORRI.
Ps.: É, eu ri sim, lembrei agora: foi justamente na entrada dos palhaços quando INACREDITAVELMENTE eu ouvi: – Hoje tem marmelada? (...) Hoje tem palhaçada? (...) E o palhaço o que é? (...)
keu azevedo
Sou egocêntrica e de um humor às vezes ácido, às vezes imbecil. Tenho péssima memória e uma timidez inconveniente. Meio desajeitada, meio lerda, nerd simpatizante. Com uma forte tendência melancólico-saudosista e uma paixão descomedida por Literatura. Gosto de estar certa, gosto de ser mimada e tenho PHD em longas esperas. Cuidado: sou altamente instável, nasci potencialmente predisposta à falhas de execução.
20 de setembro de 2008
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